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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Cine Dica: PROGRAMAÇÃO CINEBANCÁRIOS 18 A 23 DE JUNHO

 "Quinze dias”, adaptação de livro bestseller, estreia no CineBancários em 18 de junho ÀS 19h

A jornada de autodescoberta de Felipe, protagonista do fenômeno literário ‘Quinze Dias’, de Vitor Martins, ganhou adaptação para os cinemas, com estreia marcada para 18 de junho na sessão das 19h no CineBancários. Com direção de Daniel Lieff (“Tremembé, A Prisão dos Famosos”, "Alice & Só", “Últimas Férias”) e roteiro assinado por Ray Tavares (“De Volta aos 15”) e Vitor Brandt (“Caramelo”, “As Five”), o filme tem como fio condutor temas como aceitação, insegurança, gordofobia, homofobia e bullying.

“Quinze Dias” apresenta a premissa que cativou milhares de leitores do bestseller: o plano de férias perfeitas de Felipe, vivido pelo estreante Miguel Lallo, é interrompido quando sua mãe Rita (Débora Falabella) anuncia que o vizinho Caio (Diego Lira) passará 15 dias hospedado em sua casa. Completam o elenco Mariana Santos, Silvio Guindane, Olivia Araújo, Mika Soeiro, Bel Moreira, Fernando Caruso, Augusto Madeira, Márcio Vito, João Pedro Chaseliov, João Gabriel Marinho e Victor Galisteu.

Com uma narrativa que navega entre o drama dos conflitos internos de Felipe e o frescor de uma descoberta amorosa, “Quinze Dias” é produzido por Renata Brandão e Juliana Capelini, com produção da Conspiração e distribuição da Manequim Filmes.

Já na sessão das 17h,  permanece o filme iraquiano O BOLO DO PRESIDENTE  e ás 15h o nacional CRIADAS.


HORÁRIOS 18 a 24 de junho CINEBANCÁRIOS:


ESTREIA:

19h - QUINZE DIAS  (Não haverá sessão no dia 24/6, em função do jogo do Brasil na Copa do Mundo)

Brasil/Drama, Romance/2026/100 min.

Direção: Daniel Lieff

Sinopse: Felipe é um garoto gordo e tímido que sofre bullying na escola. Ele aguarda pelas férias de julho desde o início das aulas. Afastado dos colegas que o maltratam, Felipe finalmente vai poder se dedicar somente ao que gosta: livros e séries. Mas as coisas fogem do controle quando sua mãe informa que concordou em hospedar o vizinho Caio por longos quinze dias, enquanto seus pais viajam. Felipe entra em desespero porque Caio foi sua primeira paixãozinha na infância (e talvez ainda seja). Inseguro, Felipe não sabe como interagir com o vizinho. Os dias que prometiam paz e tranquilidade acabam trazendo um turbilhão de sentimentos, fazendo Felipe mergulhar em todas suas questões e inseguranças. Apesar das diferenças, ou por causa delas, os dois acabam se reaproximando e vivendo uma jornada de autodescoberta mútua.

Elenco: Miguel Lallo, Diego Lira, Débora Falabella, Mariana Santos, Silvio Guindane, Olívia Araújo, Mika Soeiro, Bel Moreira, Augusto Madeira, Fernando Caruso, Márcio Vito, João Gabriel Chaseliov,  João Gabriel Marinho, Victor Galisteu


EM CARTAZ:


15h: CRIADAS

Brasil/Drama/2025/105min

Direção: Carol Rodrigues

Sinopse: Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou ali como empregada residente para os pais de Mariana. Embora tenham sido criadas juntas, Sandra, negra de pele escura, e Mariana, negra de pele clara, viveram aquela casa de formas muito diferentes. Ao se reconectarem, memórias há muito enterradas tomam forma ao redor delas. Fantasmas da infância, da ancestralidade, de um amor que nunca foi embora completamente.

Elenco:Ana Flavia Cavalcanti, Mawusi Tulani, Sarito Rodrigues, Ivy Souza, Rudmira Fula


17h: O BOLO DO PRESIDENTE

Iraque/Drama/2025/105min.

Direção: Hasan Had

Sinopse:No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário. Lamia, de apenas 9 anos, tenta escapar da tarefa, mas acaba sendo escolhida entre os colegas. A menina, então, precisa recorrer à sua criatividade para conseguir os ingredientes e cumprir a missão de preparar o bolo imposto pelas autoridades.

