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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Cine Especial: BOGART & BACALL - 'A Beira do Abismo'


Howard Hawks começou a se interessar pelo "noir" a partir do momento em que assistiu ao clássico "Relíquia Macabra" (1941) de John Huston, sendo que através desse filme que esse subgênero se fortaleceu e se tornando um dos mais cultuados ao longo do tempo. Hawks, portanto, começou a procurar o seu novo projeto que segue a fórmula do sucesso e para isso foi em busca de livros policiais que serviriam de adaptação ou até mesmo inspiração para a realização do seu "noir". O resultado é "À Beira do Abismo" (1946) que, se por um lado não é o melhor título deste seguimento cinematográfico, ao menos chega bastante perto.
Baseado no livro de Raymond Chandler, o filme conta a história do detetive particular, Philip Marlowe (Humphrey Bogart), que é chamado por Sternwood (Charles Waldron), um milionário que diz que está sendo chantageado novamente, pois há dois anos pagou US$ 5 mil para que Joe Brody (Louis Jean Heydt) deixasse Carmen (Martha Vickers), sua filha mais nova, em paz. Agora Arthur Gwynn Geiger (Theodore von Eltz) quer receber alguns milhares dólares, referentes a dívidas de jogo de Carmen. Philip aconselha que a dívida seja paga, pois Carmen assinou promissórias, mas Sternwood quer de qualquer maneira ficar livre de Geiger e diz para Marlowe cuidar disto. Antes que saia da mansão Vivian (Lauren Bacall), a filha mais velha de Sternwood, fala com Marlowe e lhe pede que encontre Shawn Regan, um grande amigo de Sternwood, que desapareceu. Marlowe segue Geiger até a casa dele e fica vigiando. Então repentinamente ouve um tiro e vê um carro fugindo. Marlowe constata que Geiger foi morto e ao lado dele está Carmen, que não tem noção do que está acontecendo, pois está drogada. Ele a leva para casa e deixa Carmen aos cuidados de Vivian, construindo um álibi ao dizer para Vivian que, para todos os efeitos, Carmen ficou ali toda a noite. Porém esta era apenas a primeira de várias mortes.
O que parecia ser uma premissa simples sobre a investigação de chantagem logo se torna uma grande teia de conspirações, traições, mortes e levando o protagonista em diversas camadas desse emaranhado de eventos. O espectador menos atento irá se perder nas diversas informações, principalmente sobre quem matou quem e quem é amante de quem. Por outro lado, o filme ganha pontos pelo fato de que cada passagem da trama seja uma espécie de curta metragem para que logo finalizada o protagonista vai para a trama seguinte, mesmo fazendo parte de um esquema muito maior diga-se de passagem.
Todos os ingredientes que fizeram do "subgênero noir" estão lá, desde o detetive durão, como também muita luz e sombras, além de damas fatais que não se pode confiar e cuja intenções são bastante dúbias. Por mais canastrão que esteja Humphrey Bogart está à vontade em cena, já que o seu personagem Philip Marlowe é praticamente igual ao seu personagem Sam Spade de "Relíquia Macabra". A diferença entre os personagens principais é que o anterior tinha um coração mais de pedra enquanto este parece ter um pouco mais de humanidade perante a onda de sangue que o rodeia.
O filme também marca a segunda parceria entre o astro e atriz Lauren Bacall, sendo que os demais trabalhos foram "Uma Aventura na Martinica" (1945), "Prisioneiro do Passado" (1947) e "Paixões em Fúria" (1948). Nota-se uma química entre ambos os intérpretes, sendo que os seus respectivos personagens possuem personalidades fortes e fazendo com que as cenas juntas se tornem intensas e sedutoras. Curiosamente, autor Raymond Chandler reclamou que Martha Vickers fez uma interpretação tão intensa de Carmen Sternwood que ofuscou a personagem de Lauren Bacall e por conta disso boa parte da performance de Martha foi cortada na versão final do filme.
Embora não tenha o mesmo equilíbrio de "Relíquia Macabra" o filme nos prende atenção mesmo com todos os seus desdobramentos e é sempre divertido acompanharmos o personagem Humphrey Bogart sempre se metendo em situações em que, ou tem uma arma apontada contra ele, ou ele obtém uma e chegamos a perder as contas de quantas ele obteve ao longo da história. E por mais complexo que seja essa teia conspiratória logo é tudo resolvido em seu arco final, mesmo quando nos dá aquela sensação esquisita de que faltou algo para ser concluído.A Beira do Abismo
"A Beira do Abismo" possui todos os ingredientes que fizeram do "subgênero noir" ser bastante cultuado e por isso mesmo merece ser conferido. 

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