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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'O Gosto de Cereja'

 Nota: Filme exibido para os associados no último sábado (10/01/26).

Infelizmente eu fui somente conhecer  Abbas Kiarostami  a partir do filme "Cópia Fiel" e do qual me enfeitiçou em uma distante sessão orquestrada pelo jornal ZH. De lá pra cá, logicamente, fui conhecendo os seus feitos e fazendo com que eu adentrasse ainda mais o cinema iraniano como um todo. Pode-se dizer que se não fosse por  Abbas Kiarostami, somente ficaria conhecendo o Irã pelo lado parcial do cinema norte americano, ou até mesmo pela imprensa sensacionalista como um todo.

No cinema de  Kiarostami  não há pressa para apresentação da trama, sendo que em muitos momentos a ficção transita para um lado documental e fazendo com que não tenhamos uma dimensão exata de onde começa e onde termina o que é real. Claro que o cinéfilo mais atento irá notar atores amadores, ou simplesmente pessoas comuns que cruzam em seus projetos, mas que acabam dando um acréscimo a mais para render um grande espetáculo. "O Gosto de Cereja" (1997) talvez seja uma das obras mais pessoais do diretor e revelando um pouco de sua pessoa.

Na trama, um homem (Homayoun Ershadi) viaja pelos campos, tentando angariar trabalhadores avulsos para satisfazer seus desejos reprimidos: Ele procura alguém que o ajude a morrer, mas vive em uma sociedade onde suicídio é uma abominação. No decorrer dessa busca ele acaba por ouvir a opinião de alguns e a repulsa de outros com relação ao seu pedido inusitado.

Antes desse filme Kiarostami já tinha uma predileção em contar tramas em que o protagonista dirige um carro e nos convida para adentrar em uma trama que é apresentada aos poucos. Basta pegarmos, como exemplo, o longa "A Vida Continua" (1993), obra que transita muito mais pelo lado documental, já que testemunhamos um Irã ainda se reestruturando devido a um terremoto devastador. Curiosamente, o realizador vai justamente na cidade para reencontrar os atores de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" 1987) e vê-los se estão todos bem.

No caso de "O Gosto de Cereja" vemos através do protagonista um Irã sempre em  movimento, seja em uma pedreira, em uma usina ou em um determinado quartel. O protagonista somente observa esses lugares e busca uma forma de convencer alguém a lhe fazer um trabalho inusitado e do qual pode culminar no seu último dia neste mundo. O protagonista não revela aos seus passageiros mais ou menos o que quer, mas causando reações distintas de cada um e fazendo com que o longa se torne ainda mais verossímil na medida em que a trama avança.

Obviamente se percebe que não vemos atores em cena, mas sim pessoas comuns em meio ao trabalho, mas que são interrompidos pela chamada do protagonista. Ao meu ver, com certeza era o próprio diretor chamando as pessoas para se sentarem no banco de passageiro enquanto ele filmava a ação e reação dessas pessoas durante as suas perguntas. O resultado é de um verdadeiro assombro de genialidade e que revela muito mais do que se imagina dessas pessoas comuns, porém, com histórias que foram ou poderiam ter sido contadas se algumas tivessem atendido o seu pedido.

Homayoun Ershadi até então era um completo desconhecido no seu país de origem. Através desse longa, porém, ele se tornou um dos rostos mais marcantes do cinema de Kiarostami, ao construir para si um personagem que tem um único pensamento em acabar com tudo, mas tendo que obter ajuda e seguindo em uma cruzada em busca da pessoa ideal para colocar em prática esse feito. Na medida em que o tempo passa não queremos que ele encontre a pessoa certa, não porque queremos que ele continue com vida, mas sim para podermos apreciar ainda mais a sua jornada.

Assim como em suas demais obras, o diretor filma como ninguém as estradas de chão que levam os seus protagonistas para determinados lugares, ou simplesmente para lugar algum desde que a história continue. O último passageiro, por sua vez, não somente conta sobre a sua pessoa, como também dá um incentivo para que o protagonista busque uma razão para continuar vivendo, desde em prestar atenção ao céu, como também sentir o gosto de determinados alimentos que nós degustamos em determinada estação. o título do filme vem daí e obtendo um peso maior de significado.

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes na época, o filme dividiu opiniões, mas ganhando força através do tempo. O filme serviu até mesmo de inspiração para o próprio realizador em filmar outras tramas que ocorrem dentro de um automóvel, que vai ao filme "Dez" (2002) como também o já citado "Cópia Fiel". Curiosamente, isso também serviu de inspiração para outros diretores, como foi no caso de  Jafar Panahi ao  realizar o seu longa "Táxi de Teerã" (2015).

