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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – "Zico: O Samurai de Quintino"

Sinopse: Documentário que desvenda os primórdios da era de ouro de um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro.


Vivemos tempos em que o futebol brasileiro virou moeda de troca. Um jogador se destaca brevemente e logo é vendido para o exterior, pelo valor mais alto. O resultado é a escassez de atletas com amor à camisa; em campo, vemos "bonecos articulados" facilmente substituíveis, fazendo do esporte um grande negócio, e não mais uma paixão. A era de ouro parece ter ficado para trás, e as gerações mais novas talvez não compreendam esse sentimento, a menos que se dediquem a ler um bom livro de história esportiva ou a assistir a produções como esta.

Para quem se dispõe a ver documentários, surge ao menos uma noção de como eram esses tempos dourados. É inegável que Pelé permanece no topo, mas figuras como Zico garantiram seu lugar na história por meio de ações que definiram seu caráter. "Zico: O Samurai de Quintino" (2026) revela não apenas o craque, mas o homem que se tornou peça primordial para o esporte.

Sob a direção de João Wainer, acompanhamos a trajetória do maior ídolo da história do Flamengo, desde a infância no subúrbio carioca até sua ascensão como lenda global. O filme resgata a história de Arthur Antunes Coimbra com um acervo precioso: objetos históricos, vídeos em Super-8, imagens raras e entrevistas inéditas que fazem jus ao seu legado.

Lembro-me de, quando pequeno, assistir a uma notícia sobre um garoto acidentado que era fã do Galinho. Zico fez questão de ir ao hospital presenteá-lo com a mística camisa dez, transmitindo uma sensação de total humildade. Talvez essa mesma postura tenha sido o combustível para sua jornada no Japão, onde se tornou o símbolo máximo do futebol no "País do Sol Nascente". Em um cenário onde o beisebol reinava absoluto, Zico fez a diferença, cultivando no povo japonês uma paixão genuína pelo futebol.

O documentário destrincha com equilíbrio a vida pessoal e a profissional: os primeiros passos no Flamengo, a consagração na Seleção Brasileira, o casamento e a construção da família. Há momentos de puro deleite, como ver o Rei Pelé ao lado de Zico em registros de tempos longínquos. Wainer capricha ao trazer arquivos de jogos históricos, cujas imagens, saturadas pelo calor do Super-8, sintetizam uma estética nostálgica e vibrante.

Ao assistir ao longa, constato que vivemos um presente que pouco olha para o passado e raramente extrai dele o seu melhor. Zico representa um tipo de atleta em extinção, que se entregava à profissão por amor, e não pelas cifras futuras. No passado, havia jogadores de quilate; hoje, infelizmente, sobram aqueles que jogam pelo lance mais alto.

"Zico: O Samurai de Quintino" não é apenas sobre um grande jogador; é o retrato de uma época em que o futebol brasileiro era, verdadeiramente, a nossa principal paixão.

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Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS DE 30 DE ABRIL A 06 DE MAIO

 ESTREIAS:

O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França, Ficção, 2025, 212 min.

Direção:Pedro Pinho

Sinopse:Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.

Elenco: Sérgio Coragem | Sérgio ,Cleo Diára | Diára, Jonathan Guilherme | Gui ,Renato Sztutman | ele mesmo ,Jorge Biague | Borjan , Nástio Mosquito | Horatio ,Bruno Zhuody McCree Everton Dalman

MÃE E FILHO

Irã, Drama, 2025, 133min

Direção: SAEED ROUSTAEE

Sinopse: Mahnaz, uma enfermeira viúva de 40 anos, luta com seu filho rebelde, Aliyar, que foi suspenso da escola. As tensões familiares atingem o auge durante a cerimônia de noivado com seu novo namorado, Hamid, e um trágico acidente ocorre. Como consequência, Mahnaz será forçada a confrontar a traição e a perda, e a embarcar em uma busca por justiça.

Elenco: Parinaz Izadyar, Payman Maadi, Soha Niasti



HORÁRIOS SESSÕES DE 30 DE ABRIL A O6 DE MAIO (não há sessões nas segundas):

16h: MÃE E FILHO

18h30: O RISO E A FACA

Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR 


C i n e B a n c á r i o s 

Rua General Câmara, 424, Centro 

Porto Alegre - RS - CEP 90010-230 

Fone: 51- 30309405

terça-feira, 28 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema e Fantaspoa - 'Sunshine Express'

 Nota: Filme exibido para os associados no último dia 26/04/26.

Sinopse: Um grupo de pessoas embarca em uma viagem encenada rumo a um destino mítico, assumindo papéis dentro de um jogo controlado por regras rígidas.

No início do ano, muitos brasileiros acompanham o Big Brother, um reality show onde pessoas são confinadas e eliminadas conforme a votação do público. Esse formato, por sua vez, já foi explorado pelo cinema de diversas formas — o recente "O Sobrevivente" (2025), por exemplo, é uma crítica ácida a uma sociedade que busca a celebridade instantânea a qualquer custo, mesmo o da própria vida. "Sunshine Express" (2025) surge como uma síntese desse mundo atual tomado por conflitos, mas cuja população é persuadida pela promessa de sucesso financeiro.

