Sinopse: Uma dupla de Lanternas Verdes é designada para investigar crimes misteriosos em uma pacata cidade do interior do Texas.
Decidi assistir a esta nova série da Warner/DC após a exibição do seu oitavo e último episódio. Notei que, embora tenha se tornado um sucesso de crítica, muitos fãs reclamaram da falta de efeitos visuais e de ação, ou até mesmo de uma suposta descaracterização dos personagens centrais. "Lanternas" (2026) pode não ter sido feita para ser estritamente fiel à sua fonte, mas a sua essência está impregnada em toda a obra.
Criada por Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King, a produção reimagina a cruzada do Lanterna Verde — super-herói que, com a ajuda de um poderoso anel, consegue materializar objetos complexos usando apenas a força de sua mente. Agora, Hal Jordan (Kyle Chandler) ganha um novo recruta, John Stewart (Aaron Pierre). Juntos, como policiais intergalácticos, eles terão de sobreviver ao lado sombrio e misterioso da Terra ao mesmo tempo em que investigam um assassinato no coração dos Estados Unidos.
É curioso como a parcela de público que se diz fã do personagem desqualifica a série por não explorar um tom mais fantástico e espacial. Porém, quem realmente conhece a trajetória dos quadrinhos sabe que uma das melhores fases do herói é aquela dos anos 1970, orquestrada por Dennis O'Neil e Neal Adams, na qual o Lanterna Verde e o Arqueiro Verde perambulam pelo interior dos EUA em histórias de pé no chão e temáticas maduras. Senti muito desse clássico ao assistir aos episódios, e só por essa escolha a produção já conquistou o meu respeito.
Interpretado por Kyle Chandler, vemos aqui um Hal Jordan mais humano e falho, remetendo aos tempos em que o personagem sucumbiu ao medo na já clássica HQ "Crepúsculo Esmeralda". Hal está longe de ser um herói perfeito; ele luta para continuar sendo quem é porque nada mais lhe resta além de seguir os passos do falecido pai. Assim, ao ver a possibilidade de ser substituído por John Stewart, notamos uma postura dúbia que nos impede de saber com certeza quais são suas reais intenções ao longo da temporada.
Porém, a série pertence de fato a John Stewart — personagem que ficou popularmente conhecido pela animação "Liga da Justiça" e que aqui ganha enorme peso graças à ótima atuação de Aaron Pierre. Aliás, sua origem, retratada no terceiro episódio, já figura como um dos pontos altos da temporada. A trama explora não apenas seu passado, mas a própria questão do medo — e como essa palavra se torna assombrosa e primordial para o amadurecimento do personagem. Com isso, compreendemos profundamente suas motivações para se tornar um Lanterna.
Visualmente, a exemplo do que ocorreu em "Pinguim" (2024), a série é muito bem filmada. O teor policial impregna boa parte da narrativa, deixando o gênero fantástico em segundo plano. Contudo, quando o elemento fantástico surge, ele atende às exigências do roteiro; não é um mero show de luzes para poluir a tela, mas sim um recurso para elevar a trama, mesmo em momentos contidos. É infinitamente superior ao CGI embaraçoso do filme "Lanterna Verde" (2011), que, em comparação com a série, envelhece ainda pior do que se imagina.
Claro que nem tudo são flores. A resolução dada ao mistério introduzido no início da temporada frustra as expectativas construídas até ali, resultando em um desfecho irregular, para dizer o mínimo. Além disso, a aparição de Guy Gardner (Nathan Fillion) na reta final parece servir apenas para reiterar que esses personagens pertencem ao universo compartilhado orquestrado por James Gunn. Sinceramente, a inserção soa gratuita e faz a série perder um pouco de sua personalidade própria nesse ponto.
Apesar desses poréns, "Lanternas" é uma obra que agradará ao espectador mais exigente e maduro, que anseia por produções que desafiem sua perspectiva. Sendo o "estranho no ninho" deste novo DCU, é justamente por sua ousadia que a série merece ser conferida.
Onde Assistir: HBO Max.
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