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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Cine Dica: Sala P.F. Gastal apresenta mostra Escritores no Cinema



De William Faulkner a Harold Pinter, Antonin Artaud a Ray Bradbury, Jorge Luis Borges a Aldous Huxley: a aventura de grandes gênios da escrita na realização de roteiros é um dos capítulos mais ricos da relação de amores e tormentas entre o cinema e a literatura. Celebrando a 59ª Feira do Livro de Porto Alegre, a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta entre os dias 5 e 17 de novembro a mostra Escritores no Cinema, com uma seleção de quinze títulos que trazem roteiros assinados por nomes essenciais da literatura. 
Entre os dias 5 e 10 de novembro, o elogiado musical brasileiro Filme Jardim Atlântico, dirigido por Jura Capela, com participações de Céu, Ava Rocha e Mariana de Moraes, segue em cartaz com uma sessão diária às 17h.
  
Escritores no Cinema

Entre obras-primas consagradas e pequenos segredos, a contribuição de escritores marcou profundamente o período clássico de Hollywood.  Foram muitos os homens das letras – interessados em novas possibilidades de criação e também nos altos cachês pagos pelos grandes estúdios – que encontraram no cinema uma alternativa de trabalho. Um exemplo célebre é o de William Faulkner, cuja parceria com Howard Hawks rendeu alguns clássicos como Uma Aventura na Martinica (1944), adaptação do “pior romance de Ernest Hemingway”, na definição do próprio autor, tendo Humphrey Bogart e Lauren Bacall nos papéis principais.
 A invasão de grandes escritores em Hollywood teve seu ápice entre as décadas de 1930 e 1950. Aos poucos, o descompasso entre a liberdade criativa e as regras rígidas da indústria diminuiu a presença dos autores. Aldous Huxley, por exemplo, teve seu argumento para Alice no País das Maravilhas recusado por Walt Disney, com a justificativa de que aquilo era incompreensível. Antes da experiência negativa, entretanto, o autor de Admirável Mundo Novo deixou alguns roteiros emblemáticos como Jane Eyre (1943), adaptação do romance de Charlote Brontë dirigido por Robert Stevenson.
 Ainda na Hollywood clássica, a mostra exibe filmes roteirizados por nomes modernistas como John Dos Passos (A Mulher Satânica, de Josef von Sternberg) e Tennessee Williams (De Repente, no Último Verão, de Joseph L, Mankiewicz) e mestres da escrita de gênero como Raymond Chandler (Pacto Sinistro, de Alfred Hitchcock) e Ray Bradbury (Moby Dick, de John Huston). 
 Se a partir dos anos 1970, já num contexto moderno, o cinema norte-americano não manteve a mesma intensidade em suas parcerias com grandes escritores, ainda encontramos obras emblemáticas com assinaturas famosas. Entre vários trabalhos, Richard Matheson escreveu o roteiro de Encurralado (1971), primeiro longa-metragem de Steven Spielberg, enquanto Charles Bukowski estendeu suas obsessões literárias às telas com o roteiro de Barfly – Condenados pelo Vício (1987), produção da Zoetrope Studios dirigida por Barbet Schroeder.
 A renovação do cinema britânico nos anos 1960 também contou com a colaboração de escritores importantes: Truman Capote roteirizou a adaptação de A Volta do Parafuso, de Henry James, ajudando a criar um marco do horror, Os Inocentes, dirigido Jack Clayton (1961). Figura central da literatura moderna francesa, Marguerite Duras assinou a adaptação do roteiro nunca filmado de Jean Genet em Chamas de Verão (1966), dirigido por Tony Richardson, com Jeanne Moreau no papel principal. Já o dramaturgo Harold Pinter estabeleceu uma significativa parceria com Joseph Losey na fase inglesa do diretor norte-americano, exilado em função do Macartismo, deixando-nos obras-primas como O Criado (1963).
 A mostra também exibe três momentos distintos da vanguarda francesa em que o cinema e a literatura estiveram próximos. Um dos pilares do cinema experimental dos anos 1920, A Concha e o Clérigo, dirigido por Germaine Dulac, tem roteiro assinado pelo escritor, poeta e dramaturgo Antonin Artaud. No pós-guerra, Robert Bresson surgia como o principal nome do cinema francês tendo Jean Cocteau como dialoguista de seu segundo longa-metragem, As Damas do Bois de Boulogne (1945). Quando a França já vivia a ebulição da Nouvelle Vague, no início dos anos 1960, Alain Resnais aproximou-se de Alain Robbe-Grillet e suas propostas inovadoras do Nouveau Roman para criar O Ano Passado em Marienbad (1961), um dos divisores de água do cinema moderno.
 Para completar a programação da mostra Escritores no Cinema, no dia 15 de novembro, sexta-feira, às 20h, acontece uma edição especial do Projeto Raros com a exibição do filme argentino Invasão (1969), de Hugo Santiago, com roteiro de Jorge Luis Borges a partir de história assinada por ele e Adolfo Bioy Casares. 

A mostra Escritores no Cinema será apresentada ao longo de duas semanas e tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E O Vídeo Levou.


Mais informações e horários das sessões, vocês conferem na pagina da sala clicando aqui.


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