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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Cine Especial: Próximo Cine Debate - 'Antes de Partir'

Sinopse: Rory MacNeil é um escocês ranzinza que não dá a mínima para a opinião dos outros. Um dia, ele descobre que tem poucos meses de vida, e sua única alternativa de tratamento está em São Francisco.

O cinema é recheado de histórias cujos protagonistas estão à beira da morte, mas nem por isso desistem de desfrutar os dias que lhes restam. No clássico "Viver" (1952), de Akira Kurosawa, por exemplo, o protagonista usa o tempo que lhe resta não apenas para se aproximar de pessoas que antes negligenciava, mas também para realizar algo significativo que não havia feito em vida. "Antes de Partir" (2018) é um filme delicado e leve ao revelar o atrito entre gerações, mostrando como alguém no final da vida ainda tem muito a oferecer.

Dirigido por Oded Binnun e Mihal Brezis, o filme conta a história de Rory MacNeil, um senhor escocês que, mesmo a contragosto, deixa sua ilha nas Hébridas e se muda para São Francisco após descobrir que tem pouco tempo de vida. Enquanto realiza um tratamento médico especializado e passa a morar com o filho distante, a vida de Rory é inesperadamente transformada à medida que ele se reaproxima do filho e desenvolve um vínculo com o neto.

O início do filme já nos apresenta um protagonista pertencente à "velha guarda" escocesa, cujas tradições moldaram o homem daquele lugar e sobre cuja história há muito a descobrir. Porém, uma vez na metrópole norte-americana, ele precisa se acostumar com as luzes e o movimento constante de uma sociedade movida pelo sistema — que já não enxerga as próprias estrelas. É o típico filme sobre o atrito entre gerações distintas, mas em que ambas têm muito a aprender uma com a outra.

Embora previsível em algumas passagens da trama, o longa nos conquista pela relação entre avô e neto, que acaba se tornando muito mais interessante do que a própria reconciliação entre pai e filho. Outro elemento que permanece um pouco na superfície é o casamento desgastado do casal jovem, que tenta se acostumar com a presença do pai na rotina enquanto lida com carreiras que não são exatamente o que desejavam. É algo explorado de forma irregular na narrativa, mas que passa batido perante os dilemas que o protagonista enfrenta.

Grande veterano do teatro e do cinema escocês, além de popularmente conhecido por filmes americanos como "X-Men 2" (2003) e "Tróia" (2004), Brian Cox sempre construiu uma carreira sólida com personagens complexos, mesmo quando o roteiro tangencia o previsível. Aqui, ele consegue criar um protagonista forte perante o inevitável, irredutível quanto à sua cultura, mas sem esconder certos arrependimentos sobre escolhas do passado. Se ele errou na educação do filho, vê no neto a chance de redenção diante do futuro.

Destaco também a presença da veterana Rosanna Arquette — atriz cujo trabalho no passado venho apreciando cada vez mais —, que demonstra uma ótima química com o protagonista. O momento em que se conhecem no museu é marcante: as obras simbolizam um passado que já não existe no presente, mas cujas marcas carregam o peso de uma história que merece ser contada. Da mesma forma, quando o professor convida o protagonista a gravar relatos em seu idioma gaélico nativo, a cena simboliza que as raízes de um passado distante merecem ser ouvidas por uma geração que hoje tem dificuldade de olhar para trás.

No geral, é um filme que combina pitadas de humor refinado com elementos dramáticos inseridos no momento certo, trazendo uma reflexão sobre laços de sangue que ainda funciona muito bem. Não é uma obra que mudará a vida de ninguém, mas serve como um singelo lembrete sobre como as gerações de hoje ainda têm muito a aprender com aqueles que viveram sem os recursos atuais, mas que se tornaram pessoas com sabedoria a transmitir. "Antes de Partir" é sobre o confronto entre o velho e o novo e sobre saber lidar com os percalços do mundo.

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