Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Cine Dica: Cinesemana de 22 a 28 de janeiro de 2026

A cinesemana de 22 a 28 de janeiro traz a estreia do novo longa do diretor Park Chan-wook (de Oldboy), que com A ÚNICA SAÍDA faz uma crítica bem-humorada ao universo do trabalho. Atendendo a pedidos do público, entra em cartaz EU, QUE TE AMEI, longa que revisita a história de dois ícones do cinema francês: Yves Montand e Simone Signoret. Seguem em cartaz o ATO NOTURNO, novo título dos diretores gaúchos Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, e a comédia tailandesa A USEFUL GHOST - UMA AJUDA DO ALÉM, de Ratchapoom Boonbunchachoke.

Sucessos absolutos de público, os longas premiados no Globo de Ouro garantem mais uma semana em cartaz. O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, venceu como melhor filme de língua não inglesa e melhor ator para Wagner Moura. Com SE EU TIVESSE PERNAS EU TE CHUTARIA, Rose Byrne conquistou o prêmio de melhor atriz, enquanto VALOR SENTIMENTAL rendeu a Stellan Skarsgard o de melhor coadjuvante.

Esta é a última semana para conferir SORRY BABY, protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro, e MILONGA, coprodução entre Argentina e Uruguai protagonizada por Cesar Troncoso e Paulina Garcia.

Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicando aqui. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Cine Dica: Streaming - 'Quatro Paredes'

Sinopse: Jornalista japonesa Shiori Ito processa seu estuprador, um jornalista influente próximo ao então primeiro-ministro Shinzo Abe, expondo o patriarcado e o sistema judicial ultrapassado do Japão através de sua investigação e batalhas legais. 

Em 2014 eu participei do curso "O Que é um Documentário?", criado pelo Cine Um e ministrado pelo jornalista Rafael Valles. Nele eu fui conhecendo os mais diversos tipos de documentários, desde reflexivo, interativo e observacional. O documentário "Quatro Paredes" (2024), me fez relembrar esse curso, onde há uma exposição do próprio realizador e fazendo com que a obra se torne muito mais do que observacional.

Dirigida pela jornalista  Shiori Ito, no documentário ela expõe a público ao revelar o fato de ter sido abusada sexualmente pelo jornalista e biógrafo do então primeiro-ministro Shinzo Abe. Após revelar sua dor para o mundo, Shito Ito é arrastada para o centro da política e dos holofotes midiáticos do país, sendo hostilizada por diferentes detratores. Ao mesmo tempo, ela lança o seu livro e expondo ainda mais o caso e indo até mesmo a julgamento.

Do início ao fim Shiori Ito procura ficar na frente da câmera, ao revelar diversos fatos sobre a terrível noite em que havia sido violentada e não se intimidando com a possibilidade de ser hostilizada. A realizadora procura não somente fazer com que a gente compreenda a sua situação, como também expor o quanto o Japão ainda se encontra atrasado com relação aos direitos das mulheres e como certos poderosos procuram acobertar os verdadeiros fatos. Logicamente, há muitos insultos contra ela no decorrer do longa, onde ouvimos palavras machistas e dando a entender que ela não passa de uma aproveitadora.

A realizadora, porém, se vê diante da chance de não somente exorcizar os seus temores, como também de uma maneira de mantê-la viva e não cair na tentação de acabar com a sua própria vida. O documentário revela, portanto, o seu diário virtual, assim como também o seu livro que acabou se tornando um verdadeiro sucesso, mas ao mesmo tempo abrindo a Caixa de Pandora e fazendo com que ela enfrentasse o pior da Justiça. A tensão somente aumenta principalmente pelo fato da realizadora não esconder o seu sofrimento e onde testemunhamos as suas lágrimas diante das câmeras em diversos momentos.

O documentário, portanto, não vem somente para expor esse caso, como também de muitos e ao revelar um Japão que se encontra atrasado com relação aos direitos em defesa da mulher e que era necessário avançar. Eu só acho uma pena que a obra tenha tido pouca visibilidade em alguns países, mas sendo reconhecida por diversos críticos como um dos melhores documentários de 2024. Tendo sido indicado na categoria na última cerimônia, o longa merece ser redescoberto pelo público.

"Quatro Paredes" é um ótimo documentário investigativo e que expõe que o problema do abuso contra as mulheres não é algo de um país específico, mas sim do mundo inteiro. 