Com um final em aberto, mas ao mesmo tempo surpreendente, "Gosto de Cereja" é uma das obras mais pessoais de Abbas Kiarostami, do qual fala muito sobre a sua pessoa e sobre um Irã que o ocidente ainda não enxerga.  

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Cine Dica: Clube de Cinema: Veludo Azul (17/01 no Capitólio)

Existem filmes que assistimos e reassistimos, mas que nos causam um impacto profundo. Imagens que permanecem conosco para sempre. Veludo Azul, de David Lynch, é um deles. Às vésperas de datas simbólicas — no dia 16 de janeiro completa um ano da morte do cineasta, e no dia 20 ele celebraria mais um aniversário —, nosso encontro deste sábado se propõe como uma homenagem a um dos autores mais inquietantes, criativos e surreais do cinema.


Confira os detalhes da sessão:

SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA

📅 Data: Sábado, 17/01/2026, às 10h15 da manhã

📍 Local: Cinemateca Capitólio

Rua Demétrio Ribeiro, 1085 – Centro Histórico, Porto Alegre


Veludo Azul (Blue Velvet)

EUA, 1986, 120 min, 18 anos

Direção e roteiro: David Lynch

Elenco: Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern

Sinopse: Após encontrar uma orelha humana decepada em um terreno baldio, o jovem Jeffrey Beaumont se envolve em uma investigação que o conduz ao submundo violento e perverso de sua aparentemente tranquila cidade. Um thriller psicológico perturbador, onde o horror emerge do cotidiano e nada é exatamente o que parece.

Esperamos você para mais um encontro do CCPA, que promete ótimas conversas a partir desse filmaço.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 15 a 21 de janeiro de 2026

A cinesemana de 15 a 21 de janeiro destaca a estreia de ATO NOTURNO, novo título dos diretores gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher. Outra novidade que entra em cartaz é A USEFUL GHOST - UMA AJUDA DO ALÉM, comédia que tem como pano de fundo a espiritualidade do povo tailandês. Também daremos uma nova chance para MILONGA, filme argentino protagonizado pelos atores Paulina García e Cesar Troncoso.

Seguem em cartaz os filmes premiados no Globo de Ouro, incluindo O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, que venceu como melhor filme de língua não inglesa e melhor ator para Wagner Moura. Com SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA, Rose Byrne conquistou o prêmio de melhor atriz, enquanto VALOR SENTIMENTAL rendeu a Stellan Skarsgard o de melhor coadjuvante.

Esta é a última semana para conferir SORRY BABY, protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro, e NOUVELLE VAGUE, de Richard Linklater, indicado a melhor filme de comédia/musical na mesma premição. Outro filme que encerra suas exibições é o documentário CONVERSAS NAS ZONAS AZUIS, do diretor Gabriel Martinez, que investiga a longevidade em algumas regiões do planeta.

Confira a programação completa no site oficial da Cinemateca clicando aqui. 

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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (15/01/26)

 EXTERMÍNIO: O TEMPLO DOS OSSOS

Sinopse: Na continuação dessa história épica, Dr. Kelson (Ralph Fiennes) se encontra em uma nova e chocante relação – com consequências que poderiam mudar o mundo como eles o conhecem – e o encontro de Spike (Alfie Williams) e Jimmy Crystal (Jack O'Connell) se torna um pesadelo do qual ele não consegue escapar.

O BEIJO DA MULHER ARANHA

Sinopse: Valentín, um preso político, divide uma cela com Molina, um decorador de vitrines condenado por atentado ao pudor. Os dois formam um vínculo improvável enquanto Molina reconta o enredo de um musical de Hollywood estrelado por sua diva favorita do cinema, Ingrid Luna.


TOM & JERRY: UMA AVENTURA NO MUSEU

Sinopse: A dupla mais famosa do mundo está de volta! Tom & Jerry se envolvem em mais uma de suas aventuras quando, durante uma perseguição dentro de um museu, eles encontram um objeto mágico e acabam sendo transportados no tempo. Perdidos em uma época distante e vivendo muitas confusões pelo caminho, eles precisarão deixar as brigas de lado e trabalhar juntos para encontrar um jeito de voltar para casa antes que seja tarde.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Cine Dica: Cinemateca Capitólio - Programação do dia 15 a 21 de Janeiro

 Confira os horários na pagina oficial da Cinemateca clicando aqui. 


Ato Noturno

R$ 16,00

Brasil | 2025 | 119 minutos | DCP

Direção: Marcio Reolon e Filipe Matzembacher

Classificação: 14 anos

Um ator ambicioso e um político em ascensão vivem um caso em sigilo e, juntos, descobrem ter fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam da fama, mais intenso se torna o desejo de se colocarem em risco.


