Sinopse: Acompanha um retiro VIP para mulheres cristãs em busca da "melhor versão" de sua feminilidade. Liderado pela coach Virgínia (Bruna Linzmeyer), o grupo mergulha em um cenário de controle e isolamento, onde a busca pela perfeição se torna uma perigosa descida à loucura.
Em tempos atuais, nos quais os assuntos sobre política e religião estão cada vez mais acalorados em território brasileiro, é sempre interessante ver o cinema nacional explorar esses temas. Ao mesmo tempo, assim como ocorre em outros países, o nosso cinema tem explorado cada vez mais o horror psicológico em detrimento do tradicional, pois o mundo real parece estar se tornando mais assustador do que qualquer ficção. "Virtuosas" (2025) é aquele caso de filme pequeno em escopo, porém grande em impacto, que retrata uma história situada em um único cenário, mas que sintetiza o que o país está vivendo.
Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a trama acompanha um grupo de mulheres cristãs selecionadas por sorteio para participarem de uma imersão exclusiva com o objetivo de "aumentar a feminilidade", explorando a ótica das coaches de comportamento. O que algumas não sabem é que esse isolamento se transformará em um verdadeiro inferno.
Nesta era em que a Geração Z cria influenciadores virtuais a todo momento, é curioso notar como isso se tornou banal; há um surgimento constante desse tipo de celebridade, embora muitas sejam esquecidas rapidamente. Ao fazer um retrato dessa mania atual, Cíntia Domit Bittar nos revela o lado falso e hipócrita desse universo, principalmente vindo daqueles que pregam "bons costumes" através de passagens bíblicas usadas como mera cortina de fumaça. Qualquer semelhança com a nossa realidade pré-eleições não é mera coincidência.
Com um orçamento enxuto, a diretora usa a criatividade para transmitir uma sensação claustrofóbica através do cenário principal, que aos poucos se revela um ambiente estranho. Com a câmera sempre em movimento, vemos quase sempre algo acontecendo em primeiro plano, enquanto detalhes ao fundo nos deixam apreensivos — algo semelhante ao que foi visto no já clássico "Hereditário"(2018), guardadas as devidas proporções.
Verdade seja dita, a câmera torna-se uma extensão do nosso olhar, adentrando aquele ambiente e fazendo-nos sentir impotentes perante os eventos orquestrados pela personagem Virgínia. Ela usa seu talento de persuasão para manipular o grupo de acordo com seus desejos. Bruna Linzmeyer nos brinda com uma atuação assombrosa; seu olhar de controle e fúria contida sintetiza um ser ambicioso que instrumentaliza a religião em benefício próprio.
Transitando entre crendices e lógica, o filme é um retrato de uma parcela de um Brasil "zumbificado", seja pela palavra de falsos profetas, de líderes políticos ou de influenciadores que se dizem detentores da verdade. Por conta disso, o longa termina de forma abrupta, deixando-nos a refletir sobre as consequências do descontrole no ato final. Ao meu ver, o final em aberto nada mais é do que o reflexo de um Brasil cujo futuro se encontra indefinido neste momento.
"Virtuosas" é um horror psicológico fictício, mas não muito distante do cenário atual brasileiro.
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