Sinopse: Lucas (Tom Blyth), um jovem policial infiltrado, é treinado para atrair e prender homens gays em banheiros públicos. Sua carreira e convicções são abaladas ao se apaixonar por Andrew (Russell Tovey), um de seus alvos.
Entre os anos oitenta e noventa havia uma perseguição contra a comunidade LGBT devido ao temor da AIDS. Infelizmente devido essa perseguição havia opressão, fazendo com que muitas pessoas não serem elas mesmas e fazendo se esconderem para não se machucarem internamente. "À Paisana" (2026) é o retrato de tempos conservadores onde o indivíduo se vê sufocado por não poder ser ele mesmo.
Dirigido por Carmen Emmi, o filme conta a história de Lucas (Tom Blyth), agente secreto com a missão de atrair homens gays para detê-los dentro dos banheiros. No entanto, durante uma festa de ano novo, ele se desespera com a possibilidade de encontrarem uma carta dele - que ninguém deveria ler. Há alguns meses, Lucas conseguiu aprender um homem chamado Andrew (Russell Tovey), mas o encontro com ele foi ainda mais íntimo e intenso.
Estreando na direção, Carmen Emmi cria uma curiosa edição de cenas, onde assistimos certas imagens pela perspectiva do protagonista, sendo que elas são granuladas, como se estivéssemos vendo cenas reais documentadas. Isso talvez seja proposital, já que o filme retrata tempos passados, cuja as imagens eram analógicas, sendo uma representação curiosa das câmeras escondidas que eram usadas com frequência pela vigilância conservadora. Neste caso, por exemplo, há uma vigilância ferrenha contra os gays no local onde o protagonista trabalha e fazendo do cenário do banheiro se tornar claustrofóbico e um beco sem saída.
Lucas se vê diante de diversos dilemas, pois aqueles que ele caça não são muito diferentes dele, sendo que o mesmo somente coloca para a fora a sua real natureza a partir do momento que conhece uma de suas vítimas de forma mais íntima. Tom Blyth surpreende em um papel que exige de sua pessoa, principalmente nas cenas onde ocorrem ataques de ansiedade e fazendo com que o protagonista deseje liberar todo o seu ser. Reparem, por exemplo, onde testemunhamos o passado e presente do protagonista, sendo que não temos uma certa noção em que período se passa certas cenas, mas cujo ato final as explicações vêm à tona.
Curiosamente, o filme me lembrou do recente "Ato Noturno" (2025), dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Em ambos os casos são longas que exploram a questão do indivíduo com receio perante o olhar conservadores da sociedade, mas que chega um ponto que o segredo se desfaz quando o ódio sufoca os oprimidos e fazendo com que os mesmos lutem para serem eles mesmos. Ao final, a liberação acontece em forma explosiva independente das consequências que venham a seguir.
"À Paisana" é um retrato cru de tempos mais conservadores e onde o diferente não podia agir como eles mesmos perante os olhares contestadores.
Onde Assistir: Filmelier
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