Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Hoje, 28 DE DEZEMBRO DE 2025, completamos exatos 130 ANOS do nascimento do CINEMA. Em 1895, no Salon Indien do Grand Café, em Paris, os irmãos LUMIÈRE realizaram a primeira exibição pública paga da história com 10 curtas-metragens projetados para uma plateia de apenas 33 espectadores.
E aqui está exatamente como tudo começou… Operários saindo da fábrica, um trem chegando à estação, ondas quebrando na praia… Aqueles poucos segundos mudaram para sempre o nosso jeito de olhar o mundo. Os Lumière não inventaram apenas imagens em movimento. Eles inventaram o nosso olhar.
O CINEMA segue iluminando corações e mentes. Sempre.
A última cinesemana do ano destaca a estreia de VALOR SENTIMENTAL, um afiado drama familiar dirigido pelo norueguês Joachim Trier e que aparece em várias listas de melhores filmes do ano. Outra novidade é VIZINHOS BÁRBAROS, da francesa Julie Delpy, que coloca em debate questões sociais como racismo e preconceito a partir de um pequeno vilarejo da França.
Seguem em cartaz NOUVELLE VAGUE, de Richard Linklater, sobre os bastidores das filmagens de “Acossado”; o documentário LUMIÉRE! A AVENTURA CONTINUA, que reúne uma centena de filmes produzidos pelos irmãos Lumière nos primórdios do cinema; além de SORRY, BABY, dirigido e protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz. Sucesso de público e candidatos a vários prêmios Oscar, também continuam na nossa programação O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, e FOI APENAS UM ACIDENTE, novo filme do diretor iraniano Jafar Panahi.
Esta é a última semana para conferir MEMÓRIAS DE UM VERÃO, em que Glenn Close interpreta uma avó; LIVROS RESTANTES, com a atriz Denise Fraga; a comédia romântica italiana PRIMEIRO ENCONTRO.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicandoaqui.
Há inúmeros filmes natalinos que ao longo da história se tornaram grandes clássicos. Porém, há casos de filmes que somente usam a data festiva como pano de fundo e encantam com a sua principal história que foge por completo do convencional. O clássico "Gremlins" (1984) é um desses casos em que o encanto desta data se mistura com um horror de humor ácido e que conquistou uma geração inteira.
A ideia da criação do longa foi baseada no conto do escritor galês Roald Dahl em 1943, que foi piloto da Força Aérea e depois faria fama mundial com livros infantis como A Fantástica Fábrica de Chocolate, Mathilda e As Bruxas. Ele publicou um livro chamado "Os Gremlins", em que um piloto britânico, cansado de lidar com os Gremlins que provocavam falhas mecânicas em seu avião, se junta às criaturinhas para combater um inimigo comum: Hitler e a força aérea nazista.
A história conquistou o até então desconhecido Chris Columbus, que usou a premissa para criar uma história original onde as criaturas surgissem em uma típica cidade norte-americana em pleno natal. Na época, o todo poderoso Steven Spielberg adorou a história e decidiu se tornar produtor do filme, sendo que o próprio havia se tornado um dos maiores produtores de filmes que se tornaram verdadeiros sucessos de bilheteria nos anos oitenta. Já a direção ficou a cargo de Joe Dante, que já era conhecido através do clássico filme B "Piranha" (1978).
Na trama, Rand Peltzer (Hoyt Axton) é um "inventor" que, ao tentar dar um presente natalino único para seu filho, Billy Peltzer (Zach Galligan), compra em Chinatown um Mogwai, um ser aparentemente gracioso. Porém, regras essências para ter um Mogwai: nunca colocá-lo diante de uma luz forte e muito menos na luz solar, que pode matá-lo; nunca molhá-lo e, a regra principal, nunca o alimente após a meia-noite, mesmo que ele chore ou implore. Não demora muito para que Billy se descuide com relação a essas regras e faça com que surjam na cidade os Gremlins.
