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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate – "O Último Gigante"

Sobre o Filme: A reconciliação entre pais e filhos não é um tema novo na história do cinema, mas continua gerando longas que levantam debates profundos sobre até onde se pode perdoar um passado cujas cicatrizes emocionais ainda não fecharam. Saber ouvir é, muitas vezes, uma questão de tempo — mesmo quando a raiva ofusca o olhar que deveria acolher a versão do outro. "O Último Gigante" (2025) não é apenas sobre o reencontro familiar, mas também sobre a busca por uma redenção quase sempre inalcançável.

Dirigido por Marcos Carnevale, o filme narra a história de Boris (Matías Mayer), um guia turístico em Puerto Iguazú que vê sua vida virar de cabeça para baixo com o aparecimento inesperado de Julián (Oscar Martínez), o pai que o abandonou na infância. Aos 28 anos, Boris terá que lidar com o retorno de um homem que deseja, tardiamente, reconquistar o tempo perdido.

Carnevale construiu uma carreira transitando habilmente entre o humor e o drama. Aqui não é diferente: ele conduz um roteiro em que os personagens lidam com situações delicadas por meio de pinceladas de um humor refinado, prendendo a atenção do espectador do início ao fim. O encontro dos protagonistas já nos dá a dimensão do conflito, mas é nessa transição orgânica de gêneros que o filme ganha fôlego.

O veterano Oscar Martínez brilha ao interpretar um homem no limiar do fim, buscando forças para encarar os próprios erros e obter um perdão ainda não conquistado. Já Matías Mayer constrói um personagem que, inicialmente, não sabe processar seus sentimentos, usando a raiva para expressar uma dor guardada por anos. O embate verbal entre os dois rende momentos de tensão que, aos poucos, dão lugar à razão, facilitando a identificação do público com suas trajetórias.

Além disso, o longa toca em um assunto espinhoso e recorrente no cinema: a eutanásia. Curiosamente, esse ponto acaba ficando em segundo plano. Isso ocorre não apenas porque o foco primordial recai na reconciliação, mas também porque o tema já foi exaustivamente debatido em títulos anteriores. Embora a iniciativa seja válida, o filme talvez chegue um pouco tarde a uma discussão que já possui marcos cinematográficos muito consolidados.

Ao final, as questões levantadas são sanadas, permitindo que cada personagem siga sua própria jornada. "O Último Gigante" pode não mudar a vida do espectador, mas é um título que se destaca pelo lado humano e reflexivo. É, em última análise, um filme sobre a busca pela redenção enquanto ainda resta tempo.


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