Dirigido por Amirali Navaee, o filme narra a jornada de um grupo em uma viagem encenada rumo a um destino mítico. À medida que a experiência avança, a dinâmica lúdica revela as tensões, frustrações e desejos dos envolvidos, transformando a jornada em um reflexo crítico de suas próprias limitações.

Navaee utiliza enquadramentos fechados para construir uma noção de claustrofobia. Já no plano de abertura, os protagonistas são apresentados em uma janela, recebendo seus papéis no jogo e embarcando em uma situação inusitada onde realidade e ficção se fundem. Conforme a trama evolui, notamos que os personagens se tornam cada vez mais isolados; o cenário do trem transita entre a fantasia e o real de forma a instigar diversas teorias no espectador.

Por isso, o filme exige atenção redobrada: em vários momentos, os protagonistas atuam conforme seus personagens, mas suas realidades pessoais se misturam de tal forma que a separação dos fatos torna-se inútil. O objetivo de cada um é o grande prêmio, mote que os faz adentrar nesse programa que se revela mais misterioso do que aparenta. O ato final entrega situações densas para análise.

Em tempos de guerra no Oriente Médio, Amirali Navaee nos conduz por um local desconhecido que serve como representação de um mundo hiperconectado, porém sem privacidade. É o retrato de pessoas que se entregam a redes sociais e programas que distraem as massas de forma viciante. Tudo funciona como um "circo" enquanto o mundo real pega fogo, restando ao indivíduo aceitar um jogo que pode lhe custar a vida. Ao meu ver, a realidade não está distante dessa ficção.

"Sunshine Express" é uma metáfora sobre como nos tornamos marionetes de falsas promessas enquanto o mundo explode para satisfazer a elite.

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Cine Dica: Newsletter de 28 de abril a 6 de maio

 Após Fantaspoa, Cinemateca Capitólio retoma programação com estreias e sessões especiais

Encerrado o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, o FANTASPOA, a Cinemateca Capitólio retoma a partir de 28 de abril sua programação regular com a estreia de um clássico italiano restaurado, de um premiado documentário pernambucano e sessões especiais para todos os públicos. A seleção transita entre o horror clássico, o documentário musical e o registro de trajetórias artísticas.

A programação abre com Suspiria, de Dario Argento, exibido em cópia digital 4K restaurada a partir de seu negativo original. Lançado em 1977, o filme acompanha a bailarina Suzy Bannion ao chegar à prestigiosa Tanz Akademie, em Freiburg, onde uma série de eventos perturbadores a conduz a uma investigação sobrenatural. Primeiro capítulo da trilogia As Três Mães – seguida por A Mansão do Inferno (1980) e O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) –, Suspiria é um giallo psicodélico de visuais saturados, trilha sonora da banda Goblin e direção de arte rigorosa, consolidado como um dos títulos mais emblemáticos da história do cinema de horror.

Também em cartaz a partir de 28 de abril, Manguebit, de Jura Capela, é o mais abrangente registro audiovisual já realizado sobre o manguebeat — movimento que, nos anos 1990, conectou as periferias de Recife ao circuito musical global por meio de nomes como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A. e o festival Abril Pro Rock. Com imagens raras, arquivos históricos e depoimentos de artistas como Otto e DJ Dolores, o documentário transita entre música, cinema, artes visuais e literatura. Vencedor do prêmio de Melhor Filme no In-Edit Brasil e dos prêmios de Melhor Direção, Trilha Sonora e Montagem no Festival Aruanda, o filme chega à Capitólio com sessão de estreia gratuita no dia 28 de abril, às 19h, com a presença do diretor Jura Capela e do professor e crítico de cinema Milton do Prado para debate com o público.

Na quarta-feira, 29 de abril, às 19h, a Sessão Abraccine apresenta Jamex e o Fim do Medo, primeiro longa do cineasta baiano Ramon Coutinho. Definido como uma aventura documental de ficção científica, o filme mistura a vida real do artista visual Jamex com um dia fictício do seu personagem, que precisa cruzar as zonas radioativas de Salvadolores, cidade distópica livremente inspirada em Salvador, para entregar um quadro a um misterioso comprador. A sessão, realizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, terá entrada franca e será seguida de debate mediado pelo crítico gaúcho Rodrigo de Oliveira.

Nos fins de semana de 2 e 3 de maio, às 15h, a Sessão Vagalume exibe Toy Story 2, de John Lasseter. No filme, ao tentar salvar um brinquedo que vai parar num bazar de usados, Woody acaba sequestrado por um colecionador que planeja vendê-lo a um museu japonês. Enquanto o cowboy descobre sua própria história como personagem de um famoso seriado de TV, Buzz Lightyear e os demais brinquedos partem numa atrapalhada operação de resgate.