Eu assisti há vários na tv e já na época o filme havia me surpreendido pelo seu cruzamento com relação a magia do natal com um teor mais sombrio. Ao meu ver havia um dedo de Spielberg na produção, pois o realizador foi responsável pelos melhores filmes de aventura e fantasia da época. Ao mesmo tempo, se nota que Joe Dante também teve a sua liberdade intacta para desenvolver cenas assustadoras e que fugiam do convencional, e olha que estamos falando de um filme que as crianças assistiam, se horrorizam, mas ao mesmo tempo se encantaram pelo conto.
Talvez o ponto certeiro foi terem criado o pequeno Gizmo como o único Gremlin bonzinho da trama e conquistando a simpatia do público sempre quando surgia em cena. Agora, é preciso reconhecer os esforços para a criação das tais criaturas, já que estamos falando de um tempo que não havia CGI e tudo era feito a mão e com o melhor que a tecnologia da época poderia oferecer. Eles foram criados usando uma combinação de efeitos práticos, como animatrônicos, fantoches, marionetes e até stop-motion.
O resultado possui um peso que é sentido até hoje, já que tanto sentimos a fofura de Gizmo, como também o teor diabólico e brincalhão dos Gremlins malvados. A minha cena favorita é justamente quando eles saem dos seus casulos já transformados e começam atacar a mãe do protagonista, interpretada pela atriz Frances Lee McCain. Vale destacar que nesta cena ela dá um verdadeiro show de atuação, já que ela transmite medo perante a situação, mas ao mesmo tempo disposta a encarar no mano a mano os pequenos seres.
Outro fator curioso é a maneira como as criaturas interagem com as coisas dos seres humanos e protagonizando cenas hilárias como aquelas do bar em que eles estão dançando, fumando, bebendo e ouvindo música. Ao meu ver existe uma mensagem subliminar nisso, já que eles sucumbiram ao mesmo consumismo que os seres humanos convivem em seu dia a dia. O filme por sua vez transita com relação a magia do natal, mas ao mesmo tempo revelando uma sociedade cada vez mais consumida pelo consumismo desenfreado como um todo.
Ao mesmo tempo, o filme trata de assuntos delicados como o fato que nem todas as pessoas ficam felizes quando chega essa data festiva e sendo vistas como pessoas estranhas. A melhor personagem que representa isso é sem sombra de dúvida Kate, interpretada pela jovem atriz Phoebe Cates e que fala sobre um passado sombrio e os motivos que a levaram a não gostar mais do natal. Me lembro desta história que ela contou e que assombrou uma geração inteira.
Como não poderia deixar de ser, principalmente ao se tratar de uma obra de Steven Spielberg, o filme está cheio de referências aos filmes de sua autoria, mas ao mesmo tempo com relação aos outros clássicos do cinema. A cidade onde acontecem os eventos em si remete ao clássico "A Felicidade Não se Compra" (1946) e que até hoje é apontado como um dos melhores filmes natalinos da história. Ao mesmo tempo o filme sintetiza a paranóia com relação ao estrangeiro, com relação ao comunismo e não faltam referência a isso, principalmente ao inserir uma cena clássica do filme "Invasores de Corpos"(1956) e do qual era uma metáfora com relação a mentalidade norte americana perante os tempos da União Soviética.
Mas talvez um dos melhores exemplos de homenagem que o filme faz a sétima arte é quando as criaturas vão ao cinema e assistem ao clássico "Branca de Neve e os Sete Anões" (1937). Curiosamente, foi através dessa cena que eu tive o primeiro contato com o filme da Disney, sendo que havia ainda muita restrição do estúdio em exibir os seus clássicos na tv aberta e tendo somente a chance de assistir anos depois em VHS. Um exemplo claro de como um longa pode abrir uma janela para conhecermos outros clássicos.