Vencedor do prêmio Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes. Elenco: Baneen Ahmad Nayyef, Sajad Mohamad Qasem, Waheed Thabet Khreibat, Rahim AlHaj


Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas.


CineBancários

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail cinebancarios@sindbancarios.org.br


Amanda Zulke 

CineBancários | SindBancários 

(51) 3030-9400 | (51) 99920-6484

terça-feira, 16 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Criadas'

Sinopse: O reencontro de Sandra, uma engenheira civil negra, e Mariana, sua prima de pele clara.

O cinema de horror psicológico frequentemente usa o elemento sobrenatural apenas como pano de fundo, enquanto os dilemas reais do mundo são colocados à prova. A "Trilogia do Apartamento", comandada pelo diretor Roman Polanski, por mais ingredientes de horror que possua, nada mais é do que um estudo sobre os limites da mente humana. "Criadas" (2026) também fala sobre fantasmas do passado, mas eles não vêm necessariamente dos mortos; surgem, na verdade, da raiva e dos arrependimentos.

Dirigido por Carol Rodrigues, o filme conta a história do reencontro de Sandra (Mawusi Tulani) e Mariana (Ana Flavia Cavalcanti). Duas mulheres negras — uma retinta e outra de pele clara — que voltam a morar juntas após vários anos. Agora como engenheira civil, Sandra precisa retornar a São Paulo, mais especificamente para a casa em que cresceu, local onde sua mãe trabalhou como empregada doméstica para a família de sua prima, Mariana. Ali, Sandra busca por uma foto antiga e percebe que o único lugar para encontrá-la é justamente o ambiente que serviu como espaço de apagamento e trabalho. Porém, à medida que memórias são desenterradas, um incômodo profundo surge entre as duas, além da iminência de eventos estranhos começarem a acontecer na casa.

Já no início, Carol Rodrigues brinca com as expectativas do público em relação à trama: uma das protagonistas desaparece por alguns momentos, fazendo com que a outra caminhe solitária pelos cômodos. É a partir desse instante que passamos a sentir um clima mórbido, como se os objetos do ambiente guardassem lembranças que ambas procuram evitar. No entanto, essas memórias surgem em cena não como flashbacks, mas de corpo presente, tornando a atmosfera do mistério ainda mais palpável e instigante de se observar de perto.

O filme, por si só, fala sobre um Brasil de ontem e de hoje, no qual o racismo estrutural se faz presente em cada fresta. Contudo, essa estrutura se manifesta de forma complexa através da própria dinâmica familiar, onde Mariana, por ter a pele clara e ter usufruído de certos privilégios e regalias no decorrer da vida, passou a reproduzir dinâmicas de subserviência com a prima e a tia, tratando-as quase como empregadas, mesmo pertencendo à mesma família. É um retrato contundente de como o sistema capitalista e o colorismo fazem com que as pessoas se distanciem de suas verdadeiras raízes assim que sobem um degrau na escala social, mesmo que isso não ocorra de forma intencional.

Fora do eixo familiar, o racismo estrutural também transborda em uma cena de festa, onde olhares e comentários velados revelam um Brasil conservador e retrógrado. É impossível não se incomodar, por exemplo, quando um determinado personagem demonstra interesse por Sandra no decorrer do evento, mas logo revela seu preconceito ao duvidar do parentesco dela com Mariana, pelo fato de as duas terem tons de pele diferentes. Aqui não há ficção, mas sim o reflexo de um absurdo que ainda alimenta o nosso cotidiano.

Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti entregam atuações brilhantes. A primeira transmite com precisão o conflito de identidade interna de Sandra, enquanto a segunda constrói uma Mariana que tenta a todo custo reprimir uma mágoa histórica. Uma vez que esses sentimentos não são exteriorizados, o passado cobra o seu preço, manifestando-se tanto na estrutura física da casa quanto no peso das lembranças. Estas últimas, inclusive, revelam-se muito mais difíceis de enfrentar do que qualquer assombração, dada a complexidade dos sentimentos humanos quando postos à prova.

