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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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domingo, 2 de fevereiro de 2020

Cine Dica: Em Cartaz: '1917' - Impecavelmente previsivel

Sinopse: Na Primeira Guerra Mundial, dois soldados britânicos recebem ordens aparentemente impossíveis de cumprir. Em uma corrida contra o tempo, eles precisam atravessar o território inimigo e entregar uma mensagem que pode salvar 1600 de seus companheiros.

Não é de hoje que cineastas autorais tentam realizar filmes em plano-sequência, ou seja, produções que parecem que foram rodadas em uma única tomada. O mestre Alfred Hitchcock bem que tentou nos passar essa sensação no seu clássico "Festim Diabólico" (1948), muito embora revisto hoje nós possamos identificar os momentos em que houveram determinados cortes. Mas foi nesses últimos dez anos que, curiosamente, surgiram diversos cineastas que decidiram ousar em ir ao limite nessa proeza cinematografica.
Filmes como "Filhos da Esperança" (2013) "Gravidade" (2013) e "Roma" (2018), sendo todos de Alfonso Cuarón, como também "Birdman" (2014) e "O Regresso" (2015), ambos de Alejandro González Iñárritu, nos surpreendem pelo fato que hoje não há mais limites para lentes de uma câmera, sendo que os cineastas que a empunham tem a ainda a proeza de criar diversos detalhes nas sequências, nascendo assim mosaico de detalhes  e dos quais nem todos  são identificados  em uma primeira sessão de cinema. Eis que vem então Sam Mendes, do já clássico "Beleza Americana" (1999), com o seu filme de "1917", cuja a proeza e beleza dos planos-sequências se sobressaem perante uma trama sem muitas novidades.
Na trama acompanhamos os cabos Schofield (George MacKay) e Blake (Dean-Charles Chapman), jovens soldados britânicos durante a Primeira Guerra Mundial. Quando eles são encarregados de uma missão aparentemente impossível, os dois precisam atravessar território inimigo. Durante a cruzada eles lutam contra o tempo, para entregar uma mensagem que pode salvar mais de 1300 colegas de batalhão.
Se ainda faltava algum filme que mostrasse a verdadeira tensão que era  estar nas trincheiras em que ocorria os principais conflitos da Primeira Guerra Mundial, Sam Mendes, ao menos, cumpre essa missão com certo louvor. Com duas horas cravadas, o realizador nos dá pouco tempo para conhecermos melhor os dois protagonsitas, já que ambos são imediatamente jogados ao inferno na terra e os plano-sequência fazem com que a gente se sinta ao lado de ambos os protagonistas nessa empreitada. Na medida que os minutos avançam a tensão aumenta e fazendo com que tememos para o que vier em seguida.
Além do plano-sequência, o filme é moldado por uma belissima edição de arte que se casa com perfeição com a fotografia que, desde já, é uma das melhores desse ínicio de ano. Tenicamente o filme é primoroso em quase tudo, ao ponto que cada som das explosões, além dos movimentos bruscos com a câmera, fazem do filme algo quase documental, como se aquela jornada realmente estivesse acontecendo naquele momento na tela. Mas toda esse lado técnico não é o suficiente para o filme escapar de certos poréns.
Mesmo sendo um filme com um visual arrebatador isso acaba não sendo o suficiente para constatarmos que a trama é, por vezes, simples e que algumas situações acabam se tornando forçadas até  demais. Ao meu ver, Sam Mendes tenta a todo momento em manter a nossa atenção a todo custo, mas fazendo também com que prestemos atenção em algumas passagens forçadas que são vistas na tela. Se por um lado é estranhamente absurdo o surgimento de soldados que aparecem do nada no que era antes uma fazenda abandonada, do outro, a aparição de uma jovem com um bebê é absurdamente familiar se formos comparar com uma passagem do filme "Cold Mountain" (2003) de Anthony Minghella.
Além disso tudo, o ato  final chega em um momento que já temos uma ideia sobre que irá acontecer em seguida e fazendo a gente esperar por algo a mais do que poderá vir acontecer. Ao invez disso, o filme somente entrega a sua premissa principal, sem mais delongas e fazendo com que o fator surpresa não exista na reta final da trama. Não que isso seja um problema, mas para um filme que está sendo endeusado pela crítica especializada, ao meu ver, ele acaba não cumprindo com as nossas expectativas.
Com dez indicações ao Oscar 2020, "1917" é uma superprodução visualmente bela, mas que em sua reta final nos dá uma sensação de que faltou algo nessa jornada inglória. 


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