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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Cine Especial: Revendo 'Fim dos Tempos' Nestes Novos Tempos

Pode-se dizer que o clássico "O Sexto Sentido" (1999) se tornou uma dádiva e ao mesmo tempo uma maldição para a carreira de M. Night Shyamalan. Devido ao estrondoso sucesso, cujo seu final pegou todo mundo desprevenido, muitos cinéfilos começaram a exigir algo que superasse tudo aquilo. Porém,  Shyamalan foi por um caminho inverso.

Navegando no universo de HQ em "Corpo Fechado" (2000), para invasão de alienígenas em "Sinais" (2002), o cineasta foi cada vez mais experimentando outros gêneros, mas que falasse um pouco sobre o que acontecia no mundo de tempos em tempos. "A Vila" (2004), por exemplo, pode ser interpretado como uma representação da paranoia norte americana após os eventos do 11 de Setembro, mas muitas pessoas da época não se deram conta disso.

Devido ao fato de o público não compreender as suas ideias criativas, Shyamalan foi cada vez mais decaindo e se enveredando na realização de Blockbuster descartáveis. Felizmente o cineasta deu a volta por cima no seu pequeno projeto "A Visita" (2015) e nos surpreendendo com "Fragmentado" (2016) e "Vidro" (2019) que encerra uma espécie de trilogia iniciada em "Corpo Fechado". Porém, antes de tudo isso, Shyamalan havia lançado o que talvez seja o seu filme mais incompreendido que foi "Fim dos Tempos" (2008), mas que merece ser revisto principalmente nestes tempos atuais em que vivemos.

O filme começa com estranhas mortes que ocorrem em várias das principais cidades dos Estados Unidos. Elas coincidem em dois pontos: desafiam a razão e chocam pelo inusitado com que ocorrem. Sem saber o que está ocorrendo, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) apenas quer encontrar um meio de escapar do misterioso fenômeno. Apesar dele e sua esposa Alma (Zooey Deschanel) estarem em plena crise conjugal, os dois decidem partir para as fazendas da Pensilvania juntamente com Julian (John Leguizamo), um professor amigo de Elliot, e Jess (Ashlyn Sanchez), a filha dele de 8 anos. Lá eles acreditam que estarão a salvo, mas logo se revelando um grande erro.

O grande problema do cinemão norte americano é fazer com que público cinéfilo se acostume mal com o óbvio, ou seja, tudo mastigadinho e previsível. Naqueles tempos era comum ter filmes apocalípticos de zumbis, invasões espaciais ou fim do mundo causado por alguma catástrofe natural. Porém, o grande vilão do filme de Shyamalan é algo invisível, que pressentimos sua presença somente pelo vento das folhas e deixando as pessoas enlouquecidas e com o desejo de se matarem. Simples e direto, mas que não caiu no gosto do público acostumado com show de luzes a todo momento.

Porém, revisto hoje, é interessante como o filme acaba obtendo certa similaridade com os tempos de coronavírus que todos nós estamos enfrentando. O mal que acontece contra as pessoas na trama, por exemplo, somente ocorre se muitas se encontram aglomeradas em determinado ponto e causando então as mortes iminentes. Soa familiar?

Curiosamente, o filme retrata uma sociedade norte americana meio que imbecil perante uma situação que não consegue compreender, mas que logo vai abraçando a primeira teoria de conspiração que se tem a vista.  Pode-se se dizer então que M. Night Shyamalan criou uma espécie de filme premonitório sobre uma sociedade que abraça a mentira ao invés de usar o raciocínio para compreender sobre o que realmente ocorre no mundo em volta. A primeira cena de Eliot, por exemplo, onde ele explica para os seus alunos sobre as principais mudanças que ocorrem na natureza, nos faz imediatamente pensar sobre o ocorre hoje em dia.

Mas, embora o tempo tenha ajudado para que o filme fosse melhor compreendido, ele ainda possui alguns defeitos e um deles é justamente Mark Wahlberg. Elogiado por alguns e odiados por muitos, Wahberg não escapa aqui de sua inevitável canastrice, mesmo quando ela não atrapalha o desenvolvimento da trama. Os demais coadjuvantes também não são lá essas coisas, mas que neste caso destaco Betty Buckley, que voltaria a trabalhar com o cineasta em "Fragmentado" e que aqui interpreta uma mulher eremita assustadora devido a sua presença.

Em suma, reveja "Fim dos Tempos" com um novo olhar e perceba que M. Night Shyamalan estava muito mais a frente de nós do que a gente podia imaginar. 


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2 comentários:

Ana disse...

Ótima resenha. Eu gosto mto dos primeiros 2/3 de Fim dos Tempos. O início, a amostragem da doença, acho um primor de construção de suspense e tensão. A trilha sonora pontua tudo com um tema sombrio e inquietante. Pra mim, o único problema e a parte final do filme. Achei que fica arrastado e um pouco frouxo. Mas é um filme que sempre dou uma espiada qdo passa na tv.

Marcelo Castro Moraes disse...

Que bom que gostou Ana. Compartilhe e continue visitando o meu blog de cinema.