Onde Assistir: Prime Vídeo

    Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Programação Cinemateca Capitólio - 22/01 a 28/01

 

Conta Comigo


Longa gaúcho em cartaz, curtas argentinos, carta branca a Filipe Matzembacher e Marcio Reolon e Sessão Vagalume Férias entre as atrações da semana na Cinemateca Capitólio

A programação da Cinemateca Capitólio entre os dias 22 e 28 de janeiro continua destacando a estreia do longa gaúcho Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que divide sessões com novas atrações da mostra carta branca, para a qual a dupla de diretores selecionou 15 títulos que dialogam com sua obra. Ao longo da semana ganham suas primeiras exibições três dos mais aguardados filmes da mostra, Bom Trabalho, de Claire Denis, Crash – Estranhos Prazeres, de David Cronenberg, e Garotos de Programa, de Gus Van Sant. Ainda na mostra, O Homem Invisível e A Noiva de Frankenstein, ambos de James Whale, terão suas últimas sessões.


Curtas da diretora argentina Lucila Mariani

No domingo, dia 25 de janeiro, em sessão gratuita, às 19h15, o cinema argentino ganha espaço novamente na programação da Cinemateca Capitólio (após a concorrida exibição do monumental Trenque Lauquen na semana passada) com a apresentação de um programa de cinco curtas da diretora Lucila Mariani, que está rodando em Porto Alegre seu primeiro longa-metragem, Los Días Libres, protagonizado pela atriz Laura Paredes, e co-produzido pela Vulcana Cinema. Com passagem por vários festivais importantes, como Locarno, Rotterdam e Bafici, os curtas de Mariani colocaram a jovem cineasta entre os nomes promissores do novo cinema argentino.

A sessão será comentada por Lucila Mariani e pela professora e crítica de cinema Daniela Strack.


Curtas Programados:


Wekwaindu

Argentina / 2018 / 10 minutos / DCP

Uma menina de 11 anos atravessa seu primeiro período menstrual enquanto tenta entender seu corpo e aqueles que a rodeiam.


Ressonâncias

Resonancias

Argentina / 2019 / 15 minutos / DCP

Male gosta de nadar. Um dia, enquanto está na piscina, ao entrar água em seu ouvido, ela começa a atravessar experiências distintas que a aproximam do mar. Exibido nos festivais de Rotterdam, New Directors/New Films em Nova York e no Bafici.

                                            

Lua que se Quebra sobre a Treva de Minha Solidão

Luna que se Quiebra sobre la Tiniebla de mi Soledad

Argentina / 2022 / 12 minutos / DCP

O cotidiano de uma menina se vê alterado com a aparição de um vampiro em seu computador, que se desdobra em um passeio pela noite escura de Buenos Aires. Exibido nos festivais de Locarno, Montevidéu, Dresden e Mar del Plata.


Quisera Não Sentir Todo Este Ruído

Quisiera no Sentir Todo Este Ruido

Argentina / 2025 / 13 minutos / DCP

Durante a noite anterior à realização de um aborto, uma mulher é acometida pela insônia. Os ruídos vizinhos se misturam com o ruído que sente em seu interior. Selecionado para o Indie Lisboa 2025.


As Horas

Las Horas

Argentina / 2020 / 8 minutos / DCP

Durante a noite de verão anterior ao aniversário de seu próprio desaparecimento, uma mulher enfrenta o ardor da recordação. Trinta anos antes, na província de Buenos Aires, uma jovem planeja fugir de seu vilarejo e deixar sua vida para trás. Enquanto as horas transcorrem, se contraem e dilatam até o começo de um novo dia, o passado pode tornar-se tão real como o presente. Co-dirigido por Francisco Zuleta.


Sessão Vagalume Férias Homenageia Rob Reiner

No mês de janeiro, o projeto Sessão Vagalume realiza uma programação especial, em homenagem ao cineasta Rob Reiner, recentemente falecido. Ao longo de uma semana, em sessões diárias e alternadas, serão exibidos dois dos maiores sucessos do diretor, os já clássicos Conta Comigo (1986) e A Princesa Prometida (1987), filmes que desde a sua estreia, na década de 1980, vêm seduzido crianças e adolescentes de diferentes gerações.