A programação da semana se encerra em 6 de maio com a exibição especial de Da Cor e da Tinta, documentário da cineasta sino-americana Weimin Zhang desenvolvido ao longo de 12 anos de pesquisa. O filme acompanha as jornadas criativas, políticas e espirituais de Chang Dai-chien (1899-1983), considerado o mais importante pintor chinês do século XX e o primeiro a alcançar renome internacional, durante seu exílio autoimposto de três décadas. Da China pré-comunista à Argentina, das florestas brasileiras às aclamadas exposições em Paris e Berlim, e dos encontros com Pablo Picasso e André Masson até os últimos anos na Califórnia e em Taiwan, o filme reconstrói a busca do artista por um ideal de harmonia num mundo distante de sua terra natal. A coprodução Brasil-China-Estados Unidos, que estreou na 47ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é o primeiro documentário a a retratar os anos de exílio de Chang na América do Sul, Europa e Estados Unidos. Porto Alegre possui uma relação especial com o artista: a Pinacoteca Ruben Berta possui uma obra de Chang Dai-chien em seu acervo, a tela Passeio ao Longo do Rio Apreciando as Flores de Ameixeiras, adquirida em 1966 pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand e posteriormente doada ao museu gaúcho. Esta sessão, que acontece às 19h, contará com debate mediado pelo co-produtor do filme, Guilherme Gorgulho, e terá entrada franca.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Michael'

Sinopse: A vida complexa do Rei do Pop, Michael Jackson, desde a infância no Jackson 5 até sua ascensão solo e genialidade artística. 

Quando assisti a "Bohemian Rhapsody" (2018), na época, eu ainda não tinha uma dimensão sobre a vida pessoal da banda Queen, tampouco sobre Freddie Mercury. Quando era criança, nos anos oitenta, eu simplesmente ouvia as suas músicas e curtia cada uma delas como se não houvesse amanhã. Portanto, assistir à cinebiografia foi uma grande experiência, mesmo sabendo, através de outros, que muito daquilo visto na tela não aconteceu exatamente daquela forma na história real.

Devido a esse grande sucesso, começaram a surgir algumas cinebiografias de quilate, como "Rocketman" (2019), e algumas duvidosas, como "Back to Black" (2024). O problema é que fica sempre aquele dilema entre entregar uma adaptação nua e crua sobre a pessoa por trás do artista ou simplesmente levar a figura impecável que os fãs sempre endeusavam. "Michael" (2026) é uma adaptação somente parcial sobre a vida de um dos maiores cantores da música pop, mas que irá agradar aos fãs que cresceram ouvindo as suas obras que entraram para a história.

Dirigido por Antoine Fuqua, o longa retrata a vida e o legado do cantor (Jaafar Jackson), desde a descoberta de seu espetacular talento como líder do Jackson 5 até o impacto cultural de sua visão artística ímpar. Para além da música, este drama biográfico traça as ambições criativas de um homem que buscou ativamente se tornar um dos maiores artistas do mundo, destacando os passos dados por Jackson fora dos palcos. Performances icônicas de sua carreira solo compõem esse retrato íntimo e inédito do artista.

Para o fã de carteirinha, o filme não decepciona, principalmente ao revelar, no primeiro ato, os primeiros passos dos Jackson 5, moldados por um pai e empresário severo, Joe Jackson, interpretado por Colman Domingo. Vale destacar que o intérprete nos brinda com uma das grandes atuações do longa; seu Joe possui uma paixão quase doentia em levar os filhos ao topo do estrelato, não escondendo a ambição em seus olhos. Ao mesmo tempo, ele enxerga no pequeno Michael a sua verdadeira pepita de ouro, não medindo esforços para que a criança seja um superastro.

É neste cenário de sonhos e pesadelos que os produtores não se intimidaram em revelar as raízes do lado problemático da infância do astro, que cresceu diferente das outras crianças, isolando-se em um mundo de fantasias vindo de contos como o de Peter Pan. A partir do momento em que ele cresce e começa a não esconder as suas excentricidades — como adotar um macaco de estimação —, concluímos que o astro nunca teve a infância que realmente queria, e, neste retrato, o filme acerta em cheio.

Mas, sem sombra de dúvida, a grande surpresa fica por conta da atuação de Jaafar Jackson. Sendo sobrinho de Michael no mundo real, Jaafar tinha a missão ingrata de dar vida, cara e voz ao seu falecido tio, mas, felizmente, não decepciona. É como se estivéssemos vendo o Rei do Pop de volta à vida, em tempos mais coloridos, mesmo com todo o lado problemático de sua vida pessoal. Por mais que soe estranho em alguns momentos ele cantando, não há como negar que o intérprete chega perto do que Jackson foi em vida, além de surpreender nos passos de dança, o que nos desperta uma imensa nostalgia.

