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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Cine Dica: Em Cartaz: RODA GIGANTE

Sinopse: Ginny é a esposa de um operador de carrossel, Humpty, que trabalha em um parque na praia de Coney Island. Ela conhece Mickey, um salva-vidas que também trabalha na praia e acaba se apaixonando por ele. Quando uma filha de seu marido volta para casa e também se apaixona por Mickey a roda dos desejos começa a girar.

Após a Segunda Guerra Mundial ouve uma tentativa desenfreada do governo norte americano em provar que o seu país era uma terra de oportunidades. Vendo os registros históricos, além das adaptações recentes do cinema, como o recente Ponte de Espiões, se percebe uma realidade plástica, onde a perfeição se resumia no retrato das famílias irretocáveis e perfeitas. No seu mais novo filme, Woody Allen prova que o mundo de fora poderia ser mais colorido, mas por dentro das casas dessas famílias possuíam uma realidade que gerava certo contraste.
Estamos nos anos 50, onde o cenário da trama se passa num parque de diversões próximo de uma praia, onde damos de encontro com a personagem Ginny (Kate Winslet), ex atriz,  casada com Humpty (James Belushi), que vive uma vida infeliz como garçonete do bar do seu marido e com sonhos partidos. Porém, ela começa a sentir mais os prazeres da vida quando começa a ter um caso com o salva vidas Mickey (Justin Timberlake), sendo ele um aspirante a roteirista de cinema e despertando uma luz de esperança em Ginny. Porém, os sonhos começam a ser estremecidos no momento que chega Carolina (Juno Temple, de Killer Joe), sua enteada, que está fugindo do seu marido mafioso e que começa a ter interesse pelo salva vidas Mickey.
Como de costume, Woody Allen abre o filme usando as suas velhas fórmulas de sucesso, desde a música clássica, apresentação do cenário por inteiro, inserindo um dos protagonistas como narrador e quebrando então a quarta parede já de imediato. O seu alter ego da vez é o próprio personagem interpretado por Justin Timberlake que, apesar de ainda novato no ramo do cinema, se encaixa perfeitamente com a proposta do cineasta. Porém, Allen direciona toda a sua criatividade na personagem Ginny, onde Kate Winslet nos brinda com uma de suas melhores interpretações de sua carreira.
Ginny seria um contraste da proposta que os EUA vendiam com relação aquele tempo e onde seus sonhos são tão pouco correspondidos. Através de sua protagonista, Woody Allen cria duas realidades em uma, onde o mundo de fora possui cores quentes, coloridas (cortesia do fotografo Vittorio Storaro)  e sintetizando um paraíso perfeito. Porém, basta a protagonista entrar dentro de casa para as cores se tornarem pálidas, sem vida e gerando assim um verdadeiro contraste se comparado ao mundo de fora.
Independente de qual época, o cineasta novamente traz consigo os típicos personagens de sua filmografia, onde presenciamos seres neuróticos, prontos para um ataque de nervos e tentando se manterem vivos com que restam de suas vidas. Mickey, por exemplo, seria uma espécie de frescor para Ginny, mesmo quando as promessas vindas dele se tornam  sonhos cada vez mais distante. Porém, a entrada da personagem Carolina, não somente seria ela uma espécie de rival para competir pelo coração de Michey, como também uma resposta vinda de uma realidade que sai por detrás daquele mundo colorido e plástico que se encontram aqueles personagens.
Assim como acontecia em seu clássico Rosa Púrpura do Cairo, Woody Allen cria em seu Roda Gigante um retrato de pessoas que buscam fugir para dentro de sonhos maravilhosos, mas a realidade dura prevalece, mesmo contra as suas próprias vontades.


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