Carol Rodrigues opta por construir elementos subliminares e metafóricos em vez de explicações puramente didáticas. O ato final, por exemplo, pode dividir opiniões quanto à sua mensagem imediata, mas, no meu entendimento, propõe que, quando o passado se torna um fardo intransponível, cabe a nós destruí-lo para que algo novo floresça e as cicatrizes emocionais possam, enfim, fechar-se permanentemente. Para que as barreiras do preconceito caiam, as velhas estruturas precisam ser demolidas — e é por isso que o minuto final se torna tão simbólico.

"Criadas" é um excelente exemplar de suspense psicológico em que o verdadeiro mal não se esconde nas sombras, mas sim nos muros invisíveis que construímos à nossa volta.

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Cine Dica: Newsletter de 18 a 24 de junho de 2026

Cinema brasileiro em destaque, sessão especial de Vento Norte e Madrugada do Prazer

Entre os dias 18 e 24 de junho, a Cinemateca Capitólio apresenta uma programação dedicada ao cinema brasileiro, com destaque para a mostra A Cinemateca é Brasileira – Da comédia ao drama, que reúne 23 títulos com entrada franca. A seleção percorre diferentes períodos, linguagens e gêneros da produção nacional, incluindo comédia, documentário, animação, ficção científica, horror e filmes de circulação rara.

Na sexta-feira, 19 de junho, às 19h, em comemoração ao Dia do Cinema Brasileiro, acontece a primeira exibição em Porto Alegre da versão restaurada de Vento Norte (1951), de Salomão Scliar. Considerado o primeiro longa-metragem ficcional com som sincronizado produzido no sul do país, o filme retorna em sessão especial com entrada gratuita.

No sábado, 20 de junho, às 18h30, a programação recebe mais uma Sessão AAMICCA, com exibição de Últimas Conversas (2015), último trabalho realizado a partir do material filmado por Eduardo Coutinho. Após a sessão, haverá conversa com Felipe Diniz e Juliana Costa, com mediação de Laura Galli.

Ainda no sábado, a partir das 23h, acontece a Madrugada do Prazer, programação dedicada ao prazer e às formas de representação dos desejos no cinema. A seleção inicia com curtas queer brasileiros contemporâneos, passa por Emmanuelle, A Verdadeira (1974), clássico dirigido por Just Jaeckin, segue com a pornochanchada A Fêmea do Mar (1981) e encerra com um filme-surpresa.

Também entram em reta final as exibições de Dolores (2025), dirigido por Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes, longa que dá continuidade ao projeto iniciado por Chico Teixeira na chamada Trilogia dos Afetos.

Confira a programação completa da cinemateca clicando aqui. 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Cine Dica: Em Cartaz – 'Dia D'

Sinopse: Acompanha o colapso global quando um evento inexplicável, transmitido ao vivo na TV, revela que os governos escondem a existência de vida extraterrestre há quase um século, desencadeando pânico e uma crise sem precedentes.

Durante a década de 1950, Hollywood lançou dezenas de filmes sobre monstros radioativos e invasores do espaço. Tudo funcionava como uma espécie de metáfora da paranoia da Guerra Fria, época em que o temor perante o comunismo era tamanho que os norte-americanos mal sabiam o real significado da palavra, embora tivessem certeza de que ela deveria ser temida. Porém, houve um longa-metragem que seguiu pelo caminho inverso dessa tendência.

"O Dia em que a Terra Parou" (1951), de Robert Wise, trazia um alienígena como protagonista que buscava um meio de alertar a humanidade para alcançar a paz, evitando que as pessoas fossem aniquiladas pelas próprias ações errôneas daquele período. Um filme à frente de seu tempo e que, com certeza, influenciou diversos futuros diretores, como é o caso de Steven Spielberg. Sonhador como poucos, o cineasta construiu sua carreira inspirado no que ouviu e assistiu na infância e na adolescência, resultando em verdadeiras obras-primas.

Longas como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (1977) e "E.T.: O Extraterrestre" (1982) revelavam o lado pacífico desses seres espaciais, e o realizador incrementava a narrativa com um realismo que até hoje impressiona e fascina. Spielberg só voltaria a explorar o mundo dos aliens em "Guerra dos Mundos" (2005) que, revisto hoje, funciona como uma clara metáfora do temor norte-americano após o 11 de Setembro. Vários anos depois, eis que o cineasta nos entrega "Dia D" (2026), obra que caminha de mãos dadas com os dias atuais, nos quais cada vez mais tememos pelo amanhã.