Aliás, a palavra nostalgia é a força motriz do filme, já que as passagens da história são moldadas por boa parte dos seus grandes sucessos e representam muito bem períodos específicos. É delicioso ver os motivos do astro para realizar a canção Beat It, ou então o maior feito de sua carreira, Thriller, cuja reconstituição das filmagens do clássico clipe está entre os melhores momentos do filme. Mas, por mais perfeitas que sejam essas passagens, é preciso reconhecer que tudo se torna quase um "clipão", em que a trama fica em segundo plano, fazendo com que apenas nos deleitemos com as músicas que ouvíamos quando garotos.

Nesse ponto, o filme talvez falhe ao se preocupar mais em agradar aos fãs do que em mostrar um Michael Jackson mais humano e falho em suas ações. Em alguns momentos, por exemplo, parece que os realizadores buscavam uma espécie de "predestinação" para algo maior, o que acaba soando pretensioso, para dizer o mínimo. O lado mais humano surge em cena apenas nos momentos em que ele busca um ombro amigo, seja através do seu motorista ou do seu empresário John Branca, interpretado de forma inesperada pelo ator Miles Teller.

Inevitavelmente, todos ficam curiosos sobre como o astro lidava com o vitiligo, mas o tema fica apenas na superfície, dando maior destaque à cirurgia que ele fez no nariz por sofrer preconceito vindo do próprio pai. Em contrapartida, o acidente durante as filmagens do comercial da Pepsi se torna o momento mais tenso da obra, ao ponto de ficarmos imaginando como seria se o filme fosse mais a fundo em outros fatores de sua saúde.

Naturalmente, muitos críticos se incomodarão pelo fato de o longa não abordar as acusações de abuso de menores. O filme não chega a esse ponto, principalmente porque nem adentra o ápice e o início do seu declínio durante a década de noventa. Ao meu ver, os realizadores estavam mais interessados em retratar a fase de ouro do cantor, sem esconder o lado problemático de sua fase inicial.

O filme pode ser interpretado como o primeiro grande ato sobre a vida do astro levado às telas. Obviamente, fará um grande sucesso, fazendo com que suas músicas voltem às paradas. Resta saber se os fãs irão ignorar a maioria da crítica especializada e ir em massa aos cinemas para desfrutar das mais de duas horas de pura nostalgia. "Michael" é um longa que irá dividir opiniões, mas acerta em cheio no coração dos fãs do eterno Rei do Pop.


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Cine Dica: Sala Redenção homenageia cinema indígena em nova mostra

Em abril, para celebrar o Mês dos Povos Indígenas, a Sala Redenção realiza, em conjunto com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade da UFRGS, a mostra “O canto da terra viva”. A programação, composta por seis produções audiovisuais protagonizadas por pessoas indígenas, valoriza as identidades, os saberes e a resistência dos povos originários brasileiros. A mostra acontece de 27 a 30 de abril, com entrada gratuita e aberta à comunidade em geral.

O drama ficcional “Terra Vermelha” (2008), de Marco Bechis, abre a programação no dia 27. O longa-metragem, que concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2008, retrata os dilemas dos indígenas guarani-kaiowás de Mato Grosso do Sul na luta por território.

Também integram a mostra os documentários “O Mestre e o Divino” (2013), de Tiago Campos, que reflete sobre os resquícios da catequização portuguesa em uma comunidade indígena da atualidade; e “Gyuri” (2021), de Mariana Lacerda, que conta a história da relação da fotógrafa Claudia Andujar com os povos yanomami da Amazônia brasileira.

A programação encerra no dia 30 de abril, às 14h, com a exibição de três curtas-metragens: “Ga vī: a voz do barro” (2022), “Fuá – o sonho” (2025) e “Da aldeia à universidade” (2025). A sessão é seguida de conversa com Raquel Kubeo, pesquisadora indígena kubeo e doutoranda em educação pela UFRGS; Susana Maria Assis, guarani-mbya graduanda em Artes Visuais; e Odirlei Kaingang, estudante indígena kaingang da Faculdade de Direito. Para essa sessão, o público é convidado a contribuir com um quilo de alimento não perecível em apoio à comunidade kaingang de Canela, na serra gaúcha.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

A Sala Redenção está localizada no campus centro da UFRGS, com acesso mais próximo pela Rua Eng. Luiz Englert, 333. “O canto da terra viva” tem apoio de Ancine, Descoloniza Filmes e Taturana – Cinema e Impacto Social.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Amores Expressos'

Filme Exibido para os associados no dia 18/04/26

Wong Kar-Wai é frequentemente apontado como o último grande romântico do cinema. Isso se deve à habilidade do realizador em criar longas nos quais o romantismo se torna o mote principal da obra. Porém, suas histórias de amor não caem na vala comum da previsibilidade.

Até pouco tempo, eu acreditava que sua maior obra-prima fosse "Amor à Flor da Pele" (2000), cujos encontros e desencontros do casal central formam uma das melhores experiências cinematográficas que assisti neste século. O feito se repetiria em "2046 - Os Segredos do Amor" (2004), elevando ainda mais seu cinema autoral no tratamento do tema. No entanto, sua obra-prima acaba sendo justamente "Amores Expressos" (1994), um filme sobre conexões em meio a uma metrópole em constante movimento.

