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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Cine Especial: Curta 'A Voz Humana'

Sinopse: Uma mulher vê o tempo passar ao lado das malas do seu ex-amante (que deveria vir buscá-las, mas nunca chega) e um cão inquieto que não entende que o seu dono o abandonou. Dois seres vivos enfrentam agora o abandono. 

Pedro Almodóvar é um dos grandes cineastas autorais que surgiram nestes últimos quarenta anos de cinema e provando que não há fronteiras para o seu talento ser explorado. É claro que todo o fã que se preze acompanhou as suas principais obras sendo realizadas na Espanha, mais precisamente na cidade de Madrid e cuja a língua espanhola sempre foi predominante em todos os seus filmes. Porém, em "A Voz Humana" (2020) o cineasta dá um novo passo, mas mantendo o seu olhar intacto com relação ao seu universo.

O curta-metragem é baseado na peça do poeta francês Jean Cocteau, que conta a história de uma famosa atriz em decadência espera por uma ligação de seu amado. Enquanto isso, cuida do cachorro dele, também deixado pelo dono. Ao telefone, a mulher confessa seu amor e seu desespero, e flerta com o suicídio para tentar atrai-lo de volta ao apartamento. Mas esta será a última vez em que ficará à espera deste homem.

Rodado durante o período em que a pandemia estourou ao redor do mundo, Almodóvar explora essa limitação no filme como um todo, ao usar somente Tilda Swinton em cena e um cachorro como companhia. Embora seja o seu primeiro filme inglês, é mais do que notório que o cineasta mantém todos os ingredientes de sua autoria que moldaram a sua carreira, desde ao usar cores quentes em uma fotografia deslumbrante, como também ao fato de, novamente, testemunharmos uma mulher sofrendo com um amor não correspondido. Se por um momento o curta lembra o seu clássico "Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos" (1988), do outro, há elementos que o filme nos lembra até mesmo "Dogville" (2003) de Lars von Trier.

Isso se deve ao fato de o cineasta brincar com o próprio cinema como um todo, já que o cenário principal se passa em um apartamento da protagonista, que por sua vez sai em determinado momento do cenário e fazendo a gente testemunhar que tudo está sendo rodado em um estúdio. Se no filme de Von Trier precisamos imaginar que há, por exemplo, um cachorro ou paredes ao redor, aqui precisamos soltar a imaginação quando a protagonista diz que está no seu terraço e apreciando a vista pela manhã. A imaginação, aliás, é o que move a protagonista, principalmente em uma cena crucial que ela dá machadadas no terno do seu amante enquanto o cachorro e nós testemunhamos horrorizados perante a situação.

A partir daí vemos a protagonista falar com o amante pelo telefone e é então que Tilda Swinton, novamente, nos dá um show de interpretação. Embora jamais ouvimos a voz do amante pelo telefone, Swinton domina a cena, ao ponto de imaginarmos a relação de ambos através de suas palavras e fazendo com que a gente tema os seus próximos passos que ela irá praticar ao longo da projeção. Embora curto, o filme possui uma aura de tensão, mas que termina de uma forma que vai contra as nossas expectativas, principalmente para aqueles que desconhecem a peça em que foi baseada.

"A Voz Humana" é prova viva sobre a genialidade e talento de um cineasta e cujo os tempos de pandemia não o impediram de criar algo significativo dentro de sua filmografia.  


NOTA: O curta chega nos próximos meses, e ficará disponível para compra e aluguel em plataformas digitais (Now, Vivo Play, Sky Play, iTunes, Apple TV, Google Play e YouTube.

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