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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cine Dica: Em Cartaz: MENINO 23




Sinopse: Documentário mostra a investigação do historiador Sidney Aguilar referente a tijolos com suástica nazista numa fazenda do interior de São Paulo. Ao chegar lá, ele descobre que nos anos 30, 50 meninos negros e mulatos foram usados como escravos pelo dono da propriedade, que era simpatizante do nazismo.

“A mentira nunca fica escondida por muito tempo”. Esta é a frase adotada na investigação nascida pelo historiador e professor Sidney Aguilar e adotada pelo diretor e roteirista Belisario Franca, cujo sua intenção é desvendar o que há por trás dos misteriosos tijolos ornamentados com a suástica, símbolo nazista, que foram descobertas por acaso numa fazenda do interior de São Paulo. Fica se sabendo que a família Rocha Miranda, dona da fazenda na época, adotou cinqüenta meninos negros no Rio de Janeiro do ano de 1933.
A época da qual se passa esses fatos é num período nebuloso, onde o mundo cada vez mais se afundava nos regimes nazistas. Infelizmente o Brasil possui uma mancha de irresponsabilidade com relação a isso, pois além de ter sido um dos últimos países do ocidente ao colocar um ponto final na escravidão, não houve uma ação social para ajudar os ex-escravos da época. Além disso, havia o absurdo da propaganda da super raça branca, ao ponto de haverem concursos para os bebês perfeitos, sendo um verdadeiro ato de segregacionista. Mas o pior mesmo, e que poucos sabem, é que o Brasil abrigou por um tempo a maior seção do Partido Nazista fora da Alemanha.
Após a descoberta desses tijolos com símbolos nazistas, Franca e Aguilar juntos começaram a buscar pistas sobre os cinqüenta meninos que viveram uma década de trabalho escravo e que foram renegados pela história desse país. Dos cinqüenta meninos, acabamos conhecendo a história de pelo menos três deles, no momento em que os realizadores chegaram ao local e descobrindo com mais precisão essa história. Ficou se sabendo que, ao chegarem à fazenda, os meninos eram enumerados, assim como os nazistas faziam com os judeus no campo de concentração.
O passado desse lugar acaba ecoando de uma forma tocante e triste pelas palavras de um sobrevivente. Conhecemos então Aloísio Silva, de 89 anos e sendo ele justamente o menino 23 e que dá titulo ao documentário. Não confortável com as lembranças do passado, sentimos revolta nas palavras desse senhor de idade e que não esconde a sensação de decepção com relação ao mundo em que vivia.
Através de fotos da família Rocha e vídeos pela internet (propagandas preservadas da época) Aloíso também dá de encontro com o orfanato do qual ele foi adotado. Todos esses momentos são gradualmente expostos na tela e fazendo com que Aloísio se esforçava para não cair em lágrimas devido ao horror pelo que passou na infância. São momentos como esse que fazem de Menino 23 uma jornada tocante e triste de um passado nebuloso e vergonhoso de nosso país.
Encontra partida, temos o depoimento até bem humorado de Argemiro Santos que toca o assunto num tom de humor e sem ser atingido pelas lembranças. Através dele, por exemplo, que ficamos conhecendo mais a história do menino que todos chamavam de “Dois’. Esse, aliás, foi escolhido para ser adotado pela família Rocha, aparentando ser parte deles, mas não herdando nada e dando a entender pelos depoimentos dos familiares que ele caiu em desgraça através da bebida.
Em pouco menos de uma hora e meia, o documentário jamais perde o seu ritmo, principalmente por ela se intercalar com cenas de arquivos da época, com momentos em que retratam o dia a dia daqueles meninos e tudo moldurado num belo preto e branco. Essas passagens, aliás, são narradas pelos realizadores e pelos protagonistas da obra e fazendo com que o passado ecoe através do tempo. Com isso, o passado desses meninos se torna ainda mais chocantes, principalmente quando fazemos uma comparação com os dias de hoje e nos darmos conta que o país tem ainda muito chão pela frente em termos de aprender  com relação ao  respeito e igualdade. 
Desenterrando o passando, o filme adota o aspecto de reflexão com relação à realidade de hoje: o que estamos fazendo para não cometermos os erros do passado? Será que apenas “liberar”, como o senhor Aloisio chama o dia em que foi jogado no mundo após dez anos na fazenda, seria então suficiente? Qual seria ajuda que nós estamos dando aos que não são da elite hipócrita de hoje? Parece que, assim como a história nos conta, tirá-los de nosso lar ou da nossa frente é o suficiente para resolver o ponto de interrogação. Porém, o documentário veio para esfregar em nossa cara que não é bem assim e que precisamos acordar, mesmo quando a gente quer acreditar que já evoluímos suficiente.  




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