Nas ruas de Hong Kong, as tramas se entrelaçam: uma mulher misteriosa de peruca loira, um jovem policial que a persegue na multidão e uma garçonete sonhadora que se apaixona por outro oficial. Todos se cruzam em uma cidade frenética, enquanto suas vidas se tornam mais complexas do que se imagina.

Segundo registros, Quentin Tarantino fez questão de intermediar um acordo com a Miramax para que o filme fosse exibido nos EUA. É evidente que o diretor identificou ali uma obra que não apenas falava sobre os dilemas do amor, mas que era embalada pelo melhor da cultura pop dos anos 90. O longa talvez seja a melhor síntese daquela década, em tempos nos quais o ser humano se via cada vez mais refém de um capitalismo desenfreado.

Estamos diante de uma Hong Kong saturada de luzes e cores, onde pessoas ocupadas parecem ignorar o que acontece ao redor. O comércio é incessante; vendedores ambulantes oferecem de itens legais a ilícitos nos lugares mais improváveis. Neste cenário de sobrevivência, o amor encontra espaço, desde que se mantenha a resiliência.

A mulher de peruca loira é a figura mais enigmática. Testemunhamos ela operando no submundo do crime, dançando conforme a música e tentando estar sempre um passo à frente. Quando o Policial 223 tenta conquistá-la em um bar, ela encara a situação como algo banal, enquanto ele ainda nutre esperanças de aplacar a solidão. Enquanto ela já experimentou o lado cru da vida, ele demonstra acreditar em contos de fadas em meio a uma realidade rígida.

Tudo isso é orquestrado por um Wong Kar-Wai inspirado, alternando cenas reflexivas com sequências frenéticas. Por instantes, parece que assistimos a um filme policial, com elementos de film noir e uma narração em off que se ajusta perfeitamente ao ambiente. Mas então, surge o inesperado.

Uma lanchonete em um beco qualquer serve como ponto de referência para uma nova história. O filme possui duas narrativas distintas, unidas pelo cenário e pelo romantismo dos personagens. Porém, se na primeira parte tudo parecia caminhar para o sombrio, a segunda nos conduz por uma trilha de leveza e reflexão.

A relação do Policial 663 com a garçonete Faye é tão contagiante que chegamos a esquecer a trama anterior. Isso se deve não apenas ao talento de Tony Leung, mas à atuação ambígua de Faye Wong, que constrói uma personagem enigmática cujas ações inusitadas revelam seu interesse pelo policial de forma singular.

É curioso observar como o diretor analisa a comunicação humana através dos objetos, como se as posses dissessem algo sobre nós. A casa do policial torna-se um mosaico de sua personalidade, ganhando profundidade quando Faye a "invade" para reorganizar sua vida. Essa premissa recorda o coreano Casa Vazia (2004), de Kim Ki-duk, embora com desdobramentos distintos.

Ao final, entre encontros e desencontros, o longa ensina que sempre haverá recomeços, mesmo quando o amor não corresponde às nossas expectativas. É uma síntese sobre pessoas comuns em busca de sonhos na selva de pedra, tentando manter a essência mesmo quando o mundo diz o contrário. Com uma trilha icônica que inclui "California Dreamin'" e a versão de Faye Wong para "Dreams", "Amores Expressos" é um clássico que sintetiza os dilemas amorosos em um mundo em eterna mutação.


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Cine Dica: Sessão dupla no Clube de Cinema: "O Que Vale é a Palavra" (25/04) no Instituto Goethe e "Sunshine Express" (26/04)

Neste final de semana, teremos jornada dupla no Clube de Cinema de Porto Alegre!

No sábado, dia 25, nos encontramos no auditório do Instituto Goethe para assistir O Que Vale é a Palavra, filme ainda inédito no Brasil e dirigido por İlker Çatak, conhecido por A Sala dos Professores, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Internacional pela Alemanha em 2024.

Já no domingo, dia 26, nos reunimos na sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim para mais uma sessão em parceria com o Fantaspoa: dessa vez, exibiremos o filme iraniano Sunshine Express, de Amirali Navaee.


Confira os detalhes da programação:


SÁBADO (25/04, 10h15)

O Que Vale é a Palavra (Es gilt das gesprochene Wort)

Alemanha, 2019, 120min

Direção: İlker Çatak

Roteiro: İlker Çatak, Nils Mohl, Johannes Duncker

Elenco: Anne Ratte-Polle, Oğulcan Arman Uslu, Godehard Giese

📍 Local: Instituto Goethe – Rua 24 de Outubro, 112 - Moinhos de Vento, Porto Alegre

Sinopse: O encontro entre mundos distintos desencadeia uma relação inesperada quando Baran, um jovem turco que busca melhores condições de vida, conhece Marion, uma piloto alemã, nas praias de Marmaris. Ao convencê-la a levá-lo para a Alemanha, o que começa como um acordo pragmático gradualmente se transforma em um vínculo mais complexo.


