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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Cine Dica: Streaming: 'Borat: Fita de Cinema Seguinte'

Sinopse: Após passar anos numa prisão que o escraviza, Borat (Cohen) é convocado por seu governo para entregar um macaco de presente para o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, numa tentativa estapafúrdia de conseguirem a amizade de Donald Trump, a quem admiram.

"Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" (2006) foi lançado em uma época pós-11 de setembro, onde o preconceito, medo e ódio dos gringos estava aflorado e o ator Sacha Baron Cohen se aproveitou fazendo disso uma grande piada ácida, escatológica e crítica. Numa espécie de falso documentário, Sacha destacou a real face do norte americano, de sua imbecilidade e de como isso perduraria até mesmo nos tempos de hoje. Catorze anos depois, o personagem retorna em "Borat: Fita de Cinema Seguinte", que sintetiza o universo negacionista, não só do norte americano, como também de outros países do mundo com relação ao coronavírus.

Dirigido por Jason Woliner, o filme mostra Borat (Cohen) que, após passar anos em uma prisão, é convocado pelo seu governo para entregar um macaco de presente para o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, numa tentativa estapafúrdia de conseguirem a amizade de Donald Trump, a quem admiram. Porém, algo sai errado, e Borat decide então oferecer a sua filha Tuta (Maria Bakalova) no lugar do macaco. Antes que isso ocorre, ambos percorrem uma grande jornada em meio ao nascimento da pandemia.

Assim como no original, o grande atrativo dessa continuação está na reação das pessoas perante o personagem, sendo que no início a maioria o reconhece devido ao fato do primeiro filme ter se tornado cultuado em todos os sentidos. É aí que então Cohen se veste de diversos personagens para enganar a população norte americana e o resultado se torna hilário ao vermos a expressão dos rostos de pessoas comuns perante as situações em que o ator provoca. É nestes momentos, por exemplo, que o ator consegue revelar a verdadeira face do norte americano e que não é muito diferente daquela vista de 2006.

Além disso, o filme escancara uma sociedade norte americana viciada, que vai desde aos seus celulares, como o fato de o americano estar seriamente obeso diga-se de passagem. Com relação a isso, não é à toa que Donald Trump recebeu o apelido de "McDonald's Trump" pelo personagem, pois o Presidente atual de lá nada mais é do que uma representação de uma sociedade doente, conservadora, fascista e negacionista. Mas os Presidentes do mundo a fora, principalmente os que seguem a cartilha de Trump, não ficam muito atrás e o nosso Presidente Bolsonaro, logicamente, ficou no topo da cadeia alimentar.

Rodado em segredo, o filme foi criado no momento em que o coronavírus estava começando se espalhar pelo mundo e destacando as primeiras reações negacionistas vinda dos políticos norte-americanos. É incrível, por exemplo, como Sacha Baron Cohen consegue se infiltrar disfarçado de Trump em um comitê de um dos apoiadores do Presidente e causando o maior estranhamento entre os presentes. Embora a fórmula se repita ao longo do filme ela não se torna muito cansativa, pois ficamos na expectativa para assistirmos a próxima artimanha.

Sacha Baron Cohen está novamente ótimo interpretando o personagem que o consagrou e mesmo tendo se passado catorze anos do filme original a sua genialidade em fazer piadas escatológicas e críticas continua afiada. Porém, a personagem Teta, interpretada de forma hilária pela atriz Maria Bakalova, rouba a cena em situações em que destaca o machismo contra as mulheres, o antifeminismo e pegando carona com a questão dos abusos sexuais sendo cometidos, tanto pelos famosos como também vinda de políticos conservadores. O ápice da personagem está na cena em que ela se encontra cara a cara com Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York e hoje advogado pessoal de Donald Trump e fazendo a gente até se perguntar como os dois intérpretes não acabaram sendo presos durante as filmagens, pois as cenas escancaram o político de uma forma muito comprometedora.

Acima de tudo, Sacha Baron Cohen fez esse filme com a intenção de nos dizer que a nossa Democracia atual está cada vez mais ameaçada, pois a própria está sendo governada por políticos que não estão levando a sério a vida das pessoas principalmente em tempos de  coronávirus. Os minutos finais falam muito bem sobre isso, onde os protagonistas fazem piada do caso com uma crítica ácida, mas não somente contra o governo norte americano, como também contra todo o governo negacionista do mundo e que coloca várias vidas em perigo.  

"Borat: Fita de Cinema Seguinte" é o filme certo na hora certa, em um ano em que temos um inimigo invisível e sendo esnobado por políticos que brincam com as vidas de todos os povos do mundo. 


Onde Assistir: Amazon Prime. 


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