O Homem Invisível

The Invisible Man (Entrada franca)

EUA | 1933 | 71 minutos | DCP

Direção: James Whale

Classificação: Livre

Legendado

Um cientista encontra uma maneira de se tornar invisível, mas ao fazer isso, ele mergulha na insanidade. “Possivelmente o gênero que mais assistimos é horror, em especial dos anos 30, 40 e 50. E James Whale é o nosso preferido”.


A Noiva de Frankenstein

The Bride of Frankenstein (Entrada franca)

EUA | 1935 | 75 minutos | DCP

Direção: James Whale

Classificação: Livre

Legendado

Depois de se recuperar dos ferimentos causados por um criminoso ataque sobre si e sua criação, o Dr. Frankenstein planeja abandonar suas demoníacas experiências, mas quando um cientista louco, o Dr. Pretorius, sequestra sua esposa, ele precisa retomar seus experimentos e ajudá-lo na criação de uma companheira para a criatura.


Trenque Lauquen (Parte 1)

Entrada franca

ARG | 2022 | 119 minutos | DCP

Direção: Laura Citarella

Classificação: 14 anos

Após o estranho desaparecimento de Laura, dois colegas, seu namorado, Rafael, e Ezequiel, ficam sabendo de suas recentes descobertas, o que pode ajudá-los a localizá-la. No entanto, a história é mais complexa do que eles poderiam imaginar. Com mais de quatro horas de duração, Trenque Lauquen está claramente dividido em duas partes. A parte 1 será exibida no dia 17 de janeiro, sábado. No domingo, após a exibição da parte 2, acontece um debate com a participação da atriz e roteirista do filme, Laura Paredes, e do professor e crítico de cinema Milton do Prado.


Trenque Lauquen (Parte 2) + debate

Entrada franca

ARG | 2023 | 119 minutos | DCP

Direção: Laura Citarella

Classificação: 14 anos

Após o estranho desaparecimento de Laura, dois colegas, seu namorado, Rafael, e Ezequiel, ficam sabendo de suas recentes descobertas, o que pode ajudá-los a localizá-la. No entanto, a história é mais complexa do que eles poderiam imaginar. Com mais de quatro horas de duração, Trenque Lauquen está claramente dividido em duas partes. A parte 1 será exibida no dia 17 de janeiro, sábado. No domingo, após a exibição da parte 2, acontece um debate com a participação da atriz e roteirista do filme, Laura Paredes, e do professor e crítico de cinema Milton do Prado.


Beira-Mar

R$ 16,00

BRA | 2015 | 83 minutos | DCP

Direção: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon

Classificação: 14 anos

Martin e Tomaz viajam para o litoral gaúcho. Martin precisa encontrar um documento para o pai na casa de parentes, e Tomaz o acompanha. Abrigados em uma casa de vidro à beira-mar, eles tentam fugir da rejeição familiar de Martin e da estranha distância que surgiu entre os dois.


Pacto Sinistro

Strangers on a Train (Entrada franca)

EUA | 1951 | 101 minutos | DCP

Direção: Alfred Hitchcock

Classificação: 16 anos

Legendado

Um psicopata induz uma estrela do tênis a comprovar sua teoria de que dois estranhos podem escapar impunes de um assassinato. Inspirado no romance de estreia de Patricia Highsmith.

 “Hitchcock é um de nossos diretores favoritos, e certamente uma grande influência no nosso cinema, já desde alguns momentos de Tinta Bruta. Em Ato Noturno o filme que mais nos influenciou foi Intriga Internacional”.

Cine Dica: Em Cartaz - 'Agentes Muito Especiais'

Sinopse: Os agentes Jeff e Johnny sofrem preconceito por serem gays e desejam mostrar que conseguem estar na corporação, além de merecerem respeito, ao tentarem prender uma quadrilha, a "Bando da Onça".

“Agentes Muito Especiais”, dirigido por Pedro Antônio, até ensaia algumas ideias criativas, mas abandona cada uma delas na primeira curva da exposição. Por um lado, é interessante que o filme não perca fôlego com aquilo que não interessa diretamente à sua comicidade. O filme é dedicado a Paulo Gustavo e por conta disso sentimos a sua sombra como um todo.

Dito isso, é complicado dizer o quanto há de Pedroca Monteiro, que interpreta Johnny, tentando se inspirar no inesquecível ator, ou em que medida esse olhar já não está condicionado pela própria memória do espectador. De qualquer maneira, desde a sua abertura, onde se prezam a dizer que a ideia inicial era de Paulo Gustavo, o longa se resume com um enorme peso, capaz de tocar os fãs  de maneiras diversas, mas dependendo da maneira de como será em uma primeira revisão.

