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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Nunca Raramente Às vezes Sempre'

Sinopse: Após descobrir que está grávida, uma jovem de 17 anos decide abortar. No entanto, para realizar a operação seguindo as leis estadunidenses, Autumn decide fazê-lo em Nova York, e embarca na metrópole acompanhada de sua prima Skylar. 

Embora o conservadorismo atual tente acobertar certos assuntos, os responsáveis pela cultura, por sua vez, debatem situações que os mesmos não querem acobertar, mas sim para que nos faça refletir. O cinema sempre levou para as telas a questão do aborto com certa delicadeza para que assim todas as pessoas, independentemente de quaisquer opinião, possam pensar sobre o assunto como algo sério a ser debatido. "Nunca Raramente Às vezes Sempre" (2020) nos coloca ao lado de duas protagonistas que adentram uma jornada em busca de uma solução delicada, mas que nos faça pensar do começo ao final desta história.

Dirigido por Eliza Hittman, o filme conta a história de amigas e primas inseparáveis Autumn (Sidney Flanigan) e Skylar (Talia Ryder), que navegam precariamente na vulnerabilidade da adolescência feminina na Pensilvânia rural. Quando Autumn inesperadamente engravida, ela é confrontada com uma legislação conservadora de colarinho azul, sem piedade de mulheres, que impõe um aborto. Com o apoio infalível da Skylar e recursos ousados, o dinheiro para financiar o procedimento é garantido e a dupla embarca em um ônibus com destino ao estado de Nova York para encontrar a ajuda que o Autumn precisa.

A cineasta Eliza Hittman procura trazer a realidade mais próxima possível para os nossos olhos, pois a questão do aborto perdura já a vários anos e, portanto, ela coloca em sua obra, tanto a difícil decisão em escolher esse caminho, como também enfrentar o difícil percurso para poder praticá-lo. Por conta disso, a cineasta escancara o conservadorismo norte americano, que do qual não é muito diferente do nosso e que acha que tem a palavra final sobre as escolhas que as jovens de hoje têm que tomar neste momento complicado. Curiosamente, o filme sintetiza o lado solidário das mulheres quando se dão as mãos, mesmo quando as mesmas fraquejam perante a sombra do machismo.

Machismo esse, por sua vez, é representado por figuras masculinas que colaboram para que as mulheres cada vez mais se distancie da ajuda do homem, pois os mesmos não oferecem nenhuma solução, mas sim somente angustia, dor e repreensão. Quando, por exemplo, as duas protagonistas entram no coração de Nova York, tudo o que elas encontram são figuras masculinas que, por mais inofensivas que sejam, cobram um alto preço para estender a mão para ajudá-las em uma situação complexa.

Tanto Sidney Glanigan como Talia Ryder estão ótimas em seus respectivos papéis, sendo que ambas possuem um mesmo olhar perante uma realidade opressora que elas precisam enfrentar em seu dia a dia. Se por um lado Talia consegue sintetizar pela sua personagem uma pessoa que sabe contornar essa realidade machista, por outro lado, Sidney Flanigan nos conduz com sua personagem momentos em que ela nos passa toda a dor que ela carrega nas costas, ao ponto de temermos pelo seu próximo passo que será dado. A cena em que ela responde um questionário com relação a sua escolha do aborto está entre os melhores momentos do filme e cujo o desempenho da jovem atriz nos impressiona a cada segundo que passa durante essa cena.

"Nunca Raramente Às vezes Sempre” nos coloca a frente em assunto espinhoso, mas do qual já não pode mais ser escondido perante os nossos olhos. 

Onde Assistir: Google Play Filmes. 

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