DOMINGO (26/04, 10h15)

Sunshine Express

Irã, 2025, 100min

Direção e roteiro: Amirali Navaee

Elenco: Sam Nakhai, Babak Karimi, Azadeh Seifi, Shayesteh Sajadi, Mohammad Aghebati

📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim, Sala Eduardo Hirtz

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre

Sinopse: Um grupo de pessoas embarca em uma viagem encenada rumo a um destino mítico, assumindo papéis dentro de um jogo controlado por regras rígidas. À medida que a experiência avança, a dinâmica lúdica revela tensões, frustrações e desejos dos envolvidos, transformando a jornada em um reflexo crítico de suas próprias limitações e aspirações.

Nos vemos no final de semana!

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (23/04/26)

 MICHAEL

Sinopse: Cinebiografia do Rei do Pop, Michael Jackson. O longa traz uma representação de sua vida e do legado, contando sua história além da música, traçando sua jornada desde a descoberta de seu talento até se tornar o artista visionário, cuja ambição criativa alimentou uma busca incansável para se tornar o maior artista do mundo.


BOA SORTE, DIVIRTA-SE, NÃO MORRA

Sinopse: Um homem, que afirma ser do futuro, faz reféns, os clientes de uma icônica lanchonete de Los Angeles, em busca de recrutas improváveis para uma missão de salvar o mundo.


UM PAI EM APUROS

Sinopse: No limite da tensão, uma mãe cansada de cuidar sozinha da casa e dos filhos decide se dar férias e deixa tudo sob os cuidados do marido.


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Cine Dica: Newsletter Cinemateca Capitólio - 23 a 29 de abril de 2026

 Últimos dias do Fantaspoa na Cinemateca Capitólio, em semana que tem ainda a estreia de dois filmes.

A Cinemateca Capitólio recebe até 26 de abril, domingo, as últimas sessões do Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre – FANTASPOA, um dos eventos mais importantes do gênero na América Latina, que encerra com êxito sua 22ª edição.

Realizado anualmente em Porto Alegre desde 2005, o Fantaspoa consolidou-se como o maior festival da região dedicado exclusivamente ao cinema fantástico, reunindo produções de fantasia, ficção científica, horror e thriller. Tendo mais uma vez a Cinemateca Capitólio como sua sala principal, com cinco sessões diárias e local do ponto de encontro do festival, o Fantaspoa 2026 contou com 210 filmes em sua programação, entre curtas e longas-metragens, a grande maioria inédita no Brasil. No domingo, 26 de abril, às 20:30, a Capitólio recebe a cerimônia de premiação do festival, seguida da exibição do filme Remanente: Voltagem, em sessão comentada pelo diretor Kapel Furman e membros da equipe.

A partir de terça-feira, 28 de abril, a Cinemateca Capitólio realiza a estreia de dois filmes muito aguardados, a cópia restaurada em 4K do clássico italiano Suspiria, de Dario Argento, e o documentário pernambucano Mangue Bit, de Jura Capella, sobre o movimento liderado por Chico Science que revolucionou a cena musical brasileira na década de 90. A sessão de Mangue Bit na terça-feira, dia 28, às 19h, será seguida de debate com o diretor Jura Capella e o professor e crítico de cinema Milton do Prado.

Finalmente, na quarta-feira, dia 29, a Cinemateca Capitólio volta a receber a Sessão Abraccine, projeto da Associação Brasileira de Críticos de Cinema que acontece simultaneamente em vários estados do país, exibindo produções independentes brasileiras ainda sem distribuição comercial. Na estreia da edição 2026 do projeto, será exibido Jamex e o Fim do Medo, produção baiana de 2024, com direção de Ramon Coutinho. A sessão tem entrada franca.

Confira a programação completa da cinemateca no site oficial clicando aqui. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Mãe e Filho'

 Nota: O filme estreia dia 30 de Abril

Sinopse: Acompanhamos uma enfermeira viúva enfrentando conflitos familiares e dilemas emocionais após um acidente marcante.

Com a guerra contra o Irã, fica difícil prever qual será o futuro do cinema local, ou se veremos outros longas-metragens que tenham tanto a dizer sobre o país. Até lá, é necessário aproveitar ao máximo as obras produzidas sob restrições de um governo, por vezes, totalitário, mas cujos realizadores sabem transmitir mensagens poderosas nas entrelinhas. "Mãe e Filho" (2025) é um desses casos: um filme que diz muito sobre sua nação, mesmo sob o olhar onipresente da censura.

Sob a direção de Saeed Roustaee, acompanhamos uma enfermeira viúva em meio a conflitos familiares e dilemas emocionais. Ela está prestes a se casar com um colega de trabalho, mas teme contar a verdade aos filhos. No entanto, o desenrolar dos fatos traz acontecimentos terríveis e revelações surpreendentes.

