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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Cine Dica: Em Cartaz: DE CABEÇA ERGUIDA


Sinopse: A juíza Florence Baque (Catherine Deneuve) conhece Malony (Rod Paradot) quando tinha apenas seis anos, devido à negligência de sua mãe (Sara Forestier) em cuidá-lo. Os anos passam e Malony torna-se um jovem delinquente, que rouba carros e agride as pessoas à sua volta, tanto verbalmente quanto fisicamente. Diante da situação, a juíza o encaminha para um centro de recuperação de delinquentes juvenis e ele passa a ter Yann (Benoît Magimel) como tutor. Obrigado a seguir as novas regras, Malony faz o possível para manter sua liberdade e intransigência.


Em tempos de crise política no Brasil, é curioso observar que surgem sempre políticos que, se dizem a serviço do povo, mas está mais interessado em pegar a onda do momento e conseguir votos futuros vindos de eleitores cegos e desesperados por mudanças. Recentemente foi lançado o projeto lei que diminuí a maioridade penal para 16 anos, o que desencadeou uma briga sem precedentes entre aqueles que aprovam e protestam. Infelizmente aqueles que desejam que essa lei seja aprovada, se esquecem que a formação do jovem, e no que ele irá se transformar no decorrer dos anos começa através da educação que eles têm em sua casa, mas ao invés disso, ficam pregando que a delinqüência nasceu com ela ou que surgiu simplesmente de uma hora pra outra.
Enquanto esse debate sem fim prossegue em nosso país, na França se nota o quanto eles se preocupam na formação do jovem, principalmente no que é visto no serviço público. Filmes como Entre os Muros da Escola e Polissia retratam muito bem isso, aonde assistimos profissionais que, encaram todos os motivos para desistirem dessa geração, mas encontram sempre esperança em um lugar que não existe mais ela. Dirigido pela também atriz Emmanuelle Bercot, Cabeça Erguida talvez venha futuramente a formar uma espécie de trilogia do serviço público francês ao lado dos dois filmes citados acima, mas alfinetando num ponto mais delicado, do qual muitos profissionais da área desistem antes de começar, mas há uns que ainda acreditam que podem sim fazer uma diferença.
Na trama, acompanhamos os dez anos de cruzada rebelde de Malony (Rod Paradot, ótimo) que, devido a sua jovem mãe negligente (Sara Forestier) se transforma num garoto rebelde e que não excita em provocar certos delitos como roubar carros e agredir as pessoas, tanto fisicamente como verbalmente. Cabem os esforços de uma juíza (Catherine Deneuve) e do tutor Yann (Benoît Magimel) colocarem o rapaz nos trilhos, nem que isso leve até mesmo anos para ser feito. Do decorrer do filme, se percebe que essa missão não será das mais fáceis. 
Malony é uma entidade rebelde incontrolável da natureza, mas que não podemos culpá-lo pelo que ele é, mas sim analisar porque ele chegou nessa situação. Claro que seria fácil culpar a sua mãe então, mas também ela teve uma vida difícil, se casando muito nova e tendo filhos prematuramente e mal sabendo como educá-los. O filme adentra no miolo da situação, aonde atos e consequências se tornam o princípio para esses personagens se perderem no percurso da vida e que somente com uma ajuda de uma mão amiga é que eles poderão então finalmente encontrar o caminho de volta aos trilhos.
Embora seja um estreante, Rod Paradot dá um verdadeiro show de interpretação e simplesmente rouba a cena com o seu personagem Malony, mesmo quando contracena com atores e atrizes de grande talento como Deneuve. Porém, Benoît Magimel também se sobressai quando entra em cena, pois ele consegue passar o quanto o seu personagem Yann sofre, transitando entre ajudar o rapaz, mas ao mesmo tempo sofrendo na falta de fé que o abate às vezes. Malony nada mais é para Yann do que um reflexo do que ele já foi um dia, o que faz com que ele enfrente demônios interiores dos quais já estava adormecido.
No final das contas, os erros do passado de uns influencia os erros de outros no presente, mas da mesma forma servem como exemplo para o que não se deve fazer. Num determinado momento no filme, alguém diz que colocar criança no mundo não é um brinquedo, o que desencadeia o surgimento de um fio de esperança a partir desse pensamento. Ligando a isso, a cena final com certeza está entre os melhores momentos do filme, pois ela sintetiza o quão é necessário nós errarmos, para sim amadurecermos e ensinarmos o que for de melhor para a nossa futura geração.
Apelidado por alguns como “Os Incompreendidos do século 21” De Cabeça Erguida é um filme que retrata uma realidade que talvez esteja a poucos metros de você. Resta saber se você é apto em estender a mão para ajudar, ou simplesmente dizer uma palavra boa para reconfortar. 

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