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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Cine Especial: Revisitando 'Street Fighter II: O Filme'

Era início dos anos noventa e eu ainda era um moleque que curtia jogos de videogame no Atari. O cenário mudou quando os fliperamas começaram a invadir o bairro Cohab de Guaíba, onde eu morava, e foi por lá que conheci o popular jogo de luta "Street Fighter II", desenvolvido pela Capcom. Nem é preciso dizer que, por um bom tempo, eu gastava minha mesada em fichas para jogar à tarde, logo após o sinal da escola.

Saltando para os anos de 1994 e 1995, eu era leitor assíduo da revista semanal Herói, que na época era a principal fonte de informação para quem curtia o melhor da cultura pop. Naqueles tempos, eu acompanhava o anime "Os Cavaleiros do Zodíaco" e comprava a publicação principalmente por causa da obra de Masami Kurumada. Porém, foi por meio dela que obtive as primeiras notícias sobre o longa de animação "Street Fighter II: O Filme" (1994).

Nunca vou me esquecer da verdadeira novela que foi a chegada desse longa ao Brasil. Semanalmente, a revista trazia diversas informações — algumas com fundamento, outras absurdas, para dizer o mínimo. Talvez a polêmica mais famosa tenha sido a cena do banho da Chun-Li, que gerou cortes nos EUA. Obviamente, era de se esperar que esses reajustes da censura chegassem por aqui também.

Curiosamente, o filme desembarcou no país em um momento em que a série "Street Fighter II: V" (1995) já havia se tornado um grande sucesso ao ser exibida aos domingos pelo SBT. Um dos grandes trunfos dessa série foi a impecável dublagem comandada por Nelson Machado, que conferiu um charme especial à atração em terras brasileiras. Quando o longa chegou aos cinemas, a dublagem inicial deixou bastante a desejar, mas, felizmente, o filme ganhou uma redublagem de respeito graças ao próprio Nelson Machado quando foi exibido na televisão pelo SBT.

Dirigido por Gisaburo Sugii, o filme acompanha Bison, o líder terrorista da organização Shadaloo (Shadowlaw), que busca os melhores lutadores do mundo para servirem aos seus planos de dominação. No seu radar está Ryu, um jovem andarilho que nunca permanece no mesmo lugar por tempo suficiente para ser capturado. Ele acaba reencontrando Ken Masters, campeão americano de artes marciais que treinou com ele na infância sob o mesmo mestre. Paralelamente, o Major Guile, do Exército dos EUA, é forçado a unir forças com a agente Chun-Li, da China, na esperança de prender Bison.

Produzida pelo estúdio japonês Group TAC em parceira com a própria Capcom, a animação teve o mérito de dar origem e motivações sólidas aos personagens centrais — algo que não era aprofundado no jogo clássico. Com isso, Ryu e Ken assumem com propriedade o protagonismo da trama: dois amigos de infância que trilham caminhos opostos, mas alimentam o desejo de descobrir quem é o melhor em combate. Enquanto isso, Chun-Li e Guile desempenham papéis fundamentais de coadjuvantes, com a lutadora chinesa roubando a cena em sequências de ação memoráveis.

Em termos técnicos, o filme representa o que havia de melhor na animação tradicional em uma época em que o CGI engatinhava. Com uma animação fluida e expressiva, o longa impressiona pela precisão dos movimentos e pelas coreografias de luta extremamente bem executadas, agradando em cheio aos fãs do jogo. O embate entre Chun-Li e Vega, por sinal, figura até hoje como uma das melhores lutas da história dos animes.

Durante muitos anos, diferentes edições do longa circularam pelo mundo, muitas delas censuradas pelas restrições locais. No Brasil, o anime ganhou uma dublagem marcante na época do VHS, mantendo a trilha sonora norte-americana, mas sofrendo com os cortes. Anos mais tarde, o filme finalmente ganhou edições integrais e sem cortes, permitindo ao público conferir a obra em sua concepção original.

Revisto hoje, é seguro dizer que esta continua sendo a adaptação definitiva da franquia, oferecendo espaço e relevância a praticamente todo o elenco de lutadores. Algo bem distante do fracasso do live-action "Street Fighter: A Última Batalha" (1994) — que inexplicavelmente excluiu o personagem Fei Long e cuja produção estrelada por Jean-Claude Van Damme ficou famosa pelo caos nos bastidores. Ao contrário do filme americano, este anime tornou-se uma obra cult, sempre revisitada por quem busca não apenas uma excelente animação dos anos 90, mas também um modelo de como adaptar videogames para o cinema.

Lançado em DVD em uma edição caprichada pelo selo Obras-Primas do Cinema, "Street Fighter II: O Filme" é um exemplar de adaptação respeitosa, eficiente e muito à frente do seu tempo.

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