Na trama, Emily Blunt interpreta Margaret, uma apresentadora de telejornal que, certo dia, começa a falar uma língua estranha ao vivo. Ao mesmo tempo, Daniel Kellner (Josh O'Connor) e sua namorada Ane Blankenship (Eve Hewson) possuem arquivos valiosos que revelam que o governo dos EUA sempre teve contato com seres alienígenas, mas escondia o fato da população. Porém, uma organização secreta liderada por Noah Scanlon (Colin Firth) está disposta a tudo para que essas informações não vazem em hipótese alguma.

Steven Spielberg prova neste filme por que é sempre apontado como um dos melhores diretores de todos os tempos; é impressionante a sua qualidade de direção. Além dos jogos de luz e sombra corriqueiros de sua filmografia, é incrível como o realizador faz sua câmera navegar com fluidez. Em diversas cenas, momentos de perseguição automobilística se tornam sufocantes, transmitindo peso e um elevado grau de perigo. Além disso, são espantosos alguns planos-sequência em que algo sempre é mostrado ao fundo do quadro, sem nunca perder o foco no protagonista que busca não ser visto pelos algozes.

Essa é uma prova mais do que bem-vinda de que o diretor continua um grande contador de histórias e um mestre na elaboração de grandes sequências. Em tempos nos quais o CGI dá sinais de desgaste a todo momento, impressiona como o realizador se preocupa em criar momentos verossímeis que prendem o espectador na poltrona imediatamente: a cena do trem, por exemplo, já nasce como uma das melhores sequências de ação do ano.

Porém, acima de tudo, "Dia D" é um filme moldado por personagens extremamente humanos, jogados em situações que eles mesmos buscam compreender. Se por um lado há Daniel, que fará de tudo para revelar a verdade às pessoas, por outro, Ane teme que isso destrua a fé da população, principalmente diante da iminência de uma inevitável Terceira Guerra Mundial. Noah Scanlon, por sua vez, não é um vilão convencional; suas motivações para acobertar a verdade fazem sentido, deixando no ar a grande pergunta: o ser humano está realmente disposto a encarar o fato de que não está sozinho no universo?

Mas, de todos os personagens, é Margaret quem se torna a nossa representação na trama, já que é uma cidadã comum que se vê em uma situação difícil de explicar. Curiosamente, sua jornada remete à do personagem de John Travolta no filme "Fenômeno" (1996), visto que ambos manifestam poderes similares. Porém,  Emily Blunt se sobressai na comparação.

Chamando a atenção inicialmente no longa "Meu Amor de Verão" (2004) e se consagrando em "O Diabo Veste Prada" (2006), Blunt entrega aqui uma das melhores atuações de sua carreira. Sua Margaret é cheia de vida e espirituosa, mas não esconde as lembranças que a assombram e a fazem temer o futuro. No momento em que ela abre sua mente de forma inédita, temos a impressão de que esse gatilho também é acionado em nós, tamanha a facilidade com que a intérprete nos faz identificar com a personagem em sua total plenitude.

Também é interessante observar a maneira como o diretor explora a presença dos alienígenas. Sendo inicialmente sugeridos por meio de animais que surgem na trama, os seres espaciais aparecem de forma gradual. O diretor demonstra uma predileção pelo minimalismo, apostando no que é sugestivo para dar maior peso dramático aos momentos. Quando as criaturas finalmente surgem — principalmente em um flashback revelador —, o momento impressiona, mesmo que cause a leve impressão de ser algo parecido com o que já vimos em outras obras.

Se há um ponto falho no roteiro, é a maneira como a grande revelação é feita. Em tempos de informação instantânea via internet, fica difícil aceitar que o papel das redes televisivas tradicionais ainda seja tão primordial hoje em dia, quando grandes eventos como a Copa do Mundo já não atraem a massa da mesma forma. Ainda assim, as cenas reveladas através da TV, para posteriormente serem espalhadas pelas redes mundiais, impressionam pelo realismo e passam a sensação de que já havíamos testemunhado aquelas imagens em algum momento de nossas vidas.

Em suma, é um filme que chega exatamente no momento em que não sabemos ao certo como será o amanhã, pois vivemos com grandes potências em conflito, desenhando um cenário cada vez mais sombrio. Assim como o clássico "O Dia em que a Terra Parou", Steven Spielberg surge com esta obra para nos fazer parar por um momento. Ele nos força a questionar se somos evoluídos o bastante para voltar a olhar para o céu, ou se estamos predestinados a um fim amargurado através da extinção. A mensagem foi dada; o que falta é colocá-la em prática.