O início é interessante ao preencher ideias básicas da narrativa, ao colocar características de seus personagens, Johnny e Jeff, interpretado por Marcus Majella em evidência. Esse dinamismo se torna um ponto positivo ao tipo de comédia que nos é apresentada, baseado em pequenas sketches que funcionam dentro de um todo em constante movimento. Ainda que tudo seja um tanto previsível, o longa se aceita como uma homenagem ao subgênero das duplas no cinema de ação, principalmente que pipocavam entre o final dos anos oitenta e no início dos anos noventa no cinema norte americano.

Marcus Majella possui o seu carisma em evidência, mas a constante reinterpretação do mesmo tipo de personagem em projetos diferentes começa a se tornar previsível para dizer o mínimo, já faz anos que não vemos o ator buscar papéis do lado de fora de sua bolha. Por outro lado, Pedroca Monteiro tenta procurar equilibrar o outro nível dessa salada, ao inserir  alguma funcionalidade para dupla, principalmente dentro dos papéis exercidos dentro da história. Ainda que o entrosamento dos dois funcione, porém, a sombra de Paulo Gustavo fica cada vez mais acentuada na medida em que a história avança e fazendo a gente se perguntar como seria o longa se o intérprete estivesse vivo hoje em dia.

“Agentes Muito Especiais” é o tipo de longa que populariza o cinema brasileiro e que alcança um público que, muitas vezes, prefere apenas relaxar e esquecer dos problemas através de um humor bobinho.   

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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Sonhos de Trem'

Sinopse: Um lenhador leva uma vida tranquila enquanto lida com o amor e a perda em uma época de profundas transformações nos Estados Unidos do começo do século 20.

A gente nasce sozinho,  morremos sozinhos e portanto viver sozinho não deveria ser um desafio mas um detalhe a ser aceito. Essa frase me veio à mente ao assistir ao ótimo "Gravidade" (2013), onde o espetáculo do universo despertava o desejo da protagonista em continuar viva e seguir com o seu destino. "Sonhos de Trem" (2025) não fala somente sobre o desafio perante a solidão, como também sobre como o mundo em volta muda independente do que aconteça com a gente em vida.

Dirigido por  Clint Bentley, e baseado no conto escrito por  Denis Johnson, o filme conta a história de Robert Grainier (Joel Edgerton) , madeireiro responsável por construir e expandir ferrovias pelos Estados Unidos no início do século XX. Robert cresceu entre as florestas  do Noroeste do Pacífico. Robert precisou passar longos períodos afastado de quem mais amava: sua esposa Gladys (Felicity Jones) e sua pequena filha. Quando uma tragédia sem precedentes atinge a família, ele precisa aceitar a derrota e se esforçar para seguir em frente nesta jornada da vida.

O filme pode ser interpretado como a jornada do homem comum perante o progresso desenfreado do mundo em volta e do qual faz com que o tempo cada vez mais se acelere. Em meio a isso temos Robert que desde cedo mantém um olhar curioso com relação ao mundo, onde a violência se torna comum e se vê diante de um trabalho que mata aos poucos uma parte da natureza para que poderosos possam obter lucro. Contudo, Robert não muda, mas segue em sua jornada particular, mesmo quando ela lhe abre certas feridas emocionais que são difíceis de cicatrizar.

Além de uma direção primorosa de   Clint Bentley é preciso destacar a bela fotografia feita pelo brasileiro Adolpho Veloso, onde cada quadro nos passa a sensação de uma terra fresca, mas que aos poucos é modificada pela mão do homem. As cores quentes iniciais do primeiro ato vão obtendo aos poucos tons sombrios, mas se nivelando com momentos em que há uma luz nas cenas que simboliza um lampejo de esperança para o protagonista. Não é à toa que   Adolpho Veloso acabou levando o prêmio de melhor fotografia no último  Critics Choice Awards.

Atuando desde o início dos anos noventa, tanto para a tv como para o cinema, Joel Edgerton obtém aqui uma de suas melhores atuações de sua carreira, onde ele consegue passar para o seu personagem certa doçura em uma realidade em que poderia lhe fazer se tornar uma pessoa mais dura. Ao mesmo tempo, o protagonista lida com o fato de estar quase sempre trilhando entre a lucidez com a possibilidade de estar vendo coisas com relação a sua família perdida nas chamas. A sua busca pelos seus entes queridos é o que torna o coração pulsante como um todo e fazendo a gente desejar que ele fique bem ao longo do caminho.

O filme, portanto, explora a questão de que todo o começo tem o seu fim. Porém, a vida continua, independente do que aconteça, pois ela cresce em meio a morte e gerando um novo recomeço cuja uma nova história irá se contar. Ao final, o protagonista se torna o nosso próprio olhar com relação a beleza e o lado implacável deste mundo sempre em movimento.

"Sonhos de Trem" é sobre fins e começos e onde a vida seguirá mesmo quando um dia ficaremos para trás. 

Onde Assistir: Netflix.

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