É preciso reconhecer que, no ano de 1995, Paul W.S. Anderson tirou leite de pedra ao adaptar "Mortal Kombat" para o cinema. Em uma década em que Hollywood tentou investir em adaptações de videogames gerando somente longas descartáveis, a produção estrelada por Christopher Lambert conquistou o seu devido respeito através do tempo. Infelizmente, o filme gerou continuações uma pior do que a outra, além de desenhos animados que ninguém lembra.
Por muito tempo, a ideia de levar de volta esse universo de lutas e magia ficou na geladeira. Porém, devido ao sucesso de outras adaptações, como "Sonic: O Filme" (2020), a New Line Cinema decidiu investir novamente nesta empreitada. O resultado foram "Mortal Kombat"(2021) e "Mortal Kombat 2" (2026), dois longas que são apontados como fiéis à sua fonte original. Mas ambos conseguiram o equilíbrio da adaptação?
Dirigido por Simon McQuoid, a trama tem início quando Shang Tsung, imperador da Exoterra, envia seu melhor guerreiro, Sub-Zero, para assassinar o jovem Cole Young. Temendo pela segurança da família, Cole vai em busca de Sonya Blade seguindo a indicação de Jax, um major das Forças Especiais que tem a mesma estranha marca de dragão com a qual Cole nasceu. Logo, ele se vê no templo do Lorde Raiden, um Deus Ancião e guardião do Plano Terreno que abriga todos os que possuem a marca. No templo, ele treina com os experientes guerreiros Liu Kang, Kung Lao e Kano enquanto se prepara para lutar contra os inimigos da Exoterra em uma batalha pelo universo. Será que Cole irá longe o suficiente para desbloquear sua arcana — o seu imenso poder?
Para começo de conversa, ambos os longas acertam em trazer finalmente a rivalidade entre Sub-Zero e Scorpion, inimigos mortais durante séculos, algo que a abertura do primeiro filme sintetiza muito bem. Por outro lado, os realizadores foram infelizes ao introduzir o personagem Cole Young, descendente de Scorpion que não acrescenta em nada à trama e sem o qual a história poderia facilmente prosseguir. Interpretado de forma canastrona pelo ator Lewis Tan, o personagem acabou sendo descartado em uma morte que com certeza os fãs raiz do jogo simplesmente adoraram.
O grande ponto de ambos os filmes não é exagerar na adaptação, mas sim simplificá-la no que é a essência primordial do jogo: as lutas de corpo a corpo com seus poderes surpreendentes. O resultado é o uso de um CGI ora perfeito, ora ridículo, mas cumprindo o seu dever com certo êxito. Se no filme de 1995 faltava orçamento em relação aos fantásticos golpes, aqui os fãs não têm do que reclamar.E se alguns reclamaram da falta de personagens essenciais no primeiro filme, eis que surgem no segundo Kitana e Johnny Cage.
A primeira, por sua vez, é a real protagonista deste segundo longa, em que se une ao seu pior inimigo unicamente para enfrentá-lo em um duelo digno de nota no final do longa. Porém, o grande trunfo dessa segunda aventura acaba sendo Johnny Cage.Não é preciso ser gênio para adivinhar que os criadores do jogo elaboraram o personagem inspirado em Jean-Claude Van Damme, sendo que o seu maior clássico, "O Grande Dragão Branco" (1988), serviu também de inspiração para o jogo lançado em 1992.
Johnny Cage é o típico ator de filmes de ação dos anos noventa que possui talento nas artes marciais, mas nos transmite uma atuação canastrona do início ao fim.Se consagrando em filmes e séries de TV como The Boys, Karl Urban entrou fácil na brincadeira ao construir um personagem que ninguém leva a sério em relação às suas frases de efeito, mas provando o seu valor mesmo em situações que o deixam em maus lençóis. Se o primeiro filme já era divertido com algumas piadas, aqui o humor é aumentado em doses cavalares graças a esse personagem.Com dois filmes lançados, resta saber até onde a franquia manterá o seu fôlego. Elaborada com orçamentos modestos, a New Line Cinema só precisa manter a premissa essencial, sem inventar muito e, logicamente, sem criar outro Cole Young no decorrer do percurso. É errando que se aprende, e o estúdio, por enquanto, tem acertado de forma eficaz, diga-se de passagem.
"Mortal Kombat" e "Mortal Kombat 2" são dois filmes dignos de sua fonte e que agradarão até o fã mais exigente.
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