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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cine Dica: Em Cartaz - 'Ruas da Glória'

Sinopse: Gabriel é um professor de história que resolve atuar em um cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro após a morte de sua avó, e usa o seu tempo livre para estudar um pouco mais sobre as profissionais do sexo. Homossexual enrustido, tudo muda quando ele conhece Adriano, um uruguaio misterioso e cheio de amor par oferecer. 

Nos últimos tempos o cinema brasileiro tem explorado o universo LGBT por diversas camadas, principalmente ao ser tratado de uma forma tradicional como sempre deveria ter sido. Ao mesmo tempo, há longas que exploram essas pessoas de forma marginalizada, onde nos dá a entender que a sociedade como um todo ainda não os tolera e sendo colocados pelo lado obscuro das grandes cidades do país. "Rua da Glória" (2025) é um retrato de uma relacionamento explosivo, mas que nasce a partir do momento em que um dos protagonistas procura buscar o seu papel neste mundo.

Dirigido por  Felipe Sholl, o filme conta a história sobre  Gabriel (Caio Macedo), um professor de história que resolve atuar em um cursinho pré-vestibular no Rio de Janeiro após a morte de sua avó, e usa o seu tempo livre para estudar um pouco mais sobre as profissionais do sexo. Durante essa pesquisa  conhece Adriano (Alejandro Claveaux), um uruguaio misterioso e cheio de amor para dar. Uma paixão tórrida nasce, mas tendo diversas consequências.

Se em "Fala Comigo" (2017)  Felipe Sholl explorava o preconceito perante a diferença de idades do casal central, aqui a questão sobre o preconceito fica um pouco de lado e se entrega ao universo LGBT como um todo. Ao mesmo tempo, nota-se essas pessoas em um ponto especifico da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente em casas noturnas e nas praças onde se entregam ao sexo para obter algum sustento e como se não houvesse outra opção como um todo. O preconceito, portanto, não se encontra especificamente em cena, mas tendo aqui as suas consequências ao longo da história.

Se nota, por exemplo, que Gabriel nunca foi compreendido pela sua família, a não ser por sua avó que acabou de perecer. Por conta disso ele não vê razão de retornar às suas raízes, mas sim recomeçar de alguma forma, nem que para isso se perca durante essa jornada. Curiosamente, os minutos iniciais se percebe uma curiosidade vinda de sua pessoa, como se a relação com alguém do mesmo sexo nunca havia sido experimentada e logo se entregando de forma completa.

Vale destacar as cenas de sexo quase explicitas que Felipe Sholl realiza entre os atores Caio Macedo e Alejandro Clayeaux, sendo muito bem filmadas diga-se de passagem, mas que com certeza irão chocar algumas pessoas durante a sessão. Ao meu ver, elas funcionam melhor se elas surgissem a partir da construção gradual dos personagens centrais no decorrer da história. Se no cultuado "Azul é a Cor Mais Quente" (2013) esse artifício funciona, aqui não há muito o que fazer a não ser aceitar essa entrega tão repentina.

Caio Macedo e Alejandro Clayeaux nos brindam atuações poderosas, sendo que o primeiro desde a primeira cena possui um conflito interno que é transmitido através do seu olhar cheio de conflitos, mas não recuando no que sente quando conhece o seu parceiro. Por outro lado, por mais que esteja ótimo Alejandro Clayeaux, talvez tenha faltado em cena suas motivações que não foram exatamente exploradas para ele agir da forma como ele faz perante a sua paixão, como se a mesma fosse uma mera desculpa para ele escapar dos seus demônios internos, mas não sendo o suficiente para conter a destruição de tudo com relação ao que haviam construído. É como se ele se tornasse somente uma válvula de escape para que Gabriel entrasse em rota de colisão consigo mesmo.

 Ao final se nota que o protagonista não buscava exatamente uma paixão, mas sim pessoas que o compreendesse assim como a sua avó foi em vida. Uma vez que a sua busca encontra um certo equilíbrio é então que a sua jornada talvez se encerre, mas tendo início a uma nova cruzada ao aceitar ser o que é em definitivo. Em tempos atuais em que a sociedade vive de uma crise de identidade, o filme nos diz que é preciso se enxergar por dentro e decidir em colocar em prática o seu real papel neste mundo.

"Rua da Glória" é o retrato do indivíduo em busca de sua identidade dentro de um mundo cheio de conflitos.  


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