"Dia D" traz o Steven Spielberg dos velhos tempos, onde fantasia, fé e reflexão se unem para nos fazer pensar sobre nós mesmos e sobre o declínio do mundo atual.

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domingo, 14 de junho de 2026

Cine Dica: Streaming – 'Spider-Noir'

Sinopse: O detetive particular Ben Reilly é contratado para casos simples, até que gângsteres, monstros e uma misteriosa femme fatale tecem uma teia que o obriga a confrontar seu passado como o único super-herói de Nova York: O Spider.

As adaptações de HQs de super-heróis para o cinema encontram-se desgastadas hoje, e não adianta esconder o fato de que a principal culpada por isso seja a própria Marvel. Misturando humor com aventura, essa fórmula prevaleceu até "Vingadores: Ultimato" (2019), mas, após isso, foi ladeira abaixo. Para a TV, ao menos, algumas pérolas precisam ser reconhecidas, como nos casos de "WandaVision"(2021),"Agatha Desde Sempre" (2024) e, mais recentemente, "Demolidor: Renascido" (2026).

Outro fator determinante para essa queda vertiginosa é a insistência do estúdio em interligar todas as produções, ao ponto de o espectador desejar assistir a um título, mas ser obrigado a ver outro para entender o contexto. Por conta disso, a Marvel muitas vezes deixa de fazer cinema para vender um produto dependente de outro, e mais outro, chegando ao ponto da saturação e fazendo o público se perguntar onde o estúdio errou. Felizmente, não é o que acontece com "Spider-Noir" (2026), que não somente explora uma versão alternativa do personagem clássico, como também respira de forma independente, sem o auxílio de qualquer série ou filme vizinho.

Desenvolvida por Oren Uziel, a série é baseada no personagem Homem-Aranha Noir, que originalmente apareceu nos quadrinhos da Marvel Comics e ganhou grande destaque na animação "Homem-Aranha no Aranhaverso" (2018). Na produção live-action, Nicolas Cage dá vida ao herói aracnídeo dos anos 1930 em uma fase de decadência. Reilly trabalha como investigador particular enquanto contempla seu passado como o outrora único super-herói de Nova York.

Tanto no cinema quanto nas HQs, se o multiverso for usado de forma bem pensada, pode sim gerar boas histórias. É sempre interessante pegar um personagem clássico e colocá-lo em uma situação inédita, ou modificá-lo para apresentar uma nova faceta ao público. É exatamente isso o que acontece com este Homem-Aranha dos anos trinta que, além de possuir uma história fechada e bem amarrada, presta uma bela homenagem a épocas douradas do entretenimento.

Para começar, a figura do herói é toda inspirada nos primórdios das HQs das décadas de 1930 e 1940, que normalmente eram protagonizadas por figuras misteriosas como "O Sombra". Eram tempos em que luzes e sombras moldavam as narrativas, trazendo pinceladas investigativas que tornavam a leitura um verdadeiro prazer. Tempos mais inocentes, mas que dava gosto de apreciar.

Visualmente, a série não só reverencia esse período dos quadrinhos, como também é um grande tributo ao subgênero cinematográfico noir, que teve seu ápice entre os anos 1940 e 1950. O detetive Ben de Nicolas Cage nada mais é do que uma versão caricata — no bom sentido da palavra — do personagem Sam Spade, interpretado por Humphrey Bogart no clássico "Relíquia Macabra" (1941). Foi um período em que os filmes eram moldados em preto e branco, onde o claro-escuro dava o tom da narrativa, tornando a atmosfera mais pesada e sedutora na medida certa.

Curiosamente, a série foi concebida originalmente em preto e branco para sintetizar essa época, mas conta com o recurso para que os fãs possam assisti-la também colorida, cuja fotografia remete aos primórdios do Technicolor no cinema. E se você estranhar determinadas cenas fora dos padrões, com a câmera inclinada, saiba que isso é proposital: o famoso "ângulo holandês", muito visto neste tipo de subgênero. Nada mal para uma série de televisão respirar cinema como um todo.

Colecionando diversos fracassos (e alguns sucessos) recentes, Nicolas Cage desta vez acerta em cheio ao interpretar um personagem que se encaixa como uma luva para ele. Seu Homem-Aranha é uma figura quebrada, distante dos dias de glória e sucumbindo às vezes na bebida. Ou seja, um herói falho com quem a gente se identifica e se diverte quando ele se mete nas mais diversas enrascadas.

