Sinopse: O professor de ciências Ryland Grace acorda em uma nave espacial sem nenhuma lembrança de quem é ou como chegou lá. Conforme sua memória retorna lentamente, ele logo descobre que deve resolver o enigma por trás de uma misteriosa substância que está fazendo o sol se apagar.
Alguns anos atrás o cinema norte americano abraçou novamente os filmes de ficção em que explorava os mistérios do universo através de viagens ao espaço. "Gravidade" (2013), "Interestelar" (2014) e "Perdido em Marte" (2015) são alguns destes títulos que procuram nos passar filosofia e os mistérios da vida através de uma viagem para estrelas. "Devoradores de Estrelas" (2026) é um caso raro de uma ficção alinhada com humor e dramaticidade na medida certa.
Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, dos longas "Anjos da Lei", e baseado no livro de Andy Weir, acompanhamos a história de um professor de ciências do ensino fundamental chamado Ryland Grace (Ryan Gosling). Sem entender o que está acontecendo, Ryland acorda em uma espaçonave a anos-luz do planeta Terra, sendo que sua memória somente vem aos poucos e se lembrando da sua missão. Ele faz parte do projeto Fim do Mundo na qual ele foi enviado a 11,9 anos-luz da Terra para investigar o motivo pelo qual o Sol está morrendo na Via Láctea. Ryland precisará recorrer aos seus conhecimentos científicos para resolver esse enigma o mais rápido possível, mas ao mesmo tempo ele obtém ajuda de alguém que surge de uma forma inesperada.
Inicialmente o filme me lembrou do longa francês "Oxigênio" (2021), já que ambos os personagens acordam no espaço sideral e não tem ideia de quem sejam. Porém, as comparações param por aí, já que o filme se envereda por elementos que transitam de uma forma fragmentada, já que a todo momento vemos o passado do protagonista e tendo então uma dimensão do porquê ele estar naquele cenário. Se por um lado a busca de uma maneira de salvar o sol de um vírus soa forçada, do outro, ao menos o filme se sustenta graças ao seu protagonismo diante de uma inevitável solidão nos confins do espaço.
Ryan Gosling carrega o filme nas costas do começo ao final da história, já que nos identificamos com o seu personagem de forma imediata, sendo que ele pode ser um gênio, mas não esconde certa inocência perante os mistérios do universo. E quando a gente acha que veremos somente o astro em cena, eis que surge a figura de um alienígena completamente inusitado chamado Rocky, que é mais parece uma pedra com pernas, mas cheio de carisma. A união entre os dois torna o coração pulsante do filme como um todo e rendendo momentos de puro humor e emoção na medida certa.
Além disso, preciso dar os parabéns com relação aos responsáveis pela parte técnica, principalmente com relação aos efeitos visuais que transitam entre o digital e a velha pirotecnia de tempos anteriores de quando se fazia um bom cinema. Além disso, a composição da trilha sonora criada pelo compositor Daniel Pemberton se casa com total perfeição com as cenas, sendo que ela soa forte na medida em que a missão ruma para a sua jornada final e tornando tudo mais emocionante. Mas o ápice em termos de música é a inserção de alguns clássicos da música pop, como no caso de “Sign of the Times” que é tocada em um karaokê pela personagem Stratt, interpretada pela atriz Sandra Hüller e se tornando um dos momentos mais belos do filme.
O filme talvez somente peca em sua reta final, cujas reviravoltas uma em cima da outra acabam soando desnecessárias. Porém, tudo é compensado graças ao carisma da dupla central da trama e fazendo com que a gente torça por eles até o final da história. Acima de tudo, é um filme que fala sobre amor, amizade e a luta de seguir em frente em manter viva a raça humana em tempos nebulosos, seja ele da ficção ou do mundo real.
"Devoradores de Estrelas" é desde já uma das mais belas surpresas deste início de ano e provando que a ficção ainda tem muito o que nos ensinar sobre o que nos faz realmente humanos.
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