Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Nos dias 05 e 06 de Maio, estarei
participando do curso“MARTIN
SCORSESE – CINEMA, FÉ & VIOLÊNCIA”,que será realizado noMuseu da Comunicação, criado
peloCENA UMe ministrado pelo critico de cinema,Rodrigo Fonseca. E enquanto a
atividade não acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse
diretor, que deu sangue novo ao cinema americano nos anos 70 e ainda hoje.
O REI DA COMÉDIA
Sinopse: Conta a história de Rupert Pupkin, aspirante a
comediante obcecado por se tornar um rei da comédia. Ele encontra seu ídolo e
pede para fazer uma participação no talk show dele, porém é sempre enrolado.
Pupkin não desiste e começa a mostrar o lado mais doentio de sua obsessão na
busca de conseguir o que almeja.
Roteiro e montagem são muito bem construídos, onde o
cineasta consegue fazer a trama balançar, tanto para a comédia como para o
drama, que embora sejam gêneros diferentes, não soe nada forçado ou muito menos
exagerado. O grande momento do filme vem dos momentos de delírio e grandeza de Rupert, alternando entre seu diálogo
improvisado no quarto/porão de sua casa, e a conversa com Jerry num restaurante
luxuoso; e o programa de auditório imaginário com fotos em tamanho real de Lisa
Minelli e Jerry Langford.
Os desempenhos são ótimos,
devido a ótima ideia de Scorsese em
alongar alguns momentos, em que o filme aumenta no suspense de uma forma
gradual, através de seu tom cada vez mais desconcertante, em que as investidas
de Rupert se tornam mais fortes, tornando o desenrolar da trama inesperado. Uma
crítica sombria ao culto dos famosos, que embora não tenha dado muitos louros
para o diretor na época, rapidamente o filme se tornou cultuado ao longo do
tempo.
Curiosidade:
Martin Scorsese declarou em entrevista que ele e Robert De Niro não trabalharam
juntos por sete anos devido à intensa carga emocional queO Rei da Comédiatrouxe
para ambos;
Robert
De Niro usou provocações anti-semitas para irritar Jerry Lewis, durante a
realização da cena em que seu personagem destrói a casa de campo. Lewis ficou
chocado com as ofensas, mas manteve a atuação.
Sinopse: No verão de 1956 o
jovem Colin Clark (Eddie Redmayne) vindo de Oxford em busca de sucesso na
indústria do cinema trabalhou como assistente no set de filmagem de O Príncipe
Encantado. Esta produção reunia duas grandes estrelas Sir Laurece Olivier
(Kenneth Branagh) e Marilyn Monroe(Michelle Williams) que estava nesta época em
lua-de-mel com seu novo marido o dramaturgo Arthur Miller (Dougray
Scott).brQuase 40 anos mais tarde foi publicado o diário de Miller intitulado
The Prince The Showgirl and Me ( O Príncipe a Vedete e Eu ) mas uma semana
faltava e estas páginas desaparecidas foram publicadas mais tarde com o título
My Week With Marilyn ( Minha Semana com Marilyn ). Quando Arthur Miller deixa a
Inglaterra Colin decide mostrar a Marilyn os prazeres da vida britânica esta
torna-se uma semana idílica em que ele acompanhou uma estrela ansiosa para
fugir dos holofotes de Hollywood e da pressão do trabalho.
Não
deve ser fácil, para nenhum interprete interpretar outro interprete, principalmente
quando esse ultimo, se tornou algo mais ao longo da historia do cinema. No caso
de Marilyn Monroe, ela se transformou num dos grandes símbolos da era de ouro
do cinema, mas nem por isso, intimidou Michelle Williams, que aceitou o desafio
de interpretá-la, numa pequena passagem verídica de sua vida. Baseado no diário
de Colin Clark, acompanhamos o mesmo (interpretado por Eddie Redmayne), no dia
a dia das filmagens do clássico Príncipe Encantando, que na época foi dirigido e atuado
pelo Sr Laurence Olivier (brilhantemente interpretado por Kenneth Branagh), que
acaba em maus lençóis, quando não consegue tirar um melhor desempenho da atriz durante as gravações das cenas.