É interessante observar que aqui não há um humor bobo, mas sim sombrio, ácido e que não tem medo de explorar territórios mais maduros. Além disso, a clássica femme fatale dos filmes de antigamente é muito bem representada pela atriz Li Jun Li, que desde a primeira cena deixa claro que não é alguém em quem se deva confiar. Os vilões, por sua vez, são figuras familiares do universo tradicional do Homem-Aranha, mas apresentados de forma bem mais obscura, liderados pelo Silvermane (Cabelo de Prata), interpretado de maneira formidável por Brendan Gleeson.

Dito isso, a série chega em um momento de incertezas para o gênero de super-heróis, no qual os realizadores parecem não saber ao certo como agradar a um público mais exigente. Spider-Noir, ao menos, não soa pretensiosa; seu intuito é nos brindar com uma aventura policial à moda antiga, sem a preocupação de lançar ganchos para interligar outras obras. Nunca é demais uma produção saber andar com as próprias pernas.

Com um episódio final que faz uma belíssima referência ao clássico "A Dama de Xangai" (1947), do diretor Orson Welles, "Spider-Noir" é o exemplo perfeito de que o gênero ainda tem muito a oferecer, desde que seja conduzido por mãos talentosas.

Onde Assisitir:  Prime-video 

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Cine Dica: Cine Dica: Próxima Atração do Cine Clube Torres -'Submarino'

 Segunda dia 15, às 20h, o Cineclube Torres vai exibir o filme dinamarquês "Submarino" (2010) de Thomas Vinterberg.

É a terceira sessão do ciclo dedicado à produção audiovisual de países nórdicos europeus, na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo. O filme, do diretor dinamarquês Thomas Vinterberg, representa, ainda que parcialmente, a fase estética do Dogma 95, filmado com câmara na mão e sem excessivo cuidado formal, como em "Festa de Família", do mesmo autor, exibido ano passado.

E assim como em "Festa de Família", os traumas de infância definem o fracasso e a desfuncionalidade dos personagens de Submarino: dois irmãos se encontram no funeral de sua mãe, cada um num caminho de autodestruição, ambos assombrados por uma tragédia ocorrida em sua juventude."Submarino mergulha lá no fundo da alma humana, onde ela praticamente se perde pelo caminho e esquece de deixar a guia para conseguir voltar à superfície. De tão real, é capaz de te levar também para as profundezas e impedir que você aprecie a beleza do filme. Apesar de ser tão cruel. (Cine Garimpo).

A sessão será realizada na Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, na rua Pedro Cincinato Borges 420, em parceria com a Up Idiomas Torres e com entrada franca até a lotação do espaço. O Cineclube Torres é uma associação sem fins lucrativos, em atividade desde 2011; Ponto de Cultura certificado pela Lei Cultura Viva federal e estadual; Ponto de Memória pelo IBRAM; Biblioteca Comunitária no Mapa da Cultura, Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística certificada pelo Ministério do Turismo (Cadastur); Selo Destaque no Turismo da Georrota Cânions do Sul.



Serviço:

O que: Exibição do filme "Submarino" (2010) de Thomas Vinterberg

Onde: Sala Audiovisual Gilda e Leonardo, junto à escola Up Idiomas, Rua Cincinato Borges 420, Torres

Quando: Segunda-feira, 15/6, às 20h

Ingressos: Entrada Franca, até lotação do local (aprox. 22 pessoas).

Cineclube Torres

Associação sem fins lucrativos

Ponto de Cultura – Lei Federal e Estadual Cultura Viva

Ponto de Memória – Instituto Brasileiro de Museus

Sala de Espetáculos e Equipamento de Animação Turística - Cadastur

CNPJ 15.324.175/0001-21

Registro ANCINE n. 33764

Produtor Cultural Estadual n. 4917

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'Três Mulheres'

 Nota: Filme visto pelos associados no dia 30/05/26


Quando se pensa no cinema sueco, imediatamente se pensa em Ingmar Bergman. Ao longo de sua impecável carreira, o realizador criou filmes enigmáticos nos quais falava sobre si mesmo, sobre sonhos, solidão, comportamento e até o papel da religião na vida do ser humano. Não é à toa que o cineasta serviu de inspiração para realizadores no mundo inteiro.

