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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Cine Especial: KIM KI-DUK (1960 - 2020)

Vítima de Coronavírus, Kim Ki-Duk foi um cineasta sul-coreano. Foi um dos melhores e mais conhecidos representantes da vanguarda cinematográfica desse país. Provém de uma família de classe operária e não recebeu formação técnica como cineasta, começando sua carreira a uma idade relativamente tardia de 33 anos como roteirista e diretor.

Autor de uma dezena de obras às vezes altamente experimentais, é sensível o ritmo pausado de seu cinema, o forte conteúdo visual muitas vezes sangrento, o parcimonioso uso do diálogo e a ênfase em elementos criminais ou marginais da sociedade. Este último reflete a posição de Kim dentro da sociedade sul-coreana em general, e o âmbito fílmico em particular. Foi agraciado com um Urso de Prata de Melhor Diretor no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2004 por Samaria e um Leão de Prata em Veneza por Bin-jip no  

Morreu em 11 de dezembro de 2020 de COVID-19 na Letônia.    

Abaixo, segue os filmes essenciais de sua carreira.  

'Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera' (2003) 

Sinopse: Em um pequeno monastério flutuante sobre um lago vivem um velho monge e seu jovem aprendiz. Enquanto o menino explora os arredores, ele se deixa levar por seus instintos e crueldades infantis. Porém, o mestre sempre está pronto para ensinar suas lições, e mostra para o garoto que as consequências de pequenos atos podem durar a vida toda. 

Do cineasta Kim Ki-duk, “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera”, as estações do ano são uma metáfora para os estágios, não só da vida, como também de desenvolvimento humano: nascimento, crescimento e declínio. Dois monges budistas, um mais velho que exerce a função de mestre; e outro mais novo, jovem aprendiz, convivem em uma casa no meio de um lago entre as montanhas. O filme é dividido em cinco partes de acordo com as estações do ano, como destacado pelo título: há a primavera, o nascimento; o verão, o despertar; o outono, o declínio; o inverno, a queda; e o renascimento com a primavera, novamente. Na obra fica evidente o eterno retorno da situação humana, mas em um plano metafísico, de constituição da essência humana nos seus estágios de desenvolvimento.  


'Casa Vazia' (2004)  

Sinopse: Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva. 

O Cineasta Kim-Ki Duk chamou a atenção mundial com seu filme anterior que eu citei acima. O mundo ficou deslumbrado com a carga cheia de filosofia apresentada na relação entre mestre e discípulo. Quando "Casa Vazia" foi lançado à expectativa era enorme e muitos esperavam algo na mesma linha. De forma certeira e imprevisível, Kim-Ki Duk tomou um rumo completamente diferente. Desta vez ele conta a história de Hee-Jae (Hyun-kyoon Lee), um jovem que invade casas cujos donos estão viajando e lá fica por algum tempo. Ele não rouba nada e, para compensar a "hospedagem", procura algo dentro da casa que precise ser arrumado. Certo dia, em uma das casas que ele invadiu, Hee-Jae presencia a bela modelo Sun-hwa (Seung-yeon Lee) levar uma surra do marido. A partir daí se estabelece uma forte relação entre os dois sem que eles troquem uma única palavra sequer. A narrativa que o diretor imprime aqui não segue um padrão convencional. A trama é, antes de tudo, romântica, porém, vem impregnada de poesia, de realismo fantástico, de questões sobrenaturais. Parece uma salada que não combina bem seus ingredientes, no entanto, tudo o sentido nesta belíssima história de amor.


'Pieta' (2012) 

Sinopse: Kang-do (Lee Jung-Jin) é um homem implacável e bastante cruel, que trabalha como cobrador para agiotas. Caso o devedor não tenha como pagar a quantia devida, ele quebra ou esmaga algum osso de seu corpo, já que desta forma o acidentado receberá um seguro de saúde que servirá para cobrir a dívida. A vida de Kang-do é bastante solitária, até que um dia surge em sua vida uma mulher que afirma ser sua verdadeira mãe.  

É de uma beleza paradoxal a forma com que Kim Ki-Duk consegue tratar a natureza humana de forma íntima e poética. Cruel, como em boa parte de seus longas, ele não coloca limites na complexa construção de seus personagens ao passo que filma de modo simples, deixando a câmera muitas vezes vacilar, tremendo ou até mostrando um zoom automático que vem e volta. Apesar de ser uma ficção, faz lembrança ao espectador que está mergulhado no realismo íntimo daquelas pessoas em um cenário que se aproxima muito do real, sendo quase possível sentir a dor delas.

Não há como sair impune de um longa de Kim ki-duk e Pietá não foge da regra de uma obra aparentemente cruel e fria, construída sobre a base das relações humanas nada simplórias, mas que vistas pelo olhar do espectador, ganham contornos de fábula. 


'Moebius' (2013) 

Sinopse: Uma família inicia um ciclo destrutivo quando começa a questionar seus desejos sexuais, nutrindo relações nocivas para todos, levando-os a um destino trágico. Um dos trabalhos mais controversos do diretor Kim Ki-Duk.

Provocador Kim Ki-duk volta com uma conturbada crônica familiar, uma mistura de thriller psicológico, comédia grotesca e uma perversa ode ao sadomasoquismo. Nesta metáfora sobre a obsessão contemporânea com a própria sexualidade, conduzida por personagens sem nomes e narrada sem auxílio de diálogos, o diretor coreano acompanha a briga entre um casal que, observado pelo filho adolescente, discute sobre a infidelidade do marido. O conflito se desdobra em uma cadeia de eventos violentos, culminando em um epilogo dramático de destruição.

Atenção para o surpreendente desempenho de Lee Eun-Woo que é a alma do filme. Ela interpreta a mãe e a amante com uma transformação impressionante. Sinceramente não havia notado que era a mesma pessoa. 


Filmografia Completa: 

2018 Humano, Espaço, Tempo e Humano

2016 A Rede

2015 Stop

2014  Dente por Dente

2013  Moebius

2013 Venice 70: Future Reloaded

2012  Pieta 

2007  Sem Fôlego

2006  Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo

2004  A Casa Vazia

2003  Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera 


NOTA: O filme "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" será debatido na próxima live do Cine Debate. Informações e como participar entre em contato com  Maria Emília Bottini clicando aqui. 


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