Dirigido
por Simon Curtis (Sra. Dalloway), o filme é fiel nas passagens escritas por
Colin Clark, embora não vemos uma autentica Marilyn Monroe, e sim uma interpretação
original de Michele Williams, que não quis a todo o momento imitar a atriz de
uma forma exata, mas sim, criou uma interpretação na qual ela imaginava o que Marilyn
poderia ter sido em vida. Com isso, vemos uma Marilyn que se apresenta de uma
maneira que agente sempre conheceu, mas que aos poucos vai se descascando,
demonstrando ser uma pessoa frágil psicologicamente, que embora tenha tudo, não
conseguiu exatamente realizar os seus sonhos em vida. Williams transmite a todo
o momento, uma Marilyn que deseja se desvencilhar do mundo que a rodeia, mas que se
da conta que já é tarde demais em largar aquilo tudo, tendo apenas que se
conformar com os poucos momentos de felicidade que tem. Desses momentos de
felicidade, um deles se torna Colin, que vira uma espécie de guia para nos durante
á historia, para assim então, conhecermos melhor esse ícone da sétima arte. O grande charme também
da produção, fica pela ótima reconstituição de certas passagens da época, que
soube muito bem passar o que foi realmente a problemática produção de O Príncipe
Encantando, e nestes momentos, Kenneth Branagh está extraordinário, ao representar um dos maiores
atores de todos os tempos que foi Olivier. Os momentos em que ele explode no set, por não conseguir tirar um
melhor desempenho de interpretação de
Marilyn, são momentos que beira tanto para tensão como para um humor refinado,
que somente Branagh consegue passar.
Com destaque a uma pequena, mas importante participação da veterana Judi
Dench, Sete Dias com Marilyn, não é um filme sobre astros, mas de pessoas
comuns presas ao seu trabalho, para torná-las imortais nas telas, mesmo que com
isso, tenham um alto preço a se pagar em suas vidas pessoais.
Nos dias 05 e 06 de Maio,
estarei participando do curso “MARTIN SCORSESE – CINEMA, FÉ &
VIOLÊNCIA”, que será realizado no Museu da Comunicação, criado pelo CENA UM e
ministrado pelo critico de cinema, Rodrigo Fonseca. E enquanto a atividade não
acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse diretor, que
deu sangue novo ao cinema americano nos anos 70 e ainda hoje.
Cassino
Sinopse: Através de
três personagens básicos: um diretor de cassino (Robert De Niro) com um passado
comprometedor; uma prostituta de alta classe (Sharon Stone), que dominava a
todos, menos o seu cafetão; e um gângster (Joe Pesci), que tomava conta do
diretor do cassino e passa gradativamente, a seguir os passos dela, criado um
painel de Las Vegas dos anos 70, quando a Máfia controlava o jogo, até o
gradual surgimento das grandes corporações, que ficaram no lugar das quadrilhas
e transformaram a cidade em uma Disneylandia.
Ambicioso painel
sobre a marginalidade, a violência e o consumo de drogas. A semelhança de Os
Bons Companheiros, também baseado em um livro de Nicholas Pileggi. O
perfeccionismo de Scorsese tanto ajuda o filme a apresentar personagens bem
definidos, como também em seqüências em que exige o melhor de cada um deles. A
narração off, que se por um lado atrapalha em alguns momentos, também faz com
que o filme se torne mais ágil e apresente melhor a maioria dos personagens, em
especial, a de Sharon Stone, no melhor (e único) momento de sua carreira. Ojazzista Oscar Goodman e o cantor e ator Frankie Avalon aparecem como eles
mesmos.
Embora o filme tenha
dividido a opinião do publico e da critica na época de seu lançamento, o filme
foi melhorando conforme o tempo e hoje é um dos mais importantes da carreira do
diretor.
Curiosidade: Para
conseguir uma censura mais branda por parte do órgão emissor das categorias de
filmes dos Estados Unidos, o diretor Martin Scorsese retirou algumas cenas
consideradas mais violentas, como a em que o personagem de Joe Pesci bate com a
cabeça de um homem num vaso até que um de seus olhos saltasse da cabeça.