Roustaee nos conduz por uma trama em que os olhares dos personagens comunicam muito mais do que meras ações. Inicialmente, o movimento parte principalmente do filho da protagonista — um jovem rebelde diante de uma realidade repleta de regras que, contudo, não conseguem conter seu ímpeto destrutivo. A mãe, por sua vez, tenta contornar a situação; para isso, omite certas verdades que acabam se acumulando até transbordar.

Parinaz Izadyar entrega uma interpretação magistral, dando vida a uma personagem que se "descasca" gradualmente, revelando alguém que vai muito além do que o entorno imagina. Sua figura é uma representação da força de vontade das mulheres iranianas contemporâneas, que não se deixam intimidar pelo autoritarismo, mesmo quando a justiça opta pela cegueira em vez da verdade. Nesse aspecto, o filme expõe uma justiça viciada por leis que tendem a ser sistematicamente menos severas com os homens.

O filme aborda a união feminina perante uma realidade patriarcal, mesmo quando algumas sucumbem por acreditarem não haver alternativa. A protagonista encarna a mulher que "cai atirando": pode ser rotulada como louca, mas não se calará até obter justiça. Se em "Dez" (2002), do mestre Abbas Kiarostami, esse sentimento já era pressentido, aqui Roustaee nos diz que sempre haverá um meio de sobrevivência. Mesmo que o papel da mulher seja colocado em xeque, ela acaba surpreendendo a todos — e a si mesma — por sua resiliência.

"Mãe e Filho" é o retrato contundente da mulher iraniana que, apesar das limitações impostas pelo patriarcado, luta contra um olhar conservador e injusto.



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Cine Dica: Cinesemana de 23 a 29 de abril de 2026

A última cinesemana de abril traz uma novidade muito aguardada pelo público cinéfilo: a reestreia de BETTY BLUE, drama erótico francês que volta aos cinemas em versão restaurada para comemorar seus 40 anos de lançamento. A outra estreia é CASO 137, filme que rendeu a Léa Drucker o prêmio César de melhor atriz. Também teremos duas sessões de pré-estreia na nossa programação da semana. Uma delas é A SOMBRA DO MEU PAI, elogiado filme nigeriano que estreou no Festival de Cannes, junto com NINO DE SEXTA A SEGUNDA, sobre a jornada de um jovem diante da notícia de uma doença terminal.

Seguem em cartaz filmes elogiados pela crítica e prestigiados pelo público, com destaque para PAI MÃE IRMÃ IRMÃO, vencedor do Festival de Veneza, e O ESTRANGEIRO, baseado na obra de Albert Camus. Em última semana, o público pode conferir A CRONOLOGIA DA ÁGUA, com a atriz Imogen Poots dando vida às memórias da escritora Lidia Yuknavitch, e CINCO TIPOS DE MEDO, grande vencedor do Festival de Gramado em 2025.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Cine Dica: Premiado em Cannes, “O Riso e a Faca” tem sessões de pré-estreia dias 28 e 29 de abril no CineBancários


Depois de ser premiado no Festival de Cannes e terminar em 5º lugar na lista da Cahiers du Cinéma de melhores filmes do ano passado, O RISO E A FACA ganha duas sessões de pré-estreia no CineBancários, nos dias 28 e 29 de abril, às 18h. O longa-metragem estreia dia 30 de abril, às 18h30. Lançado pela Vitrine Filmes, a coprodução entre Portugal, França, Romênia e Brasil reúne diversos profissionais brasileiros na equipe.

O novo filme do português Pedro Pinho lança um olhar sobre a complexa relação entre Europa e África, marcada por invasões territoriais e dominação econômica. Pinho mostra que, hoje, essa história ganhou gestos, tons e formatos diferentes.

O longa é inspirado na letra da música de mesmo título composta pelo baiano Tom Zé. Na trama, acompanhamos Sergio, engenheiro português enviado por uma ONG a uma metrópole africana. Sua missão é fazer um estudo sobre o impacto ambiental da construção de uma estrada. Lá, ele se envolve com dois moradores locais, Diára e Gui. O trio é vivido por Sergio Coragem, conhecido por filmes como Verão Danado e Fogo-Fátuo; Cleo Diára, que venceu o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard, em Cannes, por este filme; e Jonathan Guilherme, brasileiro que estreia no cinema.

Pinho diz que o filme parte “da ideia central da relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’” e afirma que o longa “mergulha no calor sufocante, nos escritórios climatizados das ONGs, nos jipes brancos, nas ruas empoeiradas, nas buzinas dos carros e nas festas glamourosas — todos, símbolos da presença da comunidade expatriada num cenário de capitalismo pós-colonial”. Segundo ele, “no coração do filme está o eterno ‘encontro’ entre a Europa e África, em contraste com uma batalha furtiva por um devir queer, que se desenha nas discotecas e nas ruas de uma cidade da África Ocidental”.


