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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Cine Dica: Streaming: 'Pieces of a Woman'

Sinopse: Martha e Sean se preparam para o primeiro bebê do casal, e decidem fazer o parto em casa. No entanto, o momento não ocorre como previam, e os dois precisam lidar com o impacto de uma tragédia.

Kornél Mundruczó pode facilmente entrar na lista dos melhores cineastas autorais do cinema recente. Embora o húngaro tenha poucos filmes no currículo, do qual eu destaco o ótimo a "A Lua de Júpiter" (2018), em um curto espaço de tempo ele demonstrou um perfeccionismo do qual, não só desafia os seus intérpretes em cena, como também consigo próprio. Nas mãos dele, o filme "Pieces of a Woman" (2021) não se torna um mero drama, mas sim um estudo profundo sobre a perda, desconstrução e insurreição.

O filme conta a história da jornada emocional de uma mãe que acaba de perder seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com o marido e a mãe, lutando para que seu mundo não desaba por completo. Durante esse percurso ela terá que aprender a lidar com a dor e recomeçar do zero.

Kornél Mundruczó já nos pega de jeito em seu primeiro ato, do qual pode ser interpretado também como um grande prólogo, já que o título do filme surge quando esse início se dá por encerrado após trinta minutos. Mas são trinta minutos de pura angustia, dor e perfeccionismo que o cineasta nos passa, já que ele é moldado quase em um plano-sequência interminável e do qual nos dá a sensação de estarmos juntos com os protagonistas no momento do parto. São trinta minutos em que sentimos a dor e o sofrimento de uma mulher para dar à luz em seu apartamento e do qual nem todas as pessoas irão aguentar até o seu último minuto.

Kornél Mundruczó faz close a todo momento de cada gesto, olhar e mudanças de comportamento de seus personagens, sendo que alguns casos representam ali uma mudança de atitude, ou de uma situação que provocará desdobramentos irreversíveis. Todo esse perfeccionismo se torna ainda mais poderoso quando o trio central deste prólogo se rende de corpo e alma para atuação, principalmente da atriz Vanessa Kirby, conhecida pelo seu trabalho na série "The Crow" (2016) e que aqui nos brinda com uma das melhores atuações femininas deste início de 2021.

Após esse prólogo, o filme é dividido em atos, do qual cada um representa um dia do calendário e do qual é representado com cenas de uma ponta em construção. Aliás, notasse que a ponte inacabada se torna uma parte simbólica da narrativa, já que os protagonistas se encontram partidos ao meio e não sabendo ao certo por onde recomeçar. O cineasta não tem pressa em nos mostrar como o casal central se encontra após os eventos do início da trama, mas aos poucos as respostas vêm à tona.

Diferente da meia hora inicial, existe um peso maior na atuação dos atores do que o perfeccionismo do diretor em si. Contudo, há um alinhamento simétrico nestes dois quesitos até o último minuto e fazendo da obra jamais perder o seu ritmo e mantendo a nossa atenção até o seu final. Fora a direção e atuação do elenco destaco também a sua fotografia, da qual transita por cores frias e sintetizando o estado de espirito dos respectivos protagonistas.

O filme, logicamente, abrirá um leque para inúmeros debates, que vai desde ao grande significado de uma perda, como também ao fato de saber quando é que devemos aceitar em seguirmos em frente ao invés de procurar um motivo para justificar a dor que nós sentimos. Não há heróis ou vilões nesta trama, mas sim somente pessoas falhas em suas ações, mas não significa também que elas estejam erradas. Talvez, o erro é não aceitar que coisas ruins acontecem, pois se ocorre é preciso saber dar a volta por cima e achar, enfim, uma saída.

Vale também destacar o atrito que há dentro da ala familiar da protagonista, da qual é muito bem representada pela veterana Ellen Burstyn e que interpreta a matriarca. Sua personagem, por sua vez, procura justiça, mas não para a sua filha, mas sim devido a um passado trágico e do qual ela se alimenta com isso. Conhecida mundialmente como a protagonista do clássico "O Exorcista" (1972), não me surpreenderia se Ellen Burstyn fosse novamente indicada para o Oscar.

Em seu ato final, testemunhamos os personagens principais, principalmente a protagonista, cansados de carregar o peso do mundo e procurando decidir se devem prosseguir com essa via Crúcis ou seguir um novo rumo. Talvez o filme perca um pouco do seu peso em seus últimos minutos ao criar soluções de fuga para os seus respectivos personagens. Contudo, em tempos em que o mundo real faz com que a gente enfrente grandes obstáculos, talvez nunca seja demais um filme terminar com um sopro de alivio.

Desde já,"Pieces of a Woman" é um dos melhores filmes de 2021 é só pelo seu primeiro ato já nos conquista por inteiro. 

Onde Assistir: NETFLIX.

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