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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 2 de março de 2015

Cine Dica: Em Cartaz: Nostalgia da Luz



Sinopse: Grande Prêmio da Academia Europeia de Cinema 2010 melhor documentário nos festivais de Guadalajara México Toronto Canada e Yamagata Japão. Prêmio da Crítica de Nova York.Em outubro de 2010 Patricio Guzmán recebeu no Festival do Rio o prêmio Fipresci pelo conjunto da obra. Em Atacama lado a lado os grandes observatórios que examinam o universo e os abandonados acampamentos de mineiros de cobre na época de Pinochet transformados em cárcere para presos políticos. Em Atacama o tão distante que quase escapa à vista e só pode ser visto pela lente do telescópio e o tão perto que igualmente quase escapa à vista e só pode ser visto por quem se dispõe a examinar cada grão da areia do deserto. Alexander Kluge criou certa vez no final da década de 1970 no filme A patriota(Die Patriotin) uma imagem da relação do indivíduo com a história: uma professora insatisfeita com a história da Alemanha no século 20 decide com uma pá abrir um buraco no meio do Congresso e escavar até encontrar a verdadeira história de seu país. Guzmán encontrou no deserto de Atacama uma imagem real ainda mais forte: com pequenas pás de jardinagem parentes de presos políticos que morreram nos cárceres que a ditadura de Pinochet montou no deserto vasculham a areia em busca de fragmentos de ossos para por meio de um exame de dna comprovarem que o filho ou o marido ou o irmão que o familiar desaparecido morreu ali nas prisões do deserto de Atacama.




O documentário chileno Nostalgia da Luz nos brinda como cenário principal o Deserto do Atacama, onde astrônomos se utilizam da transparência do céu para explorar a infinitude do universo em busca de vida extraterrestre. Paralelamente, ocorre outro tipo de busca. O longa-metragem também debate a procura, por um grupo de mulheres, de corpos de parentes desaparecidos durante o período da severa ditadura do general Augusto Pinochet. Também é neste cenário que arqueólogos pesquisam os vestígios das civilizações pré-colombianas, como pinturas rupestres e fósseis. 
Nostalgia da Luz utiliza-se de composições poéticas, explorando, de maneira singular,  metáforas e comparações. O documentário explora constantemente o paradoxo existente entre o moderno e o passado. Isso é evidenciado pela própria composição do ambiente cinematográfico, marcado pelo Deserto do Atacama que, carrega o passado das antigas civilizações e elementos modernos inseridos nesse cenário, isto é, os centros de observações astronômicas. Percebe-se, nitidamente, o emprego de planos estáticos e meditativos que realçam a beleza de objetos prosaicos. Além disso, o filme lida com a obsessão humana pelo passado e discute a contradição que há no fato de ignorarmos, comumente, nossa História recente.
Valendo-se de composições de imagens que prendem a atenção do espectador, Nostalgia da Luz surpreende através de planos inspiradíssimos, marcados pela representação ímpar do espaço sideral, bem como de fotografias justapostas dos desaparecidos políticos. É importante lembrar que, assim como o conteúdo do filme, as imagens também se comunicam através das metáforas e das comparações. Ao trazer a superfícies da Lua em uma das tomadas, Guzmán sugere a representação de um crânio humano.
O filme é espetacular e fundamental para a reflexão de todas as sociedades humanas. Os constantes questionamentos, aos quais o ser humano está submetido, são evidenciados ao longo do documentário. Ademais, o filme oferece uma fantástica visão filosófica sobre a existência e a condição humana, a qual é, durante todo o longa-metragem, comparada com a infinitude, as dúvidas e o mistério do cosmos. 
A produção cinematográfica chilena faz uso de uma sensibilidade única, que permeia tanto a narração pausada e cuidadosa como a própria composição fotográfica e sonora do longa. Nostalgia da Luz abre portas para a discussão, para a reflexão e, sobretudo, para problematizar o verdadeiro sentido da nossa existência e preocupações como seres humanos.




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2 comentários:

Unknown disse...

Curti sua descrição e estou ansiosa para ver esse filme.
bjs, https://babimorais.wordpress.com

Marcelo Castro Moraes disse...

assista porque vale a pena Barbara