Woody Allen, por exemplo, bem que tentou em "Interiores" (1978), mas alcançou um equilíbrio perfeito entre a homenagem e sua própria visão autoral em "Crimes e Pecados" (1989). Já o nosso Walter Hugo Khouri chegou bastante perto da essência de Bergman através de "Noites Vazias" (1964). Contudo, é de surpreender o resultado final de "Três Mulheres" (1977). Talvez um dos títulos menos conhecidos da filmografia de Robert Altman, quando revisto, torna-se notório que o realizador buscou inspiração na obra do diretor sueco.

Robert Altman nunca se prendeu a uma única assinatura visual ou temática na realização de suas obras; preferia experimentar todos os gêneros que lhe dessem na telha, importando-se pouco se o resultado seria um sucesso ou um fracasso de bilheteria. Não foi alguém que se entregou aos padrões convencionais de Hollywood, tanto que seus títulos mais conhecidos diferem drasticamente entre si. Basta pegarmos obras como "M.A.S.H." (1970) e "Nashville"(1975) para termos um bom exemplo disso.

Segundo as próprias palavras do realizador, ele fez Três Mulheres inspirado em um sonho incomum que teve em uma determinada noite. Na trama, Pinky Rose (Sissy Spacek) é uma jovem que acaba de conseguir um emprego em um spa de idosos. Mildred (Shelley Duvall) é a encarregada de orientar Pinky sobre o serviço. A jovem se encanta por Millie e logo se torna sua amiga. Ironicamente, ninguém gosta de Millie, mas ela tenta passar a imagem de ser muito popular. Pinky fica cada vez mais dependente da nova amiga, mas essa ligação obsessiva ameaça se romper quando ela vê que Millie levou para o apartamento Edgar Hart (Robert Fortier), um cowboy casado com Willie Hart (Janice Rule), uma artista local que está grávida.

Através da relação entre as duas protagonistas, Robert Altman faz uma síntese de um período de mudanças comportamentais que já vinha ocorrendo há algum tempo em solo norte-americano, mesmo que uma sociedade conservadora tentasse negar. Pinky é a representação da jovem que busca desabrochar espelhando-se em alguém que admira, mas sem saber ao certo como conquistá-la. Já Millie é alguém que insiste em se manter no lado convencional da sociedade, enganando a si mesma e perdendo a própria identidade. Curiosamente, o acidente que Pinky sofre na piscina funciona como uma válvula de escape, e é a partir daí que o filme muda completamente.

É neste ponto que a obra me faz relembrar "Persona" (1966), no qual Ingmar Bergman brinca com a dualidade e as identidades reais de suas protagonistas. No caso deste longa, Altman lança diversas teorias sobre as reais personalidades e intenções de suas personagens, onde o sonho se torna uma peça desse mistério — mas sem ser exatamente primordial, para dizer o mínimo. Quem assiste nunca obtém uma resposta fácil, mas, ao revisitarmos a obra, nota-se o quanto o filme cresce à medida que levantamos novas possibilidades.

Curiosamente, a personagem de Janice Rule seria a terceira mulher do título, embora tenha menos tempo de tela. Porém, seu papel acaba se tornando fundamental para a movimentação das peças dentro da trama, já que ela é ambígua, de poucas palavras e exerce um curioso trabalho com suas pinturas. Estas, por sua vez, funcionam como uma referência ao status de cada personagem no decorrer da história, ou simplesmente representam os demônios interiores que aquelas mulheres buscam conter.

No meu entendimento, este é um filme que fala sobre o vazio das mulheres em um período no qual o lado hipócrita e abusivo do homem já estava desgastado demais para ser tolerado. Ao mesmo tempo, reflete tempos em que as mulheres lutavam por posses e independência individual, quando, na verdade, o verdadeiro poder se encontrava na união entre elas, em um mundo que se tornava cada vez mais cruel e desumano. O ato final me despertou esse pensamento, mas claro que posso estar errado, e talvez tenha sido exatamente esse efeito de ambiguidade que Robert Altman queria obter de quem assistisse ao seu enigmático enredo.

"Três Mulheres" talvez tenha sido uma homenagem indireta de Robert Altman a Ingmar Bergman, mas que se tornou algo único e enigmático através dos anos, conquistando a sua própria identidade no cinema.


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