Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
Me acompanhem no meu:
Twitter: @cinemaanosluz
Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com
Sinopse: O esquilo
Scrat encontra uma noz e ao escondê-la descobre uma nave que acaba o levando
para o espaço. Atrapalhado, ele desencadea eventos cósmicos que ameaçam a Era
do Gelo e também Sid, Manny, Diego e companhia, que estão na Terra.
Estive em Lisboa e
Lembrei de Você
Sinopse: Cataguases,
Minas Gerais, 2005. Sérgio (Paulo Azevedo) toma a decisão de emigrar para
Lisboa, Portugal após o fim do casamento e dificuldades financeiras. Ele espera
que na nova cidade ele consiga um bom trabalho, mas bate de frente com a dura
realidade da migração.
Florence: Quem é Essa
Mulher?
Sinopse: Florence
Foster Jenkins (Meryl Streep) é uma herdeira milionária que tem uma vida
fabulosa na companhia do marido, St Clair Bayfield (Hugh Grant). Mas ela sente
que falta algo na sua vida. Ela sonha em ser cantora de ópera, mas o problema é
que ela não tem o mínimo de talento para isso.
Janis: Little Girl
Blue
Sinopse: Documentário
relembra a história da rainha do rock, Janis Joplin. Ela começa a carreira em
bares de música folk e ganha projeção, liderando a banda Big Brother and the
Holding Company. Seu cabelão e a voz rouca a levou para grandes festivais ao
redor do mundo, cantando hits, como “Me and Bobby McGee” e “Piece of My Heart”,
até que morre em 1970, aos 27 anos, por overdose de heroína.
Julieta
Sinopse: No ano de
1985, Julieta (Adriana Ugarte na fase jovem) tinha muitos sonhos e planos para
a sua vida. Trinta anos se passam e Julieta (Emma Suárez) não tem contato com a
filha, na verdade mal a conhece, seus sonhos não foram realizados e ela está à
beira da loucura.
Ralé
Sinopse: No passado,
Barão (Ney Matogrosso) foi viciado em heroína e nos dias de hoje ele busca uma
vida alternativa, fundando uma seita ligada aos rituais com o chá alucinógeno
ayahuasca. Além disso, ele se sente pronto para se casar com um bailarino.
São Sebastião do Rio
de Janeiro
– A Formação de uma Cidade
Sinopse: Documentário
celebra os 450 anos do Rio de Janeiro contando a história da arquitetura da
cidade. Diversos nomes da área analisam a estética das construções desde os
primeiros anos até os dias de hoje, mostrando porque o Rio de Janeiro é
conhecido como Cidade Maravilhosa.
Nos dias 09 e 10 de Julho eu estarei participando do FILME-ENSAIO: A experiência do cinema, criado pelo Cine Um e ministrado pelo documentarista, pesquisador, curador e docente Rafael Valles. Enquanto os dias da atividade não chegam, por aqui eu irei fazer uma analise dos principais filmes que serão debatidos durante o curso.
O Homem da Câmera
(1929)
Sinopse: Um
documentário que mostra um dia normal, bastante típico. Um cinegrafista
(Michail Kaufman) filma um dia despretensioso na vida da cidade moderna:
Primeiro as ruas vazias ao amanhecer que vão gradualmente se enchendo, depois
os habitantes de Moscou, ou de outra cidade soviética no trabalho ou no lazer.
São as pessoas comuns mostrando a verdade da vida cotidiana.
As cenas
cinematográficas e as realidades filmadas seguem cursos paralelos. A nova
linguagem cinematográfica obriga o autor a intercalar os episódios filmados com
imagens do processo de filmagem, que também faz parte do cotidiano apanhado em
flagrante. Por isso, Dziga Vertov insiste em colocar em uma mesma cena um
operário polindo uma peça de metal e o operador configurando sua câmera.
Mostrando suas
técnicas, o cinema faz uma autoanálise. Editando o filme, Vertov compara o
processo de filmagem com o funcionamento de uma fábrica ou com o cuidado que se
tem pelas unhas. A mistura de alusões cria, no fim de contas, um quadro
objetivo: o cinema não é só uma arte, mas também um simples trabalho cotidiano.
