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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Cine Dica: Em Cartaz - ‘Incompatível Com a Vida’

Sinopse: A partir do registro de sua gravidez frustrada, a diretora Eliza Capai conversa com outras mulheres que tiveram vivências parecidas à sua, criando um potente e tocante coral de vozes que refletem sobre temas universais. 

Eu sou contra o aborto, mas ao mesmo tempo a favor da legalização do mesmo. No Brasil de cada dez mulheres que buscam ajuda de forma clandestina para a interrupção da gravidez oito acabam tendo complicações na saúde e podendo até mesmo nunca mais engravidarem. O grande problema do Brasil atual é que, mesmo que o procedimento fosse constitucional, o país não tem uma estrutura suficientemente boa para tratar determinados casos e podendo até mesmo ser freado por uma parcela da sociedade conservadora e ao mesmo tempo hipócrita.

Em 2020, o caso de uma criança grávida aos 10 anos de idade, que era estuprada desde os seis por um familiar, repercutiu no país. A equipe médica do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam/Ufes) se recusou a realizar o procedimento e a criança precisou viajar do Espírito Santo até Pernambuco para fazer o aborto legal no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam/UPE).

O documentário “Incompatível Com a Vida" é um retrato sobre a gravidez complexa e dolorida da cineasta Eliza Capai que, ao receber o diagnóstico de que seu feto tinha uma malformação incompatível com a vida fora do útero, decide documentar o seu momento mais dramático. A sua obra também reúne casos de mulheres grávidas que receberam diagnósticos de que os fetos que carregam dentro de si são “incompatíveis com a vida” e têm alguma malformação congênita que levará à morte ainda no útero ou após o parto. Portanto, a dor da realizadora acaba não se tornando um caso isolado, mas ao mesmo tempo se tornando o mais chocante perante os nossos olhos.

Curiosamente, o projeto inicial da realizadora tinha uma outra forma, pois era para documentar a rotina de um casal grávido durante o isolamento provocado pela pandemia da Covid-19, em 2020. O roteiro que foi sendo remodelado durante o percurso acaba obtendo uma metamorfose completa quando a diretora recebe a notícia do médico. A partir desse momento, fazer esse documentário foi uma forma de exorcizar as dores de Eliza, ao ponto em que a própria se expõe de tal maneira que acabamos sentindo a sua dor, seja quando ela tem problemas de falta de ar ou quando começa a gritar sem excitar.

Para todas as mulheres retratadas em “Incompatível com a vida”, o tema do aborto é dos mais recorrentes. Em paralelo, o documentário inclui discursos de políticos e religiosos ultraconservadores pregando contra a prática, inclusive nos casos previstos em lei. Exibe, também, a dificuldade de se encontrar hospitais que aceitem realizar o aborto legal no Brasil. Por fim, “Incompatíveis com a vida” é um convite que nos leva a sentir a dor de uma mãe que opta por uma dura escolha, mas tendo que enfrentar de frente a burocracia conservadora e que somente retrocede o Brasil e o mundo a fora. 


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