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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: Lady Bird – A Hora de Voar

Sinopse: Christine McPherson está no último ano do colégio e o que mais deseja é ir fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, ideia rejeitada por sua mãe. Lady Bird, como a garota de forte personalidade exige ser chamada, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora adiante mesmo assim. Enquanto a hora não chega, ela se divide entre as obrigações estudantis no colégio católico, o primeiro namoro, típicos rituais de passagem para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.


Greta Gerwig tem um papel fundamental dentro do cinema independente americano. Tendo sua fase de ouro nos anos 90, o cinema independente de lá ganhou novo fôlego com talentos como Greta Gerwing e o nosso produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (A Bruxa), sendo que ambos trabalharam juntos como produtor e roteirista no elogiado Frances Há, filme que fez com que a crítica internacional se voltasse novamente para esses pequenos filmes. Com Lady Bird – A Hora de Voar, Greta comprova novamente que os melhores perfumes se encontram nos menores frascos, ao tratar na trama de temas comuns da juventude de uma forma criativa e gostosa de se assistir.
No caso de Lady Bird, nossa protagonista é Christine McPherson (Saoirse Ronan de BrooKlyn), uma adolescente comum, igual a tantas outras de sua idade e que fará com que muitas jovens se identifiquem facilmente. Ela mora com os pais na cidade de Sacramento, na Califórnia, no início dos anos 2000. O relacionamento com a mãe controladora é conturbado: com personalidades muito fortes, as duas definitivamente não combinam, sendo que é pelo pai (um desempregado, em plena crise que afetou a economia do país na época) que Christine mantém uma profunda admiração.
Todos os planos de Lady Bird (apelido do qual Christine criou para si) vão por água abaixo em situações corriqueiras da vida: cursar uma universidade na costa leste é impossível devido às suas notas baixas; sua “carreira” de atriz é deixada de lado no colégio, já que ela nunca consegue papéis significativos; seu namoro se encontra em declínio, uma vez que seu namorado possui sérios problemas de identidade. Para completar, ela não é bem a garota mais popular em seu meio; na realidade, Lady Bird é apenas mais uma de um imenso formigueiro. 
Lady Bird é uma trama sobre um passado mais dourado, onde as desventuras da protagonista são capazes de fazer com que o cinéfilo reviva sua própria história ao longo do percurso. Percebe-se que tudo o que é apresentado ao longo do filme é bem cronometrado, como um relógio suíço, para que assim nós nos identifiquemos facilmente com a jovem, principalmente no seu primeiro ato da trama. Contudo, o filme meio que pisa em terreno perigoso ao criar soluções fáceis que soam familiares e, portanto se vier em sua mente títulos como As Patricinhas de Beverlly Hills e Meninas Malvadas não se surpreendem.
Porém, não se deve desmerecer a obra, principalmente pelo fato da cineasta colocar muito de sua pessoa na personagem e na trama. Em Frances Há, por exemplo, era praticamente uma obra biográfica de sua vida, em períodos em que ela precisava tomar certas atitudes para seguir em frente. Lady Bird pode ser interpretado então como uma espécie de prequel sobre a vida da artista, onde as transições da fase adolescente para fase adulta se tornam um terreno muito mais perigoso para tomar então um passo em falso.
Se o filme tem os seus defeitos, ao menos eles são esquecidos quando nos concentramos na atuação impecável de Saoirse Ronan, já que ela é sem sombra de dúvida é a alma do filme. Ronan consegue muito bem caminhar numa linha fina da qual se divide entre o drama e o humor e percorrendo até o seu final de uma forma fácil, mas ao mesmo tempo surpreendente. Já Lucas Hedges, reconhecido internacionalmente pelo seu desempenho em Manchester no ano passado acaba se tornando uma verdadeira decepção e o mesmo ocorre com Timothee Chalamet (indicado ao Oscar pelo Me Chame pelo Seu Nome) que parece que está num piloto automático quando surge em cena.
Porém o elenco secundário só se salva com a presença da atriz de televisão Laurie Metcalf, que aqui interpreta a mãe dominadora da protagonista. Metchalf consegue passar uma confusão interna de sua personagem, principalmente por não conseguir acompanhar o lado imprevisível de sua filha, mas fincando o pé no que ela acredita e no que acha que seria melhor para ela. As cenas das duas juntas sempre rendem momentos inesquecíveis, principalmente nos minutos iniciais do filme e que nos faz então pular da cadeira.
Entre altos e baixos Lady Bird – A Hora de Voar com certeza irá no decorrer do tempo ganhar admiradores do público jovem, principalmente por aqueles que buscam em uma obra um espelho que reflita os seus obstáculos que se encontram na entrada da fase adulta da vida. 

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