Curiosamente, foi um filme que foi rodado durante três anos, para retratar uma
trama que se passa durante vinte quatro horas. Uma obra a frente do seu tempo.
Di Cavalcanti Di
Glauber (1977)
Sinopse: "Di
Cavalcanti Di Glauber", ou "Ninguém Assistiu ao Formidável Enterro de
Sua Última Quimera; Somente a Ingratidão, Essa Pantera, Foi Sua Companheira
Inseparável", é uma curta polêmica, quando o pintor brasileiro Emiliano Di
Cavalcanti morreu, Glauber Rocha foi ao funeral com uma câmera na mão e uma
idéia (discutível) na cabeça. Glauber filmou o enterro, o corpo no caixão,
enquanto a família de Di, aos berros, pedia para ele ir embora.
Um dos mais longos
casos de censura a uma obra de arte no Brasil teve início no dia 26 de outubro
de 1976. Ao saber da morte do pintorDi Cavalcanti, o cineasta Glauber Rocha
correu para o funeral, com a câmera na mão e a ideia na cabeça de homenagear o
amigo de longa data. O registro virou o curta Di-Glauber que, até hoje,
poucos brasileiros puderam assistir. O filme estreou juntamente com “Cabeças
cortadas”, em 11 de março de 1977, na Cinemateca do MAM, e logo após a primeira
sessão, a filha adotiva do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti, iniciou sua batalha
para proibi-lo. Em 1979, a 7ª Vara Cível concedeu liminar a um mandado de
segurança impetrado por Elizabeth, vetando a exibição do filme. A decisão vale
até hoje, porém,2004, um sobrinho do
cineasta disponibilizou o filme na internet.
O filme ganhou o
Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes, em 1977, antes que a Justiça
proibisse a exibição em território nacional. Clique aqui para assistir o curta.
Guernica (1950)
Sinopse: O bombardeio
da cidade de Guernica pela aviação nazista, em favor de Franco, é evocado
através do afresco de Picasso e de outras de suas obras.
Guernica é parte de uma
colaboração entre Alain Resnais e Robert Hessens. O documentário de treze
minutos serve sobretudo para ilustrar o poema de Paul Eluard que é recitado por
Maria Casares. Em momento algum se trata da análise do quadro de Picasso. Os
realizadores recorrem a várias obras do pintor, mas também a títulos de jornal,
onde se destacam palavras, como destruição, barbárie e fascismo. Aliás as
imagens do quadro surgem apenas a partir de meio do documentário e sempre de
forma parcial e detalhada, concentrando-se em alguns pormenores em detrimento
de uma visão de conjunto.
Carta da Sibéria
(1957)
Sinopse: No caso de
Carta da Sibéria, Marker a princípio parece querer nos falar sobre esta vasta
região russa. Mas, aos poucos, vemos que suas intenções são mais téoricas e
reflexivas do que propriamente documentais.
Pelo pouco que é visto na obra, o
cineasta quis mais era passar sobre o poderio russo, mas ao mesmo tempo sobre a
força braçal do homem em sobreviver perante a qualquer obstáculo e continuar
sobrevivendo.
O fogo que não se
apaga (1969)
Sinopse: O filme
encena as relações íntimas entre o napalm, a guerra como espetáculo
televisionado e a acumulação de capital.
Dirigido por Harun
Farocki, o filme explora em poucos minutos o horror que o napalm causou
durante a guerra do Vietnam, mas ao mesmo tempo é uma crítica aos meios
televisivos que tratavam o assunto como espetáculo. O filme pode ser visto como
uma experiência em laboratório, do qual iria crescer e servir de base para
outros filmes que viriam a surgir na década de 70 como O Franco Atirador que toca sobre o mesmo tema.
