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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 6 de março de 2023

Cine Especial: Clube de Cinema de Porto Alegre - 'Belas Promessas'

Nota: Filme exibido para os associados no último sábado (04/03/2023). 

Sinopse: Clémence é a prefeita de uma pequena cidade que trava com Yazid, seu chefe de gabinete, uma dura batalha para salvar o distrito de Bernardins, cidade marcada pela insalubridade e pelos locatários abusivos. Esta será sua última luta antes de passar o cargo na próxima eleição. 

O que mais se destaca no filme “Belas Promessas” são os seus extensos diálogos que dá o que pensar. Claro que isso pode amedrontar os marinheiros de primeira viagem que não estão acostumados a esse tipo de narrativa e cujo cenário é a questão das entranhas da políticas. Porém, não é o caso que acontece aqui no filme de Thomas Kruithof, que através dos seus protagonistas ele demonstra como o cenário político do dia a dia é feito de maneira de grande importância e independente de qual cidade onde ela se encontra.

O que se tem, portanto, é um jogo político, onde as cartas do baralho são as palavras jogadas para fora e das quais podem mudar os rumos desta jogada. Mas isso, logicamente, não seria possível elaborar esse cenário complexo, do qual a maioria das pessoas procura evitar, se não houvesse um roteiro do qual consiga fisgar a pessoa para que a mesma pudesse ficar até o final da sessão. Por mais que fosse explicar passo a passo esse cenário era também importante criar um elo com a pessoa para que ela possa compreender e se identificar até mesmo com alguns personagens.

Por conta disso, a trama escrita também pelo diretor, se destaca pela sua simplicidade entrelaçada pelo emaranhado político. Na trama, uma prefeita (Isabelle Huppert) em final de mandato tenta conseguir com o governo federal a verba para a reforma de um enorme conjunto habitacional ocupado por classes menos favorecidas parisienses. Ela, é claro, terá que usar toda a sua experiência e estratégia para conseguir realizar esse projeto, que já esteve na pauta outras vezes, mas que nunca saiu do papel. Para tal feito, há a ajuda de seu competente e inteligente assessor Yazid (Reda Kateb).

O roteiro, portanto, nos surpreende principalmente pelo fato dos personagens serem muito bem representados pelos seus respectivos atores, principalmente quando focamos em Huppert. A veterana do cinema francês, por sua vez, nos transmite toda elegância de sua personagem, mas ao mesmo tempo transmitindo sinceridade genuína com relação ao que ela realmente deseja. Ao mesmo tempo, por exemplo, é curioso como ela transmite também certa ambiguidade e da qual faz com que ela se torne alguém imprevisível e que pode virar a mesa a qualquer momento.

Mas o seu assessor que nos faz a gente se perguntar quais são as suas reais intenções, já que ele se apresenta como alguém divido no cenário e jogando nos dois lados da moeda o tempo todo.  Em um determinado momento, por exemplo, parece que ele busca somente o poder e se alavancar mais em status para construir para si alguém intocável, mas o que torna a missão impossível principalmente quando ele não consegue esconder os seus próprios sentimentos. Portanto, Reda Kateb nos brinda com um grande desempenho e fazendo com que os momentos mais tensos se tornem os melhores momentos do filme como um todo.

É importante salientar que, graças ao desempenho de Isabelle Huppert e Reda Kateb e alinhado a narrativa principal da trama, o filme nos entrega a ideia principal elaborada pelos seus realizadores. Os dois, portanto, são fortes em suas apresentações vistas na tela e fazendo com que as entranhas políticas, por mais complexas que elas sejam em alguns momentos, faça com que a gente possa compreendê-la. Vale destacar a visão autoral de Kruithof, cuja sua câmera sempre focando as idas e vindas dos seus protagonistas faz com que a mesma se torne uma representação do que nós testemunhamos em determinados momentos.

É curioso observar que o filme como um todo é a representação de uma terra selvagem do universo político, onde os seus representantes parecem que irão se devorar a qualquer momento, mas basta uma proposta convidativa que é lançada para que os dois lados se alinhem em harmonia. Os minutos finais sintetizam muito bem isso, o que não permite que torne tudo no geral mais reconfortante, pois as decisões desses meros mortais é o que mudam os rumos da vida de milhares de pessoas, mas que fazem de as mesmas participarem, mesmo que indiretamente, de um jogo de xadrez e do qual nunca encontra o seu fim.

'Belas Promessas' é uma representação do jogo do cenário político francês, mas cujo tema é universal e seus desdobramentos nos soam familiares principalmente em tempos de conflito.  


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