O DIRETOR

Pedro Pinho nasceu em Lisboa e viveu em Paris, Barcelona, Maputo (Moçambique) e Mindelo (Cabo Verde). Em 2009, fundou, com outros cinco cineastas, a produtora Terratreme. O seu primeiro documentário, Bab Sebta (co-realizado com Frederico Lobo), estreou no FIDMarseille em 2008, onde ganhou o Prêmio Espérance de Marselha.

O média-metragem de ficção Um Fim do Mundo participou da seção Generation, da Berlinale, em 2013. Em 2014, o documentário As Cidades e as Trocas (co-realizado com Luísa Homem) estreou no FIDMarseille e no Art of the Real no Lincoln Center, em Nova York. Em 2017, sua estreia em longas-metragens de ficção, A Fábrica de Nada, estreou na Quinzena de Cineastas de Cannes, onde ganhou o Prêmio FIPRESCI da Crítica Internacional e recebeu outros 20 prêmios em festivais em todo o mundo. O filme recebeu ainda dois prêmios Sophia, o Oscar do cinema português e foi lançado comercialmente em países da Europa, Ásia e América Latina, entre eles o Brasil.


FILMOGRAFIA

2025 – O Riso e a Faca (longa)

2017 - A Fábrica de Nada (longa)

2017 - Cidade (série de TV)

2014 - As Cidades e As Trocas (longa), co-dirigido com Luísa Homem

2013 - Um Fim do Mundo (média)

2008 - Bab Sebta (longa), co-dirigido com Frederico Lobo

2008 - Zone d’Attente #00 (curta), co-dirigido com Frederico Lobo e Luísa Homem

2005 - No Ínicio (curta)

2004 - Perto (curta)

Assista aqui ao trailer de O Riso e a Faca 


SESSÕES DE PRÉ-ESTREIA


28 e 29 de Abril – 18h

ESTREIA

30 de abril a 06 de maio – 18h30


O RISO E A FACA

Portugal / Brasil / Romênia / França/2025/212 min

Direção: Pedro Pinho

Sinopse: Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.


Elenco:

Sérgio Coragem | Sérgio

Cleo Diára | Diára

Jonathan Guilherme | Gui

Renato Sztutman | ele mesmo

Jorge Biague | Borjan

Nástio Mosquito | Horatio

Bruno Zhu

Kody McCree

Everton Dalman


Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Nas quintas-feiras, a meia-entrada (R$ 7) é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – "O Último Gigante"

Sobre o Filme: A reconciliação entre pais e filhos não é um tema novo na história do cinema, mas continua gerando longas que levantam debates profundos sobre até onde se pode perdoar um passado cujas cicatrizes emocionais ainda não fecharam. Saber ouvir é, muitas vezes, uma questão de tempo — mesmo quando a raiva ofusca o olhar que deveria acolher a versão do outro. "O Último Gigante" (2025) não é apenas sobre o reencontro familiar, mas também sobre a busca por uma redenção quase sempre inalcançável.

Dirigido por Marcos Carnevale, o filme narra a história de Boris (Matías Mayer), um guia turístico em Puerto Iguazú que vê sua vida virar de cabeça para baixo com o aparecimento inesperado de Julián (Oscar Martínez), o pai que o abandonou na infância. Aos 28 anos, Boris terá que lidar com o retorno de um homem que deseja, tardiamente, reconquistar o tempo perdido.

Carnevale construiu uma carreira transitando habilmente entre o humor e o drama. Aqui não é diferente: ele conduz um roteiro em que os personagens lidam com situações delicadas por meio de pinceladas de um humor refinado, prendendo a atenção do espectador do início ao fim. O encontro dos protagonistas já nos dá a dimensão do conflito, mas é nessa transição orgânica de gêneros que o filme ganha fôlego.

O veterano Oscar Martínez brilha ao interpretar um homem no limiar do fim, buscando forças para encarar os próprios erros e obter um perdão ainda não conquistado. Já Matías Mayer constrói um personagem que, inicialmente, não sabe processar seus sentimentos, usando a raiva para expressar uma dor guardada por anos. O embate verbal entre os dois rende momentos de tensão que, aos poucos, dão lugar à razão, facilitando a identificação do público com suas trajetórias.

Além disso, o longa toca em um assunto espinhoso e recorrente no cinema: a eutanásia. Curiosamente, esse ponto acaba ficando em segundo plano. Isso ocorre não apenas porque o foco primordial recai na reconciliação, mas também porque o tema já foi exaustivamente debatido em títulos anteriores. Embora a iniciativa seja válida, o filme talvez chegue um pouco tarde a uma discussão que já possui marcos cinematográficos muito consolidados.

Ao final, as questões levantadas são sanadas, permitindo que cada personagem siga sua própria jornada. "O Último Gigante" pode não mudar a vida do espectador, mas é um título que se destaca pelo lado humano e reflexivo. É, em última análise, um filme sobre a busca pela redenção enquanto ainda resta tempo.


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