Cabo do Medo
Sinopse: Max Cady
(Robert De Niro), um psicopata que foi preso e condenado por estupro 14 anos
atrás, cumpriu sua pena e agora está livre. Ele pretende se vingar de Sam
Bowden (Nick Nolte), seu ex-advogado, que deliberadamente omitiu informações
que alterariam a decisão do júri. Ele pretende agora aterrorizar ao extremo
Sam, Leigh Bowden (Jessica Lange), sua mulher, e Danielle (Juliette Lewis), sua
filha adolescente, mas pretende fazer isto da forma mais legal possível, pois
enquanto cumpria pena estudou todos os aspectos legais possíveis.
Refilmagem de Circulo
do Medo (1962), J. Lee Thompson, com a presença de três atores da versão
original (Mitchum, Peck e Balsam) em papeis secundários. Scorsese pincela os personagens
com cores bem mais fortes e transforma o embate silencioso e tenso da primeira
versão, em uma perturbadora orgia de violência e terror psicológico. Apesar do
final convencional, é bem conduzido e bem interpretado por todo o elenco, em
especial, a Robert De Niro, criando um dos seus desempenhos mais assustadores
de sua carreira, e de Nick Nolte, que passa todo o desespero e a impotência que
o seu personagem sente perante a situação. Destaque para um dos primeiros
papeis de Juliette Lewis.
Curiosidade: O ator
Robert De Niro pagou US$ 5 mil a um dentista antes do início das filmagens de
Cabo do Medo, para que ele deixasse seus dentes com um aspecto realmente ruim,
que na sua opinião era o ideal para o personagem Max Cady. Após o término das
filmagens, De Niro pagou mais US$ 20 mil para que o dentista deixasse seus
dentes como estavam antes.
Alice não mora mais aqui
Sinopse: Alice Hyatt
(Ellen Burstun) fica viúva após perder o marido, um motorista de caminhão, em
um acidente. Como tem um filho, Tommy (Alfred Lutter III), para criar luta pela
sobrevivência. Inicialmente trabalha como cantora mas, em virtude de um
tumultuado envolvimento com Ben Everhart (Harvey Keitel), um homem casado e
agressivo, foge da cidade, indo trabalhar como garçonete em outra localidade.
Lá ela conhece Flo (Diane Ladd), uma colega de trabalho que não prima pela
educação mas é a amiga que Alice precisava. Lá também se envolve com David
(Kris Kristofferson), um fazendeiro divorciado.
Embora seja um filme
menor da carreira do diretor, Alice não mora mais aqui é lembrado por ter dado
o Oscar de melhor atriz para Ellen Burstun (O Exorcista) e por ser um dos raríssimos
filmes da carreira do diretor, em que uma personagem feminina seja a
protagonista principal. Burstun conquista o espectador de imediato, ao retratar
uma mulher em busca dos seus sonhos, ao lado de seu filho Tommy (Alfred Lutter,
carismático), mas no decorrer desse percurso, irá ter que passar por certos obstáculos, como no caso de certos elementos comuns já vistos no resto da filmografia do diretor, como um harvey Keitel inconseqüente e violento. Embora com um final totalmente previsível, vale a pena redescobrir esse que é um dos primeiros filmes do cineasta.
Curiosidade: Após umas produções da Disney, Jodie Foster aparece na trama como uma amiga do personagem Tommy.
A época da Inocência
Sinopse: Nova York,
1870. Um advogado (Daniel Day-Lewis) está de casamento marcado com uma jovem
(Winona Ryder) da aristocracia local, quando uma condessa (Michelle Pfeiffer),
prima de sua noiva, volta da Europa após separar-se do marido. As idéias dela
chocam a tradicional sociedade americana e, ao tentar defendê-la, o advogado se
apaixona por ela e correspondido.
Fiel adaptação do
romance homônimo de Edith Wharton. É o primeiro drama histórico-romântico de
Scorsese. Produção requintada, fotografia impecável e elenco que responde a
altura, a uma historia de preconceitos, paixões caladas e frustrações. O filme
tem um ritmo lento e suas emoções demoram a explodir, o que apenas incrementa o
retrato elaborado. Levou o Oscar de melhor figurino (de Gabriella Pescussi).
Narração off de Joanne Wood.
Curiosidade: A
previsão inicial era que "A Época da Inocência" estreasse nos cinemas
americanos no outono de 1992, mas o filme apenas estreou realmente quase um ano
depois, para que o diretor Martin Scorsese tivesse mais tempo para editar o
filme do jeito que queria.