Conta Comigo

Stand by Me

Direção de Rob Reiner

Estados Unidos / 1986 / 89 minutos

Direção de Rob Reiner

Classificação indicativa: 12 anos (dublado em português)

R$ 10,00

No verão de 1959, os garotos Gordie, Vern, Chris e Teddy descobrem que um menino foi acidentalmente morto perto da cidade natal deles, Castle Rock. Juntos decidem desbravar a área rural onde moram à procura do corpo. No percurso, os amigos precisam lidar com uma série de percalços e ainda enfrentar a gangue de arruaceiros liderada por Ace Merrill. À medida que o tempo passa, a jornada que parecia apenas uma diversão juvenil no início se transforma em um divisor de águas na vida dos quatro amigos. Um clássico do cinema infanto-juvenil, inspirado em conto do escritor Stephen King.


A Princesa Prometida

The Princess Bride

Estados Unidos / 1987 / 98 minutos

Direção de Rob Reiner

Classificação indicativa: livre (dublado em português)

R$ 10,00

Um avô lê um conto de fadas ao seu neto, com direito a uma linda princesa, lutas de esgrima e gigantes. A história conta as peripécias da linda princesa Buttercup, que é apaixonada por um jovem camponês. Prometida a um nobre malvado, no dia de seu casamento ela é sequestrada por seu amado.


Grades de Horários


22 de janeiro (quinta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: Conta Comigo (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – A Noiva de Frankenstein (75 minutos) – entrada franca


23 de janeiro (sexta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – O Homem Invisível (71 minutos) – entrada franca


24 de janeiro (sábado)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: Conta Comigo (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Bom Trabalho (92 minutos) – R$ 16,00


25 de janeiro (domingo)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Sessão de curtas da diretora argentina Lucila Mariani, seguida de debate – (58 minutos + debate) – entrada franca


27 de janeiro (terça-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias: A Princesa Prometida (98 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Crash – Estranhos Prazeres (100 minutos) – entrada franca


28 de janeiro (quarta-feira)

15:00 – Sessão Vagalume Férias (Conta Comigo) (89 minutos) – R$ 10,00

17:00 – Ato Noturno (119 minutos) – R$ 16,00

19:15 – Garotos de Programa (104 minutos) – entrada franca

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria'

Sinopse: Com a vida desmoronando ao seu redor, Linda tenta lidar com a misteriosa doença de sua filha, seu marido ausente, uma pessoa desaparecida e um relacionamento cada vez mais hostil com seu terapeuta.

Na minha opinião pessoal "Repulsa do Sexo" (1965), do diretor Roman Polanski, é o primeiro filme de horror cujo monstro talvez não esteja dentro do armário, mas sim em nossas mentes a beira de um colapso nervoso. Em tempos atuais em que o mundo real é mais assustador do que qualquer monstro clássico se tornou cada vez mais fácil fazer filme que explorasse o indivíduo à beira de um ataque de nervos perante os obstáculos diversos que vão surgindo. "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" (2026) é um desses casos de filmes que nos provoca ansiedade e medo, mas não com a possibilidade da existência de um monstro, mas sim devido à ação e reação da protagonista principal da trama.

Dirigido pela atriz e diretora Mary Bronstein, a trama é sobre  a psicóloga Linda (Rose Byrne), uma mãe à beira de um ataque de nervos. Mãe de uma menina doente, a protagonista é obrigada a conviver com obstáculos um atrás do outro quando seu teto cai graças a um vazamento enorme de água em seu lar. Com a vida sua vida caindo aos pedaços ela busca socorro de todos os lados, mas ninguém parece estar disposto ou ser capaz de ajudá-la, nem seu ausente marido.

Já no início a diretora Mary Bronstein nos prega uma peça curiosa, já que a sua câmera foca somente a protagonista em um primeiro plano,  enquanto somente ouvimos as vozes da filha e da médica. O filme prossegue e nos passa a impressão que somente iremos observar a ação e reação da protagonista, principalmente no momento em que um buraco surge em sua casa e fazendo ela quase perder o controle da situação. Somente quando ela se muda para um hotel para cuidar de sua filha é que outros personagens surgem e agindo cada de uma forma distinta perante a protagonista.

