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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Cine Dica: Durante a Quarentena Assista: 'ADÚ'

Sinopse: Adú conta a história comovente da busca de uma criança de seis anos para chegar à Europa depois de escapar da sua cidade nos Camarões, em África 

Embora superproduções americanas de grande alcance como, por exemplo, “Pantera Negra” (2018) toquem no assunto sobre os muros em volta que dividem o muro, isso acaba ainda não sendo o suficiente para que o assunto continue sendo debatido e estendido por um bom tempo. O que falta, talvez, seja uma obra que trate do tema sobre os imigrantes atuais de uma forma mais crua, mas que consiga dialogar com a massa que, infelizmente, se encontra alienada sobre o que acontece no mundo real em sua volta. “Adú” pode até ser considerado um filme romanceado por alguns, mas não foge de uma proposta mais crua e que devemos sim experimentá-la.
Dirigido pelo espanhol Salvador Calvo, o filme começa em Adú, numa cidade autônoma de Melilla no norte da África pertencente à Espanha. Um Guarda Civil chamado Mateo tem a tarefa de proteger o arame farpado que divide a cidade do resto da África, evitando a entrada de imigrantes. Coincidentemente, em uma reserva de Mbouma no Senegal, um consultor externo chamado Gonzalo deve impedir a matança de elefantes por caçadores ilegais, mas falha ao tentar salvar o mais importante da reserva. Com isso, o jovem Alika e seu irmão mais novo Adu são forçados a fugir de sua pequena cidade em Mbouma e precisam lidar com a perseguição por testemunharem acidentalmente o assassinato.
Embora o roteiro nos pregue coincidências, por vezes, demais ao longo da história, isso é contornado graças a sua proposta principal, ao falar sobre um mundo cada vez mais dividido, desumano e sugado por um sistema nenhum pouco socialista. O cenário miserável, por exemplo, é carregado de simbolismos do ocidente, onde marcas como a Coca Cola, ou celebridades do esporte, estão espalhados por todo o lugar, mas que se tornam meros enfeites de distração para alegrar aquele povo que vive da fome e guerras infinitas que perduram até hoje. Se a massa do restante do mundo sabe sobre assunto somente pela superfície, ao menos, isso acaba por então tendo um choque ao constatar que tem muito ainda a ser aprendido.
O pequeno protagonista Adú se torna o coração do filme, ao representar as milhares de crianças que fogem de suas terras para obter a felicidade do novo mundo, mas que dão de encontro com as regras de um sistema já a muito tempo viciado. Sua cruzada, aliás, é dolorosa, mas que não deixa de ser uma aventura a ser contada e que dificilmente uma pessoa do ocidente um dia irá experimenta-la. Se por um lado vemos Adú aprendendo logo cedo as dificuldades do mundo atual, por outro lado, temos os personagens do ocidente, que se inserem nesta realidade para ajudar, mas mal sabem sobre o verdadeiro significado da palavra.
Temos então Gonzalo (Luís Tosar) que tenta proteger os elefantes a todo custo, mas que desconhece as reais necessidades daquele povo. Ao mesmo tempo recebe a visita da filha Sandra (Anna Castilho), garota rebelde, alienada, mas que tenta compreender a realidade do pai que o fez ele se afastar de sua vida. Sandra, aliás, seria uma representação da massa branca do ocidente de vida vazia, que acredita ter problemas pessoais, mas mal sabendo o que é realmente passar por necessidades e descobrindo, mesmo que superficialmente, uma nova realidade.
O filme não veio somente para querer denunciar sobre os desleixos das autoridades do mundo sobre o que acontece em países em que os seus povos são obrigados a abandoná-los, como também é um retrato de pessoas comuns em busca de sua própria redenção em meio a esse cenário. Porém, o filme é falho na questão do guarda Mateo (Álvaro Servantes), que busca uma forma de se redimir por um ato falho no passado, mas cuja a solução vista no ato final acaba soando artificial, como se a intenção ali fosse fazer dele o homem branco salvador.
Porém, esse artificialismo logo é abandonado para dar lugar a um cenário que perdura até hoje e que, infelizmente, não terá um final tão cedo. Ao vermos o destino em aberto de Adú na reta final da trama, constatamos que não é somente para dele, como também de milhares de crianças que são jogadas nesta realidade sem muitas perspectivas para um futuro melhor. Tudo que nos resta é torcer para que, um dia, ocidente possa mudar o seu sistema com relação em ajudar essas pessoas desamparadas, mesmo quando esse milagre ainda possa parecer um tanto distante de nossa realidade.
Mesmo romanceado em alguns pontos, “Adú” é retrato cru de uma realidade em que a sociedade alienada gosta de ignorar, mas que é preciso um dia testemunhar. 

Onde Assistir: NETFLIX 

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