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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre: VERÃO 1993


 NOTA: filme exibido para os sócios  do Clube de Cinema de Porto Alegre no último sábado (13/01/18).

Sinopse: A menina Frida perdeu a mãe. Agora ela tem de deixar Barcelona e ir morar no interior da Catalunha. Lá, a garota é criada pelos tios e precisa se adaptar a nova vida com as regras e limites de sua nova família.



Verão 1993 é escrito e dirigido por Carla Simón, onde ela nos brinda com uma direção de atrizes mirins incríveis. Com um elenco afiado e escolhido a dedo, o filme investiga sobre a infância da própria cineasta. As duas crianças em cena foram achadas numa seleção de elenco que durou meio ano. É preciso levar em conta que localizar uma menina de talento, além de ter que interpretar a própria cineasta quando ela era jovem, não é das tarefas mais fáceis para se cumprir. Porém, Laia Artigas é um verdadeiro achado, da qual merece ser reconhecida pelo seu talento e torcer para que não suma do mapa do mundo artístico.
Assim como ocorre nos EUA, mulheres cineastas tem se destacado no cenário independente espanhol. São as mulheres que estão dando um novo fôlego para o cinema daquele país. Trabalhos como o de Carla Simón, Roser Aguilar (Brava) e Elena Martín (Júlia ist) estão circulando pelos festivais do mundo com sucesso de crítica e público.
Em Verão 1993, a cineasta usa a sua câmera como uma espécie de ponto de vista da jovem Frida (Laia Artigas) que, com pouca idade, precisa saber lidar com a perda dos pais devido ao vírus da Aids, sendo que ainda era um tempo em que o vírus ainda era pouco conhecido. Esta perda recente altera radicalmente a vida da pequena jovem, ao ponto de ter que se mudar para Barcelona em uma pequena cidade do campo. Frida passa então a viver com seus tios e a pequena filha do casal. Aos poucos ela consegue chamá-los de mãe e pai, mas o luto e adaptação perante um novo cenário são abordados gradualmente, uma vez que todos precisam criar novos laços para se manterem firmes em meio as dificuldades dos dias que virão. Mudanças precisam ser estabelecidas, ao ponto que todos da trama sentiram elas, mas cada um de uma forma distinta.
Embora a Aids esteja como pano de fundo na trama, o tema é trabalhado pelo roteiro sem qualquer maniqueísmo. Preconceito falta de informação sobre a doença se destaca, mas é usado unicamente para mover os seus respectivos personagens e dando destaque a suas reais personalidades perante as situações que ocorrem. Aliás, o roteiro cria situações narrativas de forma bastante curiosas onde, por exemplo, jamais permite haver respostas simples, tal qual a percepção de uma criança de 6 anos de idade que recebia informações de uma forma gradual e que não lhe afetasse emocionalmente. 
Devemos levar em conta que a doença era tratada como um enorme tabu perante a sociedade. Por esse meu pensamento, concluo que o filme obtém de uma forma leve, mas nunca demais, apontar maneiras para melhor explicar para uma jovem vida em tentar entender esse problema que assim veio do mundo dos adultos. Conduzindo o roteiro e a câmera de uma forma natural, a cineasta Carla Simón cria um ambiente que transita pelo documental, sem jamais esbarrar por um lado pretensioso ao reconstituir a sua própria infância. Ao testemunharmos a jovem protagonista libertar o choro do qual ela havia guardado durante todo o filme, a diretora exorciza então uma parte triste do seu passado, mas tendo a certeza que conseguiu obter o seu maior objetivo.
Verão 1993 é sobre ter que amadurecer perante uma realidade, por vezes, opressora mas que sempre haverá um fio de esperança para aliviar essa cruzada na vida.  


Nota: o filme segue em cartaz na Casa de Cultura Mario Quintana, nº 736. Sala Eduardo Hirtz. Horário 15h.   


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