Seria curioso se somente Rose Byrne se mantivesse em cena e colocando os demais personagens fora do quadro, pois nestes primeiros minutos de projeção ficamos perplexos com a expressão facial da atriz, pois ela consegue passar para nós um ser pronto para explodir perante as adversidades que vão ocorrendo em seu dia a dia e não tendo mais saúde mental para contorná-las. Se o mundo fosse justo  Rose Byrne mereceria todos os prêmios que seria indicada.

Aliás, esse é um belo exemplo de sincronia entre a direção e atuação da protagonista em cena, já que a diretora Mary Bronstein não desvia o seu foco e se concentra em todo o trabalho maravilhoso que a atriz nos brinda em cada minuto. Além disso, a realizadora prova que poderá construir uma grande carreira de direção autoral na medida certa, principalmente ao realizar um jogo de edição de cenas caprichado e que remete elementos do já clássico "Réquiem para um Sonho" (2000) de Darren Aronofsky. Curiosamente, Mary Bronstein presta também homenagem, mesmo de forma subliminar, ao mestre David Cronenberg, principalmente pelo fato que o físico e a mente são explorados na história de uma forma que nos dá a entender que uma não vive sem a outra enquanto não estiverem em harmonia.

O filme não somente foca com relação ao desespero mental da protagonista, como também explora uma sociedade, tanto aquela que está pedindo por socorro, como também aquela parte que busca fugir dos problemas e não se prestar a ajudar o próximo. Bom exemplo disso é o colega de profissão da protagonista, que se vê na responsabilidade de ajudá-la, mas logo decide abandoná-la, pois o próprio já não tem forças nem para resolver as suas próprias adversidades na vida. Além disso, a protagonista ainda tem que lidar com pacientes que não são diferentes se compararmos a ela, mas que se encontram cada vez mais à beira do precipício, por mais que Rose procure ajuda-los em meio a toda loucura que está lhe acontecendo.

O filme explora sobre até que ponto uma mente aguenta perante a aceleração que o mundo atual se encontra e fazendo a protagonista ser seduzida pela quietude eterna que lhe seduz em alguns momentos. Embora o minuto final de ao espectador um fio de esperança para a personagem, ao mesmo tempo fica em aberto se tudo não passa de uma cortina de fumaça moldada pela própria para fugir da dor emocional que sempre lhe perseguiu em vida. Não é sempre que um filme obtém uma grande sintonia com os tempos atuais cada vez mais complexos e que nos deixa ainda mais confusos.

"Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" é assustador por não ter um monstro no armário, mas sim dentro de nossas mentes que não consegue mais acompanhar a aceleração de um mundo cada vez mais complexo. 


    Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Cine Dica: Em Cartaz - 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet'

Sinopse: William Shakespeare e a sua esposa, Agnes, celebram o nascimento do seu filho, Hamnet. No entanto, quando a tragédia atinge e Hamnet morre ainda jovem, isso inspirou Shakespeare a escrever a sua obra-prima intemporal, Hamlet.

Em pouco tempo Chloé Zhao obteve um Oscar na prateleira de melhor direção pelo belo "Nomadland" (2020). A vitória foi o suficiente para ela embarcar em sua primeira produção de grande orçamento, "Eternos" (2021), sendo que o tempo passa e cada vez fica mais claro que é um dos filmes mais injustiçados do MCU. Eis então que a realizadora dá novamente a volta por cima através de "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" (2025). filme que explora as raízes da obra prima "Hamlet" de Shakespeare e cujo resultado acaba sendo surpreendente.

Na trama, conhecemos a origem da relação entre  Shakespeare  (Paul Mescal) e Agnes (Jessie Buckley). O que começa com uma espécie de conto de fadas logo começa a obter contornos sombrios quando o filho do casal, Hamnet (Jacbob Jupe) acaba falecendo devido a peste bubônica. A tragédia faz com que a família quase entre em declínio, mas Shakespeare usa dessa dor para obter a sua redenção.

Baseado no livro de Maggie O'Farrell, o filme transita tanto para fatos históricos, como também fictícios, já que ninguém obteve algo mais esclarecedor sobre a vida pessoal que o escritor teve com a sua esposa Agnes. Era fato, por exemplo, que o filho havia perecido devido aos tempos da peste, sendo que essa passagem dolorida do artista já havia sido explorada até mesmo pelo escritor Neil Gaiman quando criou as origens de "Sonhos de Uma Noite de Verão" para sua saga "Sandman". Aqui, porém, Chloé Zhao opta por algo mais verossímil com relação aos fatos, mas ao mesmo tempo explorando o lado fantástico que Shakespeare sempre prezava em seus contos.

