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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: De Canção em canção

Sinopse: Em Austin, no Texas, dois casais - os compositores Faye (Rooney Mara) e BV (Ryan Gosling), e o magnata da música (Michael Fassbender) com uma garçonete que ele ilude (Natalie Portman) - perseguem o sucesso através de uma paisagem de rock 'n' roll, sedução e traição.

Terrence Malick é aquele tipo de cineasta que filma pouco, pois não está interessado em trabalhar para se manter ativo no ramo, mas sim interessado em fazer boas histórias. Cineasta autoral como ninguém, Malick tem um olhar particular com relação ao mundo em que vive, nos passando uma ligação entre o ser humano com a natureza, da qual se cria uma espécie de linha temporal de eventos e que culmina na redenção para seus protagonistas. Se em Arvore da Vida ele elevou esse pensamento para estratosfera, aqui em De Canção em Canção o seu olhar particular não muda, mas num grau menos elevado, porém, longe do previsível.
Nesse seu mais novo filme, acompanhamos a idas e vindas de dois casais que, em comum, possuem o desejo de realizar os seus sonhos no ramo da música. Contudo, em meio a verdadeiras e falsas promessas, há conflitos amorosos não resolvidos que, vai desde traições, reconciliações e o desejo dos personagens em encontrar o seu verdadeiro papel na vida. Em meio a isso, ficamos conhecendo um pouco do universo da música, onde se encontra inúmeros talentos, mas que nem todos chegam aos seus verdadeiros objetivos. 
Nas mãos de qualquer outro cineasta, a história cairia para o limiar do previsível, mas não nas mãos de Terrence Malick. Transitando entre ficção e documentário, Malick, com auxilio do seu fiel companheiro da câmera Emmanuel Lubezki, cria uma trama não linear, onde o futuro, presente e o passado vêm e vão sem aviso prévio e criando um mosaico de eventos dos quais exigem a nossa atenção em dobro. Com uma lente da qual capta tudo em volta, Malick faz com que os seus protagonistas agem da forma mais natural possível, como se os atores tivessem a liberdade de largar o dever de interpretar os seus respectivos personagens  e nos passando a impressão de que estamos diante de situações corriqueiras de cada um deles.
Na maioria das cenas nós presenciamos os personagens, mas ouvimos eles em narrações off, como se aquelas imagens fossem lembranças de um passado distante ou recente. Isso faz com que captemos a natureza real de suas personalidades, das quais soam distintas, mas que convivem no mesmo circulo de eventos daquele universo particular do qual eles convivem. Ao mesmo tempo, Malick perambula com a sua câmera, da qual captura momentos singelos, onde mundo contemporâneo se mistura com essa trama fictícia e se criando então uma linha fina da qual se separa realidade e fantasia.
Embora esse olhar autoral do cineasta fale mais alto no decorrer do filme, é preciso reconhecer o esforço do elenco em frente a sua câmera, pois dá entender que cada um deles captou a proposta principal do seu cineasta. De todos, Rooney Mara (Carol) é o que se sai melhor em cena, pois em seu olhar captamos a alma de sua personagem atormentada, da qual vive entre manter uma relação estável com o seu namorado compositor (Ryan Gosling), ou cair nas graças da riqueza, fama e desejos por outro compositor (Michael Fassbender). Contudo, a personagem de Mara demonstra consciência do mundo do qual está pisando, mas ao mesmo tempo, sentindo remorso, pois as suas ações podem desencadear dor e tristeza por onde ela vai passando.
Em contrapartida, a personagem de Natalie Portman, mesmo em pouco tempo em cena, se torna então uma espécie de contraparte da personagem de Roney Mara, pois diferente dessa última, ela não está preparada para a realidade da qual ela se encontra. Em ambos os casos, o personagem de Fassbender se torna então uma espécie de Coelho branco da Alice do País das Maravilhas, do qual atrai essas garotas até a sua toca cheia de magia, mas tendo então consequências distintas.
De todos Ryan Gosling talvez seja o único do elenco que não se esforça muito na frente da câmera e sendo ele mesmo em boa parte do tempo. Isso acaba não sendo exatamente um defeito, pois como eu disse acima, o elenco, por vezes, deixa por alguns momentos os seus respectivos personagens e agindo de uma forma natural como eles mesmos em cena. Gosling talvez seja o que mais se aproveita dessa situação, mesmo quando notamos que o seu desempenho fica aquém do esperado se comparado aos demais em cena.
Em sua reta final, Terrence Malick não ousa em fazer aqui algo parecido do que foi visto, por exemplo, em Arvore da vida, pois não há uma prepotência aqui de querer mudar a vida de ninguém. Ao invés disso, ele nos brinda com duas possibilidades distintas nos derradeiros minutos finais, mas esse feito é somente alcançado graças a sua trama não linear e fragmentada e obtendo então inúmeras possibilidades sobre os destinos dos seus protagonistas. Em outras mãos, cairia a trama numa vala comum, mas não nas mãos desse cineasta.
Com as participações especiais de Val Kilmer, Holly Hunter e Cate Blanchett, De Canção em canção é uma pequena experiência sensorial do cineasta Terrence Malick, de proporções menores se for comparado aos seus filmes anteriores, mas não menos do que genial para ser visto e revisto no cinema. 


 
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