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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 30 de agosto de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – 'Viver'

Sinopse: Um funcionário público de Londres tem dificuldade para manter a ordem sob montanhas de trabalho burocrático. Sobrecarregado e solitário em casa, sua vida se torna um drama quando um diagnóstico médico indica que ele tem pouco tempo de vida.  

Akira Kurosawa foi um dos maiores gênios do cinema japonês, mas construiu sua carreira dialogando não apenas com a cultura de seu país. O clássico "Viver" (1952), por exemplo, é inspirado na novela russa "A Morte de Ivan Ilitch", escrita por Liev Tolstói em 1886. O que Kurosawa fez foi transpor a trama para o Japão do pós-guerra, que ainda buscava recuperar sua autoestima.

Mas, se Kurosawa buscava inspiração em outras culturas, seus próprios longas-metragens serviram de modelo para o Ocidente. Se "A Fortaleza Escondida" (1958) inspirou o nascimento de dois personagens clássicos da franquia "Star Wars" (iniciada em 1977), por outro lado, "Os Sete Samurais" (1954) ganhou sua refilmagem norte-americana no faroeste "Sete Homens e Um Destino" (1960). "Viver" (2022) é uma adaptação britânica do clássico japonês que, ao beber muito de sua fonte original, permite ao público atual conhecer essa história tocante.

Dirigido por Oliver Hermanus, o filme acompanha Williams (Bill Nighy), um funcionário público veterano de uma repartição burocrática encarregada da reconstrução da Grã-Bretanha após a Segunda Guerra Mundial. Williams empurra papelada em um escritório do governo até o dia em que é diagnosticado com uma doença fatal. Viúvo, ele esconde a condição de seu filho adulto, passa uma noite de devassidão na companhia de um escritor boêmio e passa a evitar o trabalho. Porém, uma ex-colega de trabalho animada, Margaret, o inspira a encontrar significado em seus dias restantes.

Assim como o clássico de Kurosawa, o filme retoma o conto russo transposto para uma Londres do pós-guerra. A escolha funciona muito bem, já que a trama retrata não apenas um protagonista em crise, mas uma sociedade londrina ainda em recuperação de um conflito mundial devastador. Além disso, Oliver Hermanus acerta ao não atualizar a história para os dias atuais, preservando uma premissa que perderia força em tempos de tecnologia desenfreada.

Por conta disso, o longa possui um visual que remete à era de ouro do cinema: a proporção de tela em 1,33:1 (formato mais quadrado) evoca a linguagem cinematográfica anterior à popularização do Widescreen, consolidado a partir do clássico "O Manto Sagrado" (1953). A fotografia, com cores quentes, busca inspiração na estética clássica do Technicolor — recurso marcante de produções como "O Mágico de Oz" (1939). Ou seja, é um filme que reúne elementos tanto para os interessados pela literatura russa quanto pelos admiradores do cinema de Kurosawa e da era clássica da sétima arte.

A premissa em si é uma velha conhecida dos cinéfilos, mas ganha novo frescor com a atuação impecável de Bill Nighy. Versátil, Nighy é figura conhecida pelos fãs de grandes franquias como "Piratas do Caribe" (2003–2017), mas também brilha em produções mais intimistas, como "Enquanto Houver Amor" (2019). Aqui, sua atuação se distancia da interpretação marcante de Takashi Shimura no clássico de 1952, ganhando luz própria sob a direção precisa de Oliver Hermanus.

Acima de tudo, é um filme que nos ensina a saborear a vida, mesmo quando estamos na reta final. Até lá, cabe a cada um colocar em prática suas virtudes ocultas, revelando uma faceta até então inédita para os outros. Ao final, o gesto do protagonista pode parecer simples, mas carrega um significado profundo para que outras pessoas possam desfrutar de momentos mais felizes.

Com um desfecho tão tocante quanto o do clássico de Kurosawa, "Viver" é um belo exemplo de obra que sabe se repaginar para conquistar uma nova geração de espectadores.

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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'História de um Casamento'

Sobre o Filme: O clássico "Kramer versus Kramer" (1979) foi lançado em uma época em que a separação de casais ainda era vista como tabu para a maioria da sociedade norte americana. Vários anos depois, o divórcio entre as partes se tornou comum, pois uma coisa é haver a separação, mas não significa que não tivesse havido a paixão. "História de um Casamento" vem para lançar uma nova luz sobre as separações dos tempos atuais, pois embora tenham se tornado comuns, não significa que não venha a doer

Dirigido por Noah Baumbach, do filme "Frances Ha" (2012), o filme conta a história de Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação de Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson).



Confira a minha crítica já publicada clicando aqui e participe do próximo Cine Debate. 


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domingo, 16 de abril de 2023

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Adoráveis Mulheres'

 Sobre o Filme: 

"Adoráveis Mulheres" de 1994 se tornou um pequeno clássico daquela década, ao retratar a união de quatro irmãs perante as adversidades do dia a dia. Porém, mesmo com uma trama se passando no século 19, é preciso que aja uma forma do público feminino atual se identificar com as personagens, o que não aconteceria se o mesma versão daquele ano, ou de outras adaptações passadas, fossem levadas agora nas telas do cinema. Felizmente, "Adoráveis Mulheres" de 2019 tenta dialogar com a força do feminismo atual, mesmo que em alguns momentos descarrilhe para o convencional.

Dirigido por Greta Gerwig, do filme "Lady Bird - A Hora de Voar" (2017), e baseado na obra de Louisa May Alcott, a trama se passa durante a Guerra Civil, onde uma mãe com 4 filhas passa por graves problemas financeiros, enquanto o marido está na frente de batalha. A mais intelectualizada das irmãs, que sonha ser escritora, é cortejada por um rico vizinho, mas quando este se declara ela o rejeita e vai morar em Nova York, onde se envolve com um professor. Mas quando chega a notícia de que o estado de saúde de uma de suas irmãs piorou consideravelmente, ela retorna para casa.

Confira a minha crítica completa já publicada clicando aqui e participe do próximo Cine Debate nesta Quarta-Feira.


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