Em todo o filme há um cuidado primoroso com relação a reconstituição de época, assim como também uma bela fotografia que sintetiza um clima de mistério lirico e que nos enche os olhos. O visual se casa com a personalidade de Agnes, uma mulher que vive através dos mistérios da natureza e sendo até mesmo vista como uma espécie de Bruxa para as demais pessoas. Porém, esse lado cheio de mistérios é o que atrai o até então jovem  Shakespeare e nascendo assim um relacionamento improvável, mas curioso para dizer o mínimo.  Paul Mescal e Jessie Buckley possuem uma química perfeita em cena, onde os seus respectivos personagens compartilham um para outro as suas visões distintas com relação ao mesmo mundo em que estão vivendo.

Mas o filme pertence realmente a Jessie Buckley, onde ela constrói para si uma Agnes de camadas complexas, mas que nos atrai pelo seu olhar a partir da forma que ela enxerga o mundo em que vive. Além disso, o seu olhar vai mais além, ao ponto de realmente ter uma noção sobre o significado da vida e da morte e tendo uma dimensão maior quando se entrega à dor devido a perda do seu filho. A cena, aliás, está entre os momentos mais angustiantes que eu presenciei no cinema recente e isso graças a sua atuação impecável, assim como também ao ótimo desempenho do pequeno ator Jacbob Jupe.

Curiosamente, Chloé Zhao não tem pressa na construção de sua narrativa, sendo que o primeiro ato pode até soar mais lento. Porém, a partir do momento que Shakespeare decide abraçar a sua escrita e o teatro é então que o filme se encaminha para momentos tortuosos que os personagens irão enfrentar e fazendo com isso prenda a nossa atenção até o fim. Tudo se torna ainda mais recompensador quando chega o terceiro ato da trama.

Se em "Shakespeare Apaixonado" (1998) é baseado na teoria que o escritor criou o seu clássico "Romeu e Julieta" através de uma relação proibida em que havia se envolvido, aqui as origens "Hamlet"  é através da morte do seu filho que ele buscou inspiração para um dos seus maiores contos. Porém, talvez não tenha sido uma forma para ele obter sucesso, mas sim meio para aliviar a sua dor e obter a chance de se despedir do seu filho que não obteve no passado. A peça apresentada no ato final não é somente um dos melhores momentos do filme como um todo, como também reforça a estupenda atuação de Jessie Buckley em cena e merecendo todos os prêmios que ela for indicada.

"Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é um dos melhores e mais emocionantes filmes que eu testemunhei neste início de ano e cujo seu ato final irá marcar a todos que forem apreciá-lo.  

    Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok 

Cine Dica: Filmes franceses e gaúchos abrem o ano da Sala Redenção

Até o dia 23, o cinema da UFRGS realiza duas programações concomitantes: nas sessões das 16h, a Mostra de Autor exibe filmes do diretor francês Pierre Richard; enquanto as sessões das 19h apresentam obras da Mostra Cinema Político: 190 anos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. Nesta segunda-feira, o público pode assistir a "Um sopro entre os dentes" (1974), às 16h; e "O dia em que Dorival encarou a guarda" (1986) e "O caso do homem errado" (2017), às 19h.

Confira a programação completa no site oficial da sala clicando aqui. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Cine Especial: Clube de Cinema - 'O Gosto de Cereja'

 Nota: Filme exibido para os associados no último sábado (10/01/26).

Infelizmente eu fui somente conhecer  Abbas Kiarostami  a partir do filme "Cópia Fiel" e do qual me enfeitiçou em uma distante sessão orquestrada pelo jornal ZH. De lá pra cá, logicamente, fui conhecendo os seus feitos e fazendo com que eu adentrasse ainda mais o cinema iraniano como um todo. Pode-se dizer que se não fosse por  Abbas Kiarostami, somente ficaria conhecendo o Irã pelo lado parcial do cinema norte americano, ou até mesmo pela imprensa sensacionalista como um todo.

No cinema de  Kiarostami  não há pressa para apresentação da trama, sendo que em muitos momentos a ficção transita para um lado documental e fazendo com que não tenhamos uma dimensão exata de onde começa e onde termina o que é real. Claro que o cinéfilo mais atento irá notar atores amadores, ou simplesmente pessoas comuns que cruzam em seus projetos, mas que acabam dando um acréscimo a mais para render um grande espetáculo. "O Gosto de Cereja" (1997) talvez seja uma das obras mais pessoais do diretor e revelando um pouco de sua pessoa.

