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terça-feira, 5 de abril de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: O Cavalo de Turim



Sinopse: Em Turim, em 3 de janeiro de 1889, o filósofo Friedrich Nietzsche sai do imóvel da Via Carlo Albert, número 6. Não muito longe dali, o condutor de uma carruagem de aluguel está tendo problemas com um cavalo teimoso. O cavalo se recusa a sair do lugar, o que faz com que o condutor, apressado, perca a paciência e comece a chicoteá-lo. Nietzsche aparece no meio da multidão e põe fim à cena brutal, abraçando o pescoço do animal, em prantos. De volta à sua casa, Nietzsche então permanece imóvel e em silêncio durante dois dias estendido em um sofá, até que pronuncia as definitivas palavras finais (“Mãe, eu sou um idiota”) e vive por mais dez anos, mudo e demente, sendo cuidado por sua mãe e suas irmãs. Não se sabe que fim levou o cavalo.

Será mesmo O Cavalo de Turim o filme derradeiro do húngaro Béla Tarr? Oxalá que não, já que o cinema precisa dele. Mas se assim for terá sido este o seu melhor testamento ao Cinema. Um filme que é um grandioso épico, que nos dá conta da vã e inglória luta pela sobrevivência que um pai, uma filha e um cavalo de carga, teimam em levar por diante, contra a ira de Deus pelo que os homens de mal fizeram. 
Um filme belo como poucos feitos do silêncio, dos quais vale ouro, das personagens e do imenso barulho do vento e do pó que tudo sufoca. Feito também de um ritornello musical, onipresente, mas também feito e sempre daquela extraordinária fotografia em preto e branco, que praticamente só os maiores do Mudo nos souberam dar. Um filme que remete imediatamente para o universo de Dovjenko e para nossa Terra.
Os grandes-planos, as mesmas cenas fotografadas de ângulos diferentes. Os pormenores no detalhe, de um olhar (o pai que interroga a filha com o olhar), de uma encenação (o pai deitado, morto?). A mesma batata comida de forma diferente. O poço que seca sem explicação, as lamparinas que não deitam luz apesar de cheias. Por fim a escuridão, sem hipótese de recurso.
Nada que o cavalo não tivesse pressentido antes (a recusa em trabalhar, em comer, o semicerrar dos olhos), nada que o vizinho não tivesse avisado ao pai e a filha, e nada a que os ciganos não fugissem (pérolas, a referência “não queres vir conosco para a América?”, seguida da oferta da Bíblia à filha). O melhor plano? O rosto da filha à janela, entre cá e lá, de que Lang teria gostado.
Melhor sequência? A inicial, em que cavalo e camponês, regressando a casa, em esforço, são acompanhados pela câmara ondulando, ao sabor do vento, também ela em esforço, abrindo e fechando o diafragma, nunca parando, conseguindo durante largos minutos a proeza de nunca nos cansar, filmando que estão as mesmos personagens, sempre, mas sempre de forma diferente, ora aproximando-se, ora afastando-se, subindo e descendo, avançando, recuando. É uma sequência sublime, de um filme tão sublime quanto pessimista, crú e conformista. É o Zaratustra de Nietzche, só que em vez de 10 anos, em 6 dias. E Deus descansou ao sétimo dia… ou terá ele morrido?




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