A atriz Cris Lopes gravou entrevista em dois
idiomas tanto para os fãs brasileiros como em inglês para público
internacional, falando de suas temporadas nos últimos anos em estúdios de
cinema na Europa (Inglaterra, França e Itália) e os 08 filmes que atuou desde
seu retorno ao Brasil em 2015.
Entre eles, Cris Lopes fala do filme Miguel
sobre Violência contra a Mulher exibido na Mostra de Direitos Humanos em
Caruaru/PE e seleção oficial do Cinefest Votorantim este ano e o filme que
aborda o tema do racismo, Pele Suja Minha Carne do diretor Bruno Ribeiro,
rodado recentemente.
Cris acaba de atuar em um longa metragem
brasileiro esta semana e já está confirmada para atuar em mais 04 filmes
previstos ainda para 2016.
Sinopse:O músico João
(Alexandre Cioletti) é expulso de casa pela esposa, que está grávida. Ele então
se isola num casebre no interior do Espírito Santo para refletir questões
internas para então voltar ao lar para ser um bom pai para o filho.
Teobaldo Morto, Romeu
Exilado, é um exemplo do cinema brasileiro que une magia e realismo poucas
vezes visto em nosso cinema, pois traz um pouco de arte, mas alinhado com temas
políticos contemporâneos. Com um teor adulto, o filme adiciona elementos de
fantasia surrealista, do qual se casa com a proposta principal da obra. A trama
se centra nos personagens amigos João (Alexandre Cioletti) e Max (Rômulo Braga)
e adicionando temas pertinentes, mas que, por vezes, perturba a mente de uma
pessoa comum.
Os diálogos cara a
cara entre os protagonistas João e Max destrincham sentimentos e um teor dramático
bastante familiar para as pessoas que assistem, mesmo quando o roteirista
insere elementos que, por vezes, lembra um sonho ou então um pesadelo. Entre
amor e amizades entre pais e filhos, há uma mitologia inserida entre eles, mais
precisamente algo que soe familiar com que a gente ouve dos nossos avôs do interior,
mas visto tanto no visual, que o longa oferece então uma experiência que vai
contra as nossas perspectivas. O filme acaba mesclando inúmeros elementos, que
vai do drama, suspense e uma realidade um pouco abstrata.
No decorrer do
trajeto, o cineasta Rodrigo de Oliveira (As Horas Vulgares) filma bastante planos sequências que formam esse cenário, alinhado com uma ótima fotografia, com uma
luz poucas vezes vistas no cinema brasileiro e focando os campos verdes de uma
forma muito bela. O cineasta nos coloca como uma espécie de observador de uma
trama, cujo silêncio se torna muito recorrente ao longo da projeção e fazendo
dela um artifício para causar apreensão para aqueles que assistem.
O longa é recheado
também de momentos discursivo, onde os personagens largam as amarras de um
lugar comum e abraçam para um diálogo cheio de filosofia, do qual obriga o
cinéfilo a pensar sobre o que eles falam. Do princípio ao fim, os personagens
são dramáticos, para não dizer trágicos, dando a impressão que saíram de uma
peça shakespeariana: a sequência em que mostra ambos se digladiando verbalmente
e fisicamente sintetiza bem isso.
Embora a trama seja compreensiva
em alguns momentos, sua forma incomum de ser apresentada a nós, por vezes, pode
confundir a pessoa desavisada, já que a história vem e volta ao presente e
passado sem avisar. Em Teobaldo morto, Romeu exilado fala-se de paternidade, da
falta familiar e fraterna, exílio da ditadura militar, certa paranoia do
imigrante, aquele que não se reconhece mais na terra da qual se criou. No ato
final da trama, do nada, surge um centauro e um arqueiro, ambos da mitologia
grega, mas em plena terra do Espírito Santo.
A partir disso tudo é
possível, com o direito da relação de João e Max adentrar num novo patamar que
nem mesmo talvez pudessem ter calculado. Teobaldo Morto, Romeu Exilado é um
filme que levanta mais perguntas do que respostas e criando uma experiência extrassensorial
do qual nem todos estão preparados a encará-la.