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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Cine Dica: Em Cartaz: CONTÁGIO

VERDADES E MENTIRAS EM MEIO AO CAOS
Sinopse: A comunidade médica mundial inicia uma corrida contra o tempo no longa Contágio. Isso porque um vírus altamente transmissível se espalha pelo ar multiplicando rapidamente os contagiados que morrem em poucos dias, sem chances de cura. Mais rápido do que o vírus, o pânico toma conta de toda população que luta para sobreviver numa sociedade que está desmoronando.
A gripe suína parecia uma doença que ameaçava o mundo de uma forma indescritível. Passado o pânico, percebeu-se que a mortalidade dessa doença era igual a das outras gripes comuns. Com isso, esse cenário paranóico é muito bem visto em Contágio, mas de uma forma bem mais avassaladora, mas não menos realista. Ao mesmo tempo, Steven Soderbergh injeta inúmeras teorias de conspiração sobre a origem do vírus, tanto o lado bom e lado ruim de uma possível vacina e o que é mentira e o que é verdade sobre o assunto quando é posto na internet. O filme consegue equilibrar essas várias tramas, numa verdadeira montanha russa de acontecimentos, nas quais, o diretor jamais deixa sair dos trilhos. Isso graças se deve também a um elenco estelar, em que cada um, interpreta um personagem que acaba desencadeando inúmeros acontecimentos colocados na tela, para então, ambos as personagens com os seus dramas pessoas em meio ao caos, se entrelacem um com os outros. Algo semelhante que o diretor fez (e muito bem) em um dos seus  filmes clássicos, Traffic.
Uma das tramas, por exemplo, é muito bem representada por Matt Damon, que alias, prova que é versátil na forma física dos personagens, tanto aqui, como também foi visto em O Desinformante (também de Soderbergh). Contágio, também remete a outros filmes que se tornaram imediatamente clássicos do gênero catástrofe, ao explorar o lado sombrio do ser humano perante em situações limites. Imediatamente, muitos críticos têm comparado o filme à obra literária Ensaio sobre a cegueira, que já foi levado ao cinema por Fernando Meirelles, sendo que a comparação é mais do justificavel. Em ambos os casos, a fotografia ajuda o espectador a ter uma ligeira idéia do que os personagens passam. Se no filme de Meirelles a fotografia é bastante clara e estourada, para fazer espectador prove uma ligeira sensação da cegueira branca dos personagens, em Contágio, a luz deixa os personagens pálidos ou corados, dependendo do teor das cenas e da relação deles com a epidemia.
Por fim, Contagio é uma incrível aula de montagem onde o diretor passa em cada cena as inúmeras formas da pessoa pegar o vírus. O prólogo e o epilogo são um belo exemplo disso, onde faz também uma referencia explicita a teoria do caos ou simplesmente o efeito borboleta. Só por isso, o filme merece um reconhecimento na parte técnica no próximo Oscar. Que Steven Soderbergh não se aposente tão cedo como muitos meios de comunicação dizem por ai.

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