O longa estreou na mesma época de outro filme que se tornaria um verdadeiro clássico que foi "Os Caça Fantasmas" (1984). Embora com grande concorrência, o filme arrecadou US$ 212,9 milhões, contra um orçamento de US$ 11 milhões e se tornando a quarta melhor bilheteria daquele ano. Logicamente não demorou muito para que surgissem outras imitações como no caso da franquia "Criaturas" iniciada em 1986 e que, para a surpresa de muitos, revelou o até então jovem ator Leonardo DiCaprio. "Gremlins" teria a sua própria continuação lançada em 1990 e até hoje os fãs esperam por uma possível terceira parte.
"Gremlins" é um verdadeiro clássico natalino, mas cuja magia festiva transita com elegância com um horror hilário e até mesmo a frente do seu tempo.
Sinopse: Gustav sempre foi um diretor de cinema brilhante e um pai distante de Nora e Agnes. Quando a mãe das duas irmãs morre, ele reaparece com uma novidade: quer rodar o seu projeto mais pessoal na casa que era da família e com a filha mais velha como protagonista. Mas Nora recusa o papel e Gustav resolve entregá-lo para uma jovem e entusiasmada estrela de Hollywood, que logo percebe que se envolveu em um doloroso e íntimo drama familiar. O filme conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025.
VIZINHOS BÁRBAROS
Sinopse: A comunidade de Paimpont, uma pequena cidade do norte da França, aceita receber uma família de refugiados ucranianos que foge da guerra da Rússia contra a Ucrânia. A acolhida terá uma compensação em subsídios do governo e também a gravação de um documentário sobre a região. Mas, devido a falta de ucranianos, quem desembarca em Paimpont é uma família de sírios, que não é bem aceita por parte dos moradores.
ANACONDA
Sinopse: Os melhores amigos Griff e Doug partem para as selvas da Amazônia para filmar um reboot de seu filme favorito de todos os tempos, Anaconda. No entanto, a vida logo imita a arte quando uma anaconda gigantesca com sede de sangue começa a caçá-los.
Sinopse: Adolescentes participam de uma competição extenuante e de alto risco onde devem caminhar continuamente ou são baleados por um membro de sua escolta militar.
Vindo dos vídeo clipes Francis Lawrence começou a realizar longa metragens a partir do hoje cultuado "Constantine" (2005) e se envolvendo em filmes de verão norte americano como "Eu Sou A Lenda" (2007). Porém, foi a partir do momento que se envolveu na franquia "Jogos Vorazes" que o realizador transitou em fazer um cinema autoral, mas ao mesmo tempo fazendo algo que agradasse o estúdio e ao mesmo tempo o grande público. "A Longa Marcha: Caminhe ou Morra" (2025) é um filme em que ele soube usar elementos do qual ele usou ao longo da carreira, mas ao mesmo tempo respeitando a essência literária de Stephen King.
Baseado na obra literária lançada em 1979, o filme se passa num futuro distópico em que os Estados Unidos vivem sob um regime autoritário em que uma competição mortal recruta todo ano um grupo de cinquenta jovens meninos para o que eles chamam de A Longa Marcha. Um dos escolhidos desse ano é o adolescente Ray Garraty e a regra é clara: se mantenha caminhando, sem parar para não ser baleado enquanto essa prova brutal de resistência é transmitida para milhares de espectadores ao redor do país.
Já acostumado em dirigir ficções distópicas, Francis Lawrence capricha ao fazer com que uma caminhada a céu aberto se torne algo completamente claustrofóbico, onde aos poucos vemos os jovens sucumbindo um a um para morte certa na estrada. Logicamente, o roteiro se concentra em alguns, principalmente na dupla central, interpretados pelos atores Cooper Hoffman e David Jonsson, sendo que esse último sintetiza o lado positivo de uma realidade opressora, mesmo quando ela corre o sério risco de mudá-lo ao longo da jornada. O filme explora o lado humano perante a desumanidade, que vai desde amizade, tolerância e sacrifício perante o próximo.
