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Sócio e Diretor de Comunicação e Informática do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Cine Especial: Revisitando 'Os Abutres Têm Fome'

Para continuar existindo o gênero de faroeste teve que passar por uma metamorfose ao longo das décadas. No princípio era tudo muito claro, sendo sempre o mocinho contra o bandido, porém, a realidade ao longo do percurso bateu à porta e comprovou esse lado poético não poderia ser colocado sempre em prática. Quando os anos cinquenta chegaram esses filmes tiveram um teor mais psicológico e humano, enquanto nos anos sessenta o subgênero "Spaghetti western" vindo da Itália trouxe um faroeste mais sujo, realístico e onde não se tinha uma divisão entre o bem e o mal, mas sim retratavam pistoleiros vingativos, foras da lei e que buscavam qualquer missão para obter determinado lucro.

Esse tipo de cinema Italiano acabou influenciando o cinema norte americano, ao ponto que o início da década de setenta surgiu alguns títulos que lembravam esse tipo de subgênero, mas que ao mesmo tempo se misturava com que já era visto em território americano. Um dos títulos que melhor se saiu dessa mistura foi "Os Abutres Têm Fome" (1970), um faroeste americano, com coprodução do México, que mesclou elementos já vistos no "Spaghetti western" e ao mesmo tempo incrementando pitadas de humor que já estava sendo explorado na Itália no mesmo ano pelo filme "Trinity" (1970). Vale salientar que a obra tem trilha sonora do mestre Ennio Morricone, compositor que obteve sucesso ao criar trilhas inesquecíveis no cinema italiano e que aqui a sua trilha ressoa de forma inconfundível.

O filme foi dirigido por Don Siegel, realizador que já havia trabalhado anteriormente com Clint Eastwood em "Meu Nome é Coogan" (1968) e que repetiria a parceria em obras como "O Estranho que Nós Amamos" (1971), "Perseguidor Implacável" (1971) e "Fuga de Alcatraz" (1979). Aqui, o realizador e o intérprete trazem a figura do estranho sem nome criado por Sergio Leone, ao menos na abertura do filme, pois o protagonista tem uma identidade, porém, não há como deixar de associá-lo a figura lendária criada na Itália. Isso se intensifica ainda mais quando ouvimos os acordes sublimes de Ennio Morricone e fazendo a gente se lembrar de imediato a "trilogia dos Dólares" comandada por Sergio Leone.

Nesta aventura desenfreada e anárquica que desenrola no México do século XIX, um mercenário americano (Eastwood) salva uma freira (Shirley MacLaine) dos seus pretensos molestadores. Mais tarde, ele descobre que este encontro casual foi golpe de sorte, já que ela sabe muito acerca dos oficiais do quartel que ele planeja invadir. Ambos unem forças e formando uma dupla inusitada ao longo de suas jornadas.

Embora tenham tido conflitos durante as filmagens é notório que há uma química perfeita entre Eastwood e Maclaine, sendo que ambos se saem bem no humor romântico e até mesmo refinado em alguns momentos. Maclaine está incrível como uma freira que aparenta ser mais do que a gente imagina e cuja revelação sobre a sua real natureza na reta final da trama não surpreende muito, pois ao longo do percurso ela já havia dado todos os sinais. É notório também que Don Siegel buscou também inspiração no clássico "Uma Aventura na África" (1951), já que ambos os filmes são sobre um casal improvável que embarcam em uma perigosa aventura, mas que ao longo do percurso percebem que possuem mais em comum do que se imagina.

O filme somente desliza um pouco quando o roteiro descamba para mais ação e menos humor, sendo que o filme já estava se sustentando muito bem pela química do casal central e fazendo a gente desejar que eles continuassem cavalgando do que se meterem no conflito entre os mexicanos e os franceses. Ao menos há também cenas de ação interessantes, como a queda do trem e cuja cena se assemelha em uma passagem vista no clássico "A General" (1926) de Buster Keaton. O filme, logicamente, termina de forma previsível, mas de um jeito engraçado e se casando com a proposta da obra como um todo.

"'Os Abutres Têm Fome' é um faroeste que deu certo ao usar elementos distintos um do outro, sendo uma obra que nasceu em meio a mudanças do gênero e se adaptando conforme o tempo foi passando.    

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