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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: JACKIE



Sinopse: Jacqueline Kennedy (Natalie Portman), inesperadamente viúva, lida com o trauma nos quatro dias posteriores ao assassinato de seu marido, o então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.

O cinéfilo mais atento irá reparar que o cineasta chileno Pablo Larraín gosta de explorar assuntos políticos em suas obras. Porém, ao invés de retratar os fatos verídicos com exatidão, prefere então lançar um olhar pessoal com relação aos fatos e criar um cinema autoral da sua maneira. No, O Clube e o recente Neruda, são exemplos desse meu pensamento e Jackie, em sua primeira produção norte americana, ele não se intimida ao lançar um olhar crítico e lúcido dos primeiros dias de Jaccqueline Kennedy após o assassinato do seu marido, o presidente John F. Kennedy. 
A trama começa com um repórter indo entrevistar a senhora Kennedy (Natalie Portiman), após os quatro dias dos quais ela enfrentou a morte do seu marido. Durante a entrevista, as suas memórias tomam conta da tela e revelando um olhar pessoal perante uma realidade da qual ela não gostaria de estar. Ao mesmo tempo, ela começa a se dar conta do verdadeiro circo do qual o universo político cria e que, querendo ou não, fazia parte dele também.
Mesmo sendo o seu primeiro filme americano, se percebe que Larraín ganhou carta branca dos produtores para fazer o que bem entender com a obra, pois não estamos diante de uma cinebiografia, mas sim de uma obra que retrata quatro dias difíceis de uma mulher que, pela primeira vez, encara a real realidade do universo do qual vive. Para sentirmos o que a protagonista passou, o cineasta foca ao máximo ela com a sua câmera, fazendo com que quase haja uma situação de claustrofobia, como se ela estivesse presa numa caixa e pronta para explodir. É quase como se o início do filme houvesse a ruptura da quarta parede e que, caso não houvesse a presença do repórter em cena, a sensação teria sido maior ainda.
Com uma bela reconstituição de época, o filme foca no glamour do universo político, mas ao mesmo tempo, não escondendo o fato de que todos que convivem naquele cenário correm sérios riscos de serem descartáveis. Após o seu marido ser  assassinado, Jacqueline percebe que o seu (aparentemente) conto de fadas se evaporou, mas ao mesmo tempo não descartando a possibilidade de fazer parte para sempre daquela realidade nua e crua. Uma vez estando nessa posição, à protagonista percebe que o poder não se encontra nas bugigangas do qual adquiriu com o tempo, mas sim em suas ações e a de seu marido que definirão ambos no decorrer do tempo.
Tal carga emocional somente funcionária em cena se houvesse uma atriz da qual transmitisse um peso do mundo acima dos ombros da protagonista. Descoberta nos anos 90 pelo filme O Profissional e ganhando um Oscar pelo impressionante Cisne Negro, Natalie Portiman surpreende ao interpretar essa figura histórica, da qual usou e abusou do poder do qual adquiriu, mas tendo consciência de que, às vezes no mundo da realeza, as boas aparências são as melhores formas de se manter o que tem. Embora forçando aparentar uma aparência mais velha da qual ainda não possui, Portiman cumpre o seu papel com louvor até o fim da projeção e não se intimidando na presença de talentos como John Hurt e nos presenteando com uma interpretação intensa e digna de nota.
Com uma reconstituição de época que se entre cruza com cenas reais daquele período, Jackie é um pequeno retrato de uma mulher da qual viu as suas fantasias se estilhaçarem, mas ao mesmo tempo, lhe fez acordar para o mundo real e sem máscaras. 



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