Na trama, um homem (Homayoun Ershadi) viaja pelos campos, tentando angariar trabalhadores avulsos para satisfazer seus desejos reprimidos: Ele procura alguém que o ajude a morrer, mas vive em uma sociedade onde suicídio é uma abominação. No decorrer dessa busca ele acaba por ouvir a opinião de alguns e a repulsa de outros com relação ao seu pedido inusitado.

Antes desse filme Kiarostami já tinha uma predileção em contar tramas em que o protagonista dirige um carro e nos convida para adentrar em uma trama que é apresentada aos poucos. Basta pegarmos, como exemplo, o longa "A Vida Continua" (1993), obra que transita muito mais pelo lado documental, já que testemunhamos um Irã ainda se reestruturando devido a um terremoto devastador. Curiosamente, o realizador vai justamente na cidade para reencontrar os atores de "Onde Fica a Casa do Meu Amigo?" 1987) e vê-los se estão todos bem.

No caso de "O Gosto de Cereja" vemos através do protagonista um Irã sempre em  movimento, seja em uma pedreira, em uma usina ou em um determinado quartel. O protagonista somente observa esses lugares e busca uma forma de convencer alguém a lhe fazer um trabalho inusitado e do qual pode culminar no seu último dia neste mundo. O protagonista não revela aos seus passageiros mais ou menos o que quer, mas causando reações distintas de cada um e fazendo com que o longa se torne ainda mais verossímil na medida em que a trama avança.

Obviamente se percebe que não vemos atores em cena, mas sim pessoas comuns em meio ao trabalho, mas que são interrompidos pela chamada do protagonista. Ao meu ver, com certeza era o próprio diretor chamando as pessoas para se sentarem no banco de passageiro enquanto ele filmava a ação e reação dessas pessoas durante as suas perguntas. O resultado é de um verdadeiro assombro de genialidade e que revela muito mais do que se imagina dessas pessoas comuns, porém, com histórias que foram ou poderiam ter sido contadas se algumas tivessem atendido o seu pedido.

Homayoun Ershadi até então era um completo desconhecido no seu país de origem. Através desse longa, porém, ele se tornou um dos rostos mais marcantes do cinema de Kiarostami, ao construir para si um personagem que tem um único pensamento em acabar com tudo, mas tendo que obter ajuda e seguindo em uma cruzada em busca da pessoa ideal para colocar em prática esse feito. Na medida em que o tempo passa não queremos que ele encontre a pessoa certa, não porque queremos que ele continue com vida, mas sim para podermos apreciar ainda mais a sua jornada.

Assim como em suas demais obras, o diretor filma como ninguém as estradas de chão que levam os seus protagonistas para determinados lugares, ou simplesmente para lugar algum desde que a história continue. O último passageiro, por sua vez, não somente conta sobre a sua pessoa, como também dá um incentivo para que o protagonista busque uma razão para continuar vivendo, desde em prestar atenção ao céu, como também sentir o gosto de determinados alimentos que nós degustamos em determinada estação. o título do filme vem daí e obtendo um peso maior de significado.

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes na época, o filme dividiu opiniões, mas ganhando força através do tempo. O filme serviu até mesmo de inspiração para o próprio realizador em filmar outras tramas que ocorrem dentro de um automóvel, que vai ao filme "Dez" (2002) como também o já citado "Cópia Fiel". Curiosamente, isso também serviu de inspiração para outros diretores, como foi no caso de  Jafar Panahi ao  realizar o seu longa "Táxi de Teerã" (2015).

Com um final em aberto, mas ao mesmo tempo surpreendente, "Gosto de Cereja" é uma das obras mais pessoais de Abbas Kiarostami, do qual fala muito sobre a sua pessoa e sobre um Irã que o ocidente ainda não enxerga.  

    Faça parte:


Mais informações através das redes sociais:

Facebook: www.facebook.com/ccpa1948

twitter: @ccpa1948  

Instagram: @ccpa1948 

 
Joga no Google e me acha aqui:  
Me sigam no Facebook twitter, Linkedlin Instagram e Tik Tok