Sinopse: Ambientada em 1993, a história acompanha os icônicos lutadores Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo), que estão afastados dos combates. Eles são recrutados pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang) para participar do Torneio do Guerreiro Global.
Foi precisamente no início dos anos 1990 que Hollywood decidiu investir pesado em adaptações de videogames para o cinema. O grande problema dessas produções era não saber transitar entre a linguagem cinematográfica e o universo dos jogos, rendendo pérolas duvidosas como "Super Mario Bros". (1993) e "Street Fighter: A Última Batalha" (1994). Com o sucesso recente do gênero, como visto no recente "Resident Evil" (2026), chega agora a mais nova versão de "Street Fighter" (2026) — um filme que até pode agradar aos fãs do jogo, mas deixa a nítida sensação de que algo importante ficou pelo caminho.
Dirigida por Kitao Sakurai, a trama se passa no ano de 1993 e reencontra Ryu (Andrew Koji) e Ken Masters (Noah Centineo) reunidos após anos de afastamento. Recrutados pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang), os dois se preparam para o circuito Street Fighter. No entanto, o que não esperavam é que por trás do campeonato se esconde uma conspiração mortal orquestrada pelo vilão Bison (David Dastmalchian).
Para quem vive movido pela nostalgia, o longa tenta fisgar o espectador logo na abertura, feita em estilo anime japonês — uma clara referência ao clássico animado "Street Fighter II: O Filme" (1994), que permanece até hoje como a melhor adaptação da franquia. Curiosamente, diversos flashbacks surgem ao longo da narrativa nesse mesmo formato animado, tornando-se, disparado, os melhores momentos da produção. Quando nos damos conta disso, percebemos a gravidade dos problemas da versão em live-action.
Em termos de ritmo, o filme não perde tempo e se comporta como um verdadeiro produto à la videoclipe, repleto de elementos que nos remetem aos bons tempos da MTV. Não faltam sequer faixas lendárias da época, como "What's Up?", que serve como o elo emocional entre Ryu e Ken, além de outros ritmos que certamente farão muitos amantes de música pesquisarem a trilha sonora após a sessão.
Infelizmente, o longa falha no quesito mais primordial quando o assunto é Street Fighter: as lutas. Logicamente, as sequências são superiores às do filme protagonizado por Jean-Claude Van Damme, mas continuam breves demais. Os cortes rápidos mais atrapalham do que ajudam, perdendo de lavada na comparação com os combates dos animes mostrados nos flashbacks. O que dizer, por exemplo, da luta entre Guile e Vega? Ela acontece, mas só testemunhamos suas consequências, dando a entender que o embate em si ficou esquecido no chão da sala de edição.
Aliás, o filme ostenta com facilidade uma das piores edições do ano. A montagem frenética falha em esconder furos de roteiro bastante evidentes. A sensação é de ter perdido trechos cruciais no percurso, como se o apelo visual servisse de mera distração para que não notássemos os buracos da narrativa. Além disso, como os trailers já antecipavam, o CGI tropeça em momentos decisivos: Blanka (Jason Momoa) surge como um grande boneco digital sem peso ou presença física em cena.
Nem vale a pena se estender sobre os vilões, adaptados de forma caricata e incapazes de causar qualquer tensão. Bison, que assombrou toda uma geração que acompanhava a animação clássica exibida pelo SBT, é reduzido aqui ao clichê do vilão megalomaníaco que quer apenas sugar o poder de lutadores fortes. David Dastmalchian é um ótimo ator, mas acaba pagando aqui um dos maiores micos do ano.
Ao menos a amizade entre Ryu e Ken, somada ao desejo de vingança de Chun-Li, traz elementos familiares para quem conhece a mitologia do jogo e de suas várias adaptações para a TV e o cinema. No fim das contas, faltou um cuidado maior — ou até mesmo paixão — com o material de origem. O projeto acabou tratado como mero entretenimento descartável para atrair uma massa de fãs adormecida. Resta saber se haverá espaço para uma nova aventura dessa turma ou se a franquia nos cinemas já levou um definitivo Game Over.
"Street Fighter" serve mais para despertar a nossa nostalgia dos tempos de fliperama do que para nos apresentar uma adaptação digna de nota.
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