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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 13 de março de 2019

Cine Dica: Em Cartaz: 'Raiva" - O Inferno Real

Sinopse:  Nos remotos campos do Baixo Alentejo, no sul de Portugal, a miséria e a fome assolam a população. Quando dois violentos assassinatos acontecem em uma só noite, um mistério toma o lugar: qual poderia ser a origem desses crimes? 

O Cinema Novo dos anos 60 serviu para mostrar a verdadeira cara do Brasil daqueles tempos, onde a realidade plástica dos estúdios ficava em segundo plano. "Vidas Secas" (1963), por exemplo, foi uma das produções mais corajosas da época, ao retratar o inferno na terra dominada pela seca e a fome. Ao assistir ao filme "Raiva" não havia como deixar de me lembrar do clássico de Nelson Pereira dos Santos, mas possuindo também uma identidade própria e bem corajosa.
Dirigido pelo português Sérgio Tréfaut, o filme começa com um verdadeiro massacre, moldada com muita violência e sangue. Aparentemente, duas famílias se digladiam por motivos ainda obscuros para aqueles que assistem e culminando em uma inevitável tragédia. A trama volta no tempo e testemunhamos aos poucos o que levaram ambos os lados ao tal conflito.
As comparações com o clássico “Vidas Secas” é aceitável até certo ponto, pois aqui o inimigo implacável não é somente a seca e a fome, como também as ambições daqueles que almejam possuir lucro daqueles que possuem tão pouco. Há aqui o velho duelo entre as classes, mais precisamente os que são da "Casa Grande" contra aqueles que eles consideram como minorias. Qualquer semelhança com o Brasil atual não é mera coincidência, mesmo quando a trama se passe em outros tempos de Portugal.
Aliás, é preciso reconhecer que o maior inimigo que os protagonistas enfrentam seja também o próprio cenário em que eles moram. Seca, fome, além de um ambiente pessimista e que deixaria qualquer pessoa na maior melancolia. Não me surpreenderia também se o cineasta havia se inspirado no surpreendente "O Cavalo de Turim" (2011), de  Béla Tarr, onde em ambos os casos eles  possuem uma belíssima fotografia em preto e branco e que sintetizam uma realidade opressora e sem nenhum brilho.
Embora todos já saibam como a trama irá se encerrar devido ao seu impactante prólogo, o filme ainda nos reserva inúmeras supressas, seja pelas atitudes imprevisíveis dos protagonistas, ou pelos momentos em que o filme se envereda para o gênero terror psicológico. A realidade, portanto, pode ser muito mais implacável do que qualquer monstro vindo de algum livro de contos de fadas, pois as vezes eles se encontram perto de nós muito mais do que a gente imagina. "Raiva" nos mostra como a realidade pode ser implacável e moldando as formas de comportamento do ser humano perante os horrores do mundo.


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