O grande charme do filme é sem sombra de dúvida o fato de conhecermos esses personagens através de ótimos diálogos, dos quais eles não cansam, pois sempre há uma tensão de que algo pode acontecer a qualquer momento. Ao mesmo tempo, é impressionante que uma história criada no final dos anos setenta funcione até nos dias de hoje, já que estamos falando de um país norte americano dividido devido às suas ambições e cuja temática se encontra mais atual do que nunca. A meu ver desde cedo Stephen King enxergou o lado cru do mundo real, independentemente de ter usado ou não o lado fantástico e costumeiro das suas obras.
O final com certeza irá levantar diversas discussões, principalmente pelo fato que a mensagem principal é não se vender ao sistema mesmo quando ele lhe dá a chance de mudar de vida. Acima de tudo a humanidade ainda é preciosa, mesmo quando a própria se entrega pelo lado bestial da vida. "A Longa Marcha: Caminhe ou Morra" é um reflexo de ontem e hoje de um mundo cada vez mais desumano e sucumbindo a um sistema movido somente por número de mortos.
Sinopse: Continuação cinematográfica do anime, focando no encontro de Denji com a misteriosa garota de café, Reze, que o atrai para um romance e, em seguida, para uma batalha intensa.
O ano de 2025 será lembrado por diversos fatores e dentre eles o grande sucesso dos animes no cinema. "Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito" foi um que surpreendeu a todos e provando que esse mercado pode gerar um grande lucro desde que possua um ótimo conteúdo. Comendo pelas beiradas surgiu do nada "Chainsaw Man: O Filme - Arco da Reze" (2025), filme que é continuação direta de uma série de sucesso e me surpreendendo pela sua qualidade gráfica e trama inusitada.
Dirigido por Tatsuya Yoshihara, o filme é uma trama derivada dos mangás de Tatsuki Fujimoto, Denji faz um acordo com o demônio Pochita após sofrer um ataque fatal para permanecer vivo como o Homem-Motosserra. Envolvido em uma guerra de demônios e caçadores, ele acaba conhecendo Reze, uma menina misteriosa que vira seu mundo de cabeça para baixo, levando Denji a embarcar na batalha mais arriscada de sua vida com o coração na mão.
Inicialmente é preciso deixar claro que eu não assisti a primeira temporada e, portanto, fui assistir esse filme sem nenhum conhecimento prévio. Porém, eu compreendi que esse universo há demônios para serem caçados e mortos enquanto há uma organização formada tanto por anjos como demônios. Simples e direto, muito embora a assistindo a série sirva para apreciar melhor o filme como um todo.
O longa, logicamente, foca Denji em seu dia a dia como um rapaz comum e ao mesmo tempo sendo um Homem-Motosserra nas horas vagas. Mas o filme ganha realmente a sua forma a partir do momento que ele conhece a misteriosa Reze e fazendo com que a relação entre os dois se torne o coração pulsante do filme. É então que o anime nos brinda com belas cenas, onde mais parece um mosaico cheio de detalhes e os nossos olhos só agradecem.
Porém, estamos falando de um anime de ação e quando ele acontece é então que o longa vira uma montanha russa de violência, sangue e muitas decapitações. Fazia tempo que eu não assistia um anime tão violento e confesso que até havia me esquecido que esse tipo de arte de animação gosta de explorar em potência máxima, tanto no seu modo visual, como também uma trama que extrapola a beira do bestial. Comparado a isso a franquia "Dragon Boll" não passa de brincadeira de criança.
Ao final ficamos até mesmo com sentimentos conflituosos com relação aos personagens, mesmo quando a gente tem a total consciência que um deles é responsável por ter matado um monte de gente. O final é explosivo, melancólico e fazendo eu desejar conhecer a série de imediato. "Chainsaw Man: O Filme - Arco da Reze" é um cartão de visita para aqueles que nunca conheceram esse universo, mas ao mesmo tempo um prato cheio para aqueles que já estão familiarizados.