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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: O FUTEBOL



Sinopse: Acompanha o reencontro do próprio diretor com seu pai, Simão, que ele não via há mais de 20 anos. O filme se passa em junho de 2014, quando o diretor deixa a Espanha para acompanhar a Copa do Mundo em sua cidade natal, São Paulo.


Embora tenhamos títulos famosos como Eleno e Linha de Passe, é interessante observar que mesmo no Brasil, com a sua tradição fiel em amar o futebol, não se tenha inúmeros títulos cinematográficos que explorem a união dos dois mundos completamente diferentes um do outro. Não que não houvesse tentativas, mas talvez o que falta é saber qual a melhor maneira de agradar, tanto aqueles que vivem assistindo os dribles dentro do gramado, como também aqueles que desejam ver e ouvir uma boa trama na tela. Dito isso, é interessante essa proposta vinda do filme O Futebol, onde se usa os dias da Copa do Mundo de 2014 do Brasil para se criar a trama, mas servindo apenas como desculpa para a reconstrução de uma relação entre pai e filho.
Para começar, esse é o primeiro longa de ficção de Sergio Oksman, mas ao mesmo tempo ele pode ser interpretado como um documentário, pois ele decide filmar o reencontro dele com o seu pai Simão que a muito tempo não o via. A partir desse encontro eles decidem acompanhar do começo ao fim os jogos da Copa do Mundo que acontecem em nosso país. Ao mesmo tempo se cria gradualmente uma relação paternal há muito tempo adormecida.
Assim como filmes como a produção gaúcha Castanha, Sergio Oksman usa essa fórmula ficção/documentário e o cineasta introduz a sua forma própria de filmar dentro do gênero, como os planos sequências dentro do carro como exemplo. Não fica muito claro o do por que dos dois protagonistas terem se desentendido, mas isso acaba se tornando o de menos, já que o que nos atrai na trama é forma como eles vão se entendendo. A conversa entre ambos tudo gira em torno do futebol e através desse esporte que, vão não só se interagindo, como também criam uma retrospectiva de suas próprias vidas. 
Em uma das cenas em que os dois estão assistindo um dos jogos pela tv (nunca fica claro os locais em que eles assistem), por exemplo, Simão se assusta com os vários anos que já se passaram após ele ter assistido um determinado jogo. No princípio ambos ficam questionando quanto tempo já se passou, calculando que já se foram vinte ou trinta anos. No final da conversa, Simão se dá conta que já se passaram cinco década e se horrorizando pelo fato do tempo ser implacável e de não nos darmos conta de como o tempo passa rápido.
O assunto vai e assunto vem, mas o futebol está ali sempre de pano de fundo, como se fosse uma terceira pessoa, para impedir que eles jamais discutam certas feridas, mas sim apenas joguem conversa fora para se criar algo novo. Com relação aos jogos, o cineasta  quase nunca mostra as imagens do evento, mas sim explorando, não somente a reação dos protagonistas, como também das demais pessoas em volta. Seja de um grupo de pessoas sentados em um bar, ou quando enfermeiros param para assistir a tv, se percebe como esse esporte influencia os sentimentos das pessoas, gerando tanta felicidade como também tristeza.
Claro que nessa altura do campeonato todo mundo já sabe como a nossa seleção terminou a sua participação na última Copa. Mas devido a isso, Sergio Oksman cria uma situação inusitada na trama, da qual sintetiza o sentimento que muitos brasileiros sentiram naquele fatídico dia. Embora mórbido, é um encerramento corajoso, do qual nos põem a prova sobre os sentimentos que nós estávamos sentindo por aqueles personagens e suas conversas descontraídas.
O protagonista segue em frente, da mesma forma que a maioria dos brasileiros seguiu após o encerramento da copa. Não há flores ou felicidades para esse encerramento, mas também nos diz para seguirmos em frente e guardar as boas lembranças que, embora poucas, valeram por uma vida inteira.  


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Um comentário:

Marcelo Castro Moraes disse...

Atenção quem quiser falar comigo se identifique e não como anônimo