Sinopse: Arco é um menino de dez anos vindo de um futuro pacífico que acidentalmente viaja no tempo para o ano de 2075. Ao descobrir um mundo em perigo, ele se une a uma jovem e seu robô cuidador em uma jornada para voltar para casa.
Quando o assunto é fantasia no cinema atual, muitos logo se lembrarão do Studio Ghibli. O estúdio japonês criou obras-primas como o clássico "A Viagem de Chihiro" (2001) e tornou-se fonte de inspiração para o mundo todo. Ao assistir a "Arco" (2025), percebo similaridades com a linguagem do estúdio oriental, mas a produção ganha luz própria ao encantar com uma história fantástica e, ao mesmo tempo, singela.
Dirigido por Ugo Bienvenu, o filme acompanha Arco, um garoto de 10 anos que vive no ano de 2932, época em que a civilização habita entre as nuvens. Certo dia, ele pega "emprestada" a capa de sua irmã — traje que lhe permite viajar ao passado — e acaba caindo no ano de 2075, onde encontra a jovem Iris, seu pequeno irmão e o robô cuidador da família. Juntos, eles tentam encontrar um meio de mandar Arco de volta para casa, enfrentando diversos obstáculos ao longo dessa jornada.
Visualmente, o longa lembra bastante a HQ de ficção científica "Paciência" (2016), do quadrinista Daniel Clowes, com a qual compartilha a temática da viagem no tempo. Contudo, enquanto o conto de Clowes se envereda por um tom mais pessimista, esta animação francesa transborda pura magia ao unir aventura e ficção científica sob o olhar de crianças que veem suas fantasias se tornarem realidade. Tudo isso é moldado por meio de uma animação tradicional 2D, com pontuais retoques em CGI, preservando o encanto e o frescor das produções de antigamente.
É fascinante observar o contraste tecnológico entre os tempos que separam Arco e Iris. O período da garota guarda mais semelhanças com a nossa realidade, ainda que permeado por certas tecnologias futuristas. O filme traça um paralelo sobre como os avanços tecnológicos podem distanciar os seres humanos — algo sintetizado com precisão na cena em que Iris interage apenas com hologramas dos próprios pais. Curiosamente, é o robô Mikki que acaba assumindo uma figura paterna para a jovem, com uma fidelidade absoluta que protagoniza um dos momentos mais emocionantes da obra.
Além disso, o design dos robôs remete àqueles descritos por Isaac Asimov em seus livros, que por sua vez inspiraram o curta "O Segundo Renascimento" (2003), da coletânea Animatrix. Ou seja, trata-se de uma obra recheada de referências a clássicos da ficção, mas que mantém sua personalidade ao usar fórmulas consolidadas para erguer uma belíssima aventura.
No fim das contas, "Arco" é um filme capaz de agradar a todas as idades: diverte e encanta as crianças ao mesmo tempo em que oferece uma camada profunda de reflexão para os adultos. Trata-se de uma das animações mais surpreendentes dos últimos anos, cuja força visual e poética enche os nossos olhos.
Onde Assistir: MUBI
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