Como é feriado hoje, decidi rever alguns clássicos de Martin
Scorsese, para me preparar para o próximo curso desse final de semana, mas não
poderia deixar de postar esse trailer que está fazendo um grande barulho pela
internet. “Vingadores” está fazendo um grande sucesso e merecido, pois é um
filme que respeita, não só o universo dos personagens, como também os fãs que
forem assistir, mas vendo esse trailer, da próxima aventura do homem morcego,
me fico me perguntando o que podemos esperar? Os segundos iniciais são de
tamanha tristeza, devido a sua bela trilha sonora, que não resta menor duvida:
Nolan fará um filme épico e que fechara com chave de ouro a sua visão pessoal
sobre o personagem. O herói morrerá para um bem maior? O vilão novamente roubara
a cena? Será possível fazer algo superior a Cavaleiro das Trevas?
Nos dias 05 e 06 de Maio, estarei
participando do curso “MARTIN SCORSESE – CINEMA, FÉ
& VIOLÊNCIA”, que será
realizado no Museu da Comunicação, criado pelo CENA UM e ministrado pelo critico de cinema, Rodrigo
Fonseca. E enquanto a atividade
não acontece, por aqui, estarei postando tudo o que eu sei sobre esse diretor,
que deu sangue novo ao cinema americano nos anos 70 e ainda hoje.
DEPOIS
DAS HORAS
Sinopse: É a história
de uma noite na vida de Paul Hackett (Griffin Dunne), um operador de computador
que trabalha no centro de Manhattan e odeia seu trabalho, como também não
suporta sua solitária vida particular. Na noite em questão, cansado de ficar
sozinho em casa, foi ler em um restaurante. Lá uma bela e encantadora jovem,
que estava em outra mesa, puxa conversa dizendo que adora o livro que ele está
lendo. Logo está na mesa dele e os dois conversam animadamente, parecendo
compartilhar de alguns interesses comuns. Ela lhe diz que está indo para a casa
de uma amiga, que é escultora e mora no Soho. Ela diz que sua amiga faz um tipo
de trabalho que ela vende como peso para papel e pergunta se Paul quer comprar.
Ele não tem o menor interesse, mas a mulher que está à sua frente lhe desperta
muitas coisas, e assim diz que quer comprar. Como ela não sabe o preço dá o
telefone de Kiki Bridges (Linda Fiorentino), a escultora, e vai embora. Já em
casa, Paul liga para Kiki, usando como pretexto seu interesse por pesos para
papel. Logo Kiki lhe diz que a jovem com quem falou chama-se Marcy, que vai ao
telefone e sugere que ele a encontre no apartamento do Soho. Ele concorda
prontamente, mas o que poderia ser uma noite agradável torna-se o início de uma
noite conturbada. Os problemas já começam no caminho, quando Paul deixa voar
pela janela do táxi sua única nota de vinte dólares. As ruas de Soho estão
escuras e abandonadas, como um mau presságio. Marcy está passando alguns dias
no apartamento de Kiki, que faz esculturas estranhas, tem gostos sexuais
"excêntricos" e conversa estranhamente, ocultado ter sido queimada.
No quarto de Marcy, Paul tem a conversa sucinta de um primeiro encontro e ela
diz que seguramente eles terão grandes momentos. Entretanto tudo começa a dar e
uma sucessão de eventos infernam a vida de Paul. Esta maré de má sorte vai em
um crescendo, ao ponto de ser perseguido por uma turma que crê que Paul seja um
bandido.
Embora quase nunca citado entre os maiores filmes do
diretor, Depois das Horas pode facilmente ser considerado como um dos seus
filmes mais divertidos, graças ao seu humor negro e situações imprevisíveis em
que o protagonista se envolve. É uma verdadeira espécie de fabula urbana, um “Alice
no País das Maravilhas” ás avessas, onde tudo quanto pode acontecer de ruim a alguém
acontece, como num verdadeiro sonho ruim, onde simplesmente não consegue
acordar. A trama é tão deliciosa, que simplesmente pouco nos importamos se o personagem encontre uma solução para livrar das situações
que ele se envolve, sendo que queremos que aquilo tudo continue e que ele não
consiga uma solução para voltar para casa, pois assim, a trama terminaria.
Com uma historia tão bem redondinha, Scorsese levou o prêmio
de melhor direção no Festival de Cannes.