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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Cine Dica: Em Blu-Ray - DVD – VOD: A Ghost Story

Sinopse: C (Casey Affleck) morre num acidente de carro. Ele vira um fantasma e retorna para sua casa, onde a esposa, M (Rooney Mara) enfrenta o luto e tenta retomar a vida. Resta a C acompanhar a rotina dela, sem ter como se comunicar.

Antes de morrer um velho amigo meu sempre me dizia que essa vida é apenas uma passagem e que a morte é apenas a entrada para um novo plano e do qual todos devemos passar. Seja uma pessoa cética, ou crente, a possibilidade da vida pós morte sempre fascinou inúmeras pessoas, pois nessa possibilidade há o desejo profundo pela  continuidade. Porém, A Ghost Story nos mostra que, se há vida depois disso, ela é muito mais complexa do que se imagina e elevando ainda mais o significado do que nos faz realmente humanos.
Dirigido por David Lowery (Meu amigo Dragão), acompanhamos a trama sobre o casal C e M (Casey Affleck e Rooney Mara), em que ambos vivem juntos em uma casa especial mas da qual ela deseja se desprender. Certo dia C morre em um grave acidente de carro e deixando M sozinha. Porém, C retorna na forma de um fantasma e fica, não somente observando sua amada esposa, como também algo muito além do que se imagina.
Embora nos apresente as velhas fórmulas dentro do gênero, A Ghost Story está muito além de um mero filme de horror, mas sim de inúmeros gêneros dentro de um. Quem for assistir ao filme esperando dar de encontro com o convencional pode muito bem se decepcionar, pois a proposta do cineasta Lowery não é essa, mas sim eleva-la a um grau do qual a gente reflita sobre qual o nosso verdadeiro papel na vida. A partir do momento em que C morre, mas volta na forma de um fantasma, as regras sobre o espaço tempo se desprendem da lógica, nos brindando com situações que formam um mosaico de detalhes, com planos intermináveis e que nos propõem em até mesmo sentir a mesma agonia que sente o fantasmagórico protagonista.
Embora a gente identifique momentos em que nos soam familiares, que vai desde aos clássicos como Ghost, 2001 e até mesmo filmes de horror recentes como Atividade Paranormal, o filme nos propõe nos fazer pensar não somente sobre o fato de um dia todos nós morrermos, como também refletirmos sobre o real papel das pessoas que deixemos para trás. A personagem de Rooney Mara, por exemplo, demonstra força, mas ao mesmo tempo uma frieza incomum, para não enlouquecer devido a morte do seu amado e demonstra uma luta interna em cenas em que nos deixa inquietos quando nós testemunhamos: o longo plano da qual ela come uma torna com uma fúria contida dentro de si é um dos grandes momentos dela em cena.
É a partir dela que o fantasma vai gradualmente aprendendo sobre o verdadeiro significado do que nos faz humanos, de seguirmos em  frente, independente do que aconteça pois a vida querendo ou não continua. É aí que o cineasta nos pega desprevenidos, elevando esse pensamento, levantando inúmeras possibilidades sobre a verdadeira natureza de um fantasma e do porque ele continuaria no mundo dos vivos. E quando a gente menos espera, somos pegos em uma viagem pelo espaço tempo, cuja algumas pontas soltas no principio do filme fazem então todo o sentido nos derradeiros momentos finais da obra.
Com uma belíssima trilha sonora ("I Get Overwhelmed") , da qual sintetiza todo o lado mais intimo de ambos os protagonistas, A Ghost Story é uma experiência sensorial cinematograficamente rara dentro do gênero fantástico e do qual merece ser conferido. 




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