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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Cine Dica: Em Cartaz: Amor, Plástico e Barulho

Sinopse: Shelly (Nash Laila) é uma jovem dançarina que tem o grande sonho de se tornar cantora de Brega (estilo musical popular do nordeste brasileiro). Ela entra para o show business em busca de fama e fortuna mas, inserida em um mundo onde tudo é descartável, incluindo o amor e as relações humanas, ela vai encontrar grandes dificuldades para atingir a fama. Seguindo os passos de Jaqueline (Maeve Jinkings), sua companheira de banda e musa inspiradora, ela pretende virar uma grande cantora de música Brega. 

No mais novo filme dessa “nova onda do cinema Pernambucano”, ele se apresenta como uma forma alegórica de falar sobre as mudanças estruturais e sociais pelas quais passa o Recife, questões estas impregnantes dos mais diversos trabalhos daquele Estado, desde o histerismo de Um Lugar ao Sol (Gabriel Mascaro) à percepção irônica de conjunto de O Som ao Redor (Kleber Mendonça Filho). É uma geração de realizadores abertamente reflexiva dos rumos da cidade e que tenta, dentro de suas específicas opções de dramaturgia e encenação, dar conta dos acontecimentos que fazem parte da realidade por onde circulam. Amor, Plástico e Barulho se impregna de dois elementos essenciais: essa percepção das modificações estruturais do espaço e o imaginário do tecnobrega nas ações íntimas e pessoais de um grupo de personagens afetados pelo impacto dos novos tempos.Eis que a trajetórias dissonantes de Jaqueline e Shelly refletem os dois aspectos, fazendo delas os receptáculos afetivos de um mundo em constante modificação. Amor, Plástico e Barulho leva para a encenação o tecnobrega como elemento estético, fazendo de determinados momentos do filme autênticos mergulhos delirantes num universo regido por música, dança e letras românticas pop, num procedimento apenas visto anteriormente no cinema brasileiro com tamanho vigor em Falsa Loura (2007), de Carlos Reichenbach. 
O que havia, porém, de organicidade na apresentação da trajetória de Silmara no filme de Reichenbach (o que reforçava o impacto atordoante de seus segundos finais) está ausente do filme de Renata Pinheiro, no que ele se difere devido à escolha formal por narrar os (des)caminhos de Jaqueline e Shelly em blocos de situações nem sempre coesos o suficiente para nos aproximar o suficiente dos sentimentos em questão. Trata-se de evidente postura estética: como uma música (brega) de vários tons, Amor, Plástico e Barulho navega numa montanha-russa de possibilidades que ora têm muita força (Jaqueline chorosa e solitária cantando no palco, os interstícios amorosos de Shelly, a dança final no ônibus), ora murcham por uma aparente indefinição de como manter atraente a escolha formal dos blocos.
O filme se equilibra e se desequilibra em igual proporção, no que, de alguma maneira hipnótica, mantém um encanto sempre presente, devido especialmente às presenças magnéticas das duas atrizes - cujos corpos e olhares (abrindo mão das palavras) são, de fato, os verdadeiros propulsores narrativos e emocionais do filme - e à impregnação, triste ou esperançosa, dos pensamentos das personagens (em especial de Shelly). Um filme sobre pessoas numa cidade em (re)construção e também sobre a reconstrução de pessoas nessa cidade que, sob certo aspecto, está sendo destruída nas suas origens. Amor, Plástico e Barulho, tropeçando com categoria num ponto ou outro, compreende o quanto de cruel existe nesse processo aparentemente sem retorno. A alegria do sucesso (efêmero por natureza) explode numa dança cafona imaginária para, logo em seguida, precisar ser colocada à prova no grito resignado exigido pelo mundo real.  

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