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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Cine Especial: 'O Enigma da Pirâmide - 40 Anos Depois'

Sherlock Holmes é a criação máxima do escritor Árthur Conan Doyle, sendo que o próprio jamais imaginaria que o seu personagem iria tão longe e sendo até mesmo lembrado em pleno século vinte um. Mas sinceramente eu demorei a conhecer os seus livros protagonizados pelo personagem, sendo que o mesmo só fui conhecê-lo em desenhos animados dos anos oitenta, ou em filmes que posteriormente fui assistir. O primeiro que me vem à cabeça é   "O Enigma da Pirâmide - 40 Anos Depois" (1985).

Embora seja protagonizado pelos personagens criados por Árthur Conan Doyle, o filme possui uma trama original, onde nos coloca a frente com uma proposta interessante: e se Sherlock Holmes e Dr. Watson tivessem se conhecido quando ainda eram jovens? A resposta veio nesta produção dirigida por  Barry Levinson, com roteiro de Chris Columbus  e produção de Steven Spielberg. Revendo o filme percebo uma coisa curiosa.

A trama se passa em Londres no ano de 1985, onde a dupla central se conheceram em uma grande escola. Já se nota que o local remete ao que veremos posteriormente na franquia Harry Potter, sendo que até mesmo alguns personagens lembram bastante aqueles que foram escritos pela escritora J. K. Rowling. O filme teria servido de inspiração para a escritora?

Revendo o filme quarenta anos depois se nota certa semelhança, tanto é que o próprio Chris Columbus  viria a dirigir os dois primeiros filmes do jovem bruxo no início do século vinte um. Porém, o filme possui muito do dedo de Steven Spielberg, sendo que o diretor era também produtor dos principais sucessos de filmes de aventura dos anos oitenta. Portanto, em determinada passagem do filme, qualquer semelhança com o longa "Indiana Jones: E o Templo da Perdição" (1984) não é mera coincidência.

Outro fator que vale destacar desta produção é que foi o primeiro filme a apresentar um personagem totalmente feito em CGI.  A famosa cena do  cavaleiro de vitral foi desenvolvida pelo estúdio Industrial Light & Magic de  George Lucas e gerando algo extremamente realista para a época. Porém, o filme é muito bem lembrado também com o uso de efeitos práticos da época, como no caso do stop motion que ainda estava na moda.

Tanto Nicholas Rowe como Alan Cox se saem bem como a dupla central da trama, sendo que Nicholas nos convence muito bem como o futuro Sherlock e nos passando os sinais da pessoa que viria a se tornar. Curiosamente, há elementos sobre o seu passado que são rapidamente explorados, mas que com certeza teriam sido melhor aprofundados se tivesse havido uma continuação. Vale destacar a boa atuação da até então jovem atriz Sophie Ward, que aqui faz o par romântico de Sherlock e tendo papel primordial na construção de sua personalidade.

Embora o filme seja lembrado com carinho por aqueles que assistiram diversas reprises em uma distante Sessão da Tarde, a produção não foi o sucesso esperado pelos produtores e nunca obteve uma continuação. Porém, todos os sinais que haveria uma sequência estava lá, sendo que uma grande revelação somente acontece nos segundos finais do longa e fazendo com que os fãs de Árthur Conan Doyle ficassem eufóricos na época. Curiosamente, o filme somente termina após o término dos créditos finais, sendo algo raro para aquela época e algo similar o que outro clássico "Curtindo a Vida Adoidado" (1987) faria.

"O Enigma da Pirâmide" é uma bela homenagem à obra de Árthur Conan Doyle e que boa parte da geração dos anos oitenta conheceu a sua principal criação neste bom filme de aventura escapista. 

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Cine Dica: Última sessão do ano no Clube de Cinema: Quatro Noites de um Sonhador (20/12) na Cinemateca Paulo Amorim

Nosso último encontro de 2025 já tem local e data marcada: será no sábado, dia 20 de dezembro, às 10h15 da manhã, na Cinemateca Paulo Amorim, com a exibição de Quatro Noites de um Sonhador, romance delicado e melancólico de Robert Bresson, inspirado livremente no conto Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski.

Ambientado nas noites de Paris, o filme acompanha o encontro entre Jacques, um jovem pintor solitário, e Marthe, uma mulher à beira do desespero. Ao longo de quatro dias, os dois vagam pela cidade compartilhando dores, expectativas e ilusões amorosas. Em uma de suas obras mais singulares, Bresson tensiona o romantismo e o desencanto, construindo um retrato sutil sobre solidão, desejo e a fragilidade da idealização amorosa.

As camisetas do Clube de Cinema serão distribuídas na sessão aos associados que as encomendaram. Aqueles que não puderem comparecer no sábado e queiram pegar as suas, podem entrar em contato com a Kelly, nossa diretora de comunicação, através do WhatsApp: (51) 98135-0432. Lembrando que as camisetas voltarão a ser distribuídas nas sessões de janeiro de 2026!


Confira os detalhes da sessão:


ÚLTIMA SESSÃO DO ANO NO CLUBE DE CINEMA!

📅 Data: Sábado, 20/12, às 10h15 da manhã

📍 Local: Sala Eduardo Hirtz – Cinemateca Paulo Amorim

Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre


Quatro Noites de um Sonhador (Quatre nuits d’un rêveur)

França, 1971, 87 min, 16 anos

Direção: Robert Bresson

Elenco: Isabelle Weingarten, Guillaume des Forêts, Maurice Monnoyer, Lidia Biondi, Patrick Jouanné

Sinopse: Jacques, um jovem pintor solitário, conhece Marthe, uma mulher abandonada pelo amante, nas noites de Paris. Durante quatro dias, os dois caminham pela cidade enquanto lidam com expectativas amorosas distintas. Inspirado em Noites Brancas, de Dostoiévski, o filme observa o desencontro entre idealização e realidade afetiva.


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Cine Dicas: Estreias do Final de Semana (19/12/25)

 AVATAR: FOGO E CINZAS

Sinopse: Depois de uma perda devastadora, a família de Jake e Neytiri enfrenta uma tribo Na'vi hostil, os Ash, liderada pelo implacável Varang, à medida que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem novos dilemas morais.


A EMPREGADA

Sinopse: Millie é uma mulher passando por dificuldades que se sente aliviada com a chance de um novo começo como empregada doméstica de Nina e Andrew, um casal rico. Logo, ela descobre que os segredos da família são muito mais perigosos do que os seus.


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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Cine Dica: Streaming - 'Invocação do Mal 4: O Último Ritual'

 Sinopse: Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren tentam banir um demônio da casa de uma família.  

Quando James Wan lançou o primeiro "Invocação do Mal" (2013) talvez ele nem imaginava que o filme geraria tanto sucesso e criaria até mesmo um universo compartilhado de horror. Houve ao todo três continuações, além de todos os derivados, tanto os positivos como "Annabelle", como os negativos como "A Freira". "Invocação do Mal 4: O Último Ritual" (2025) é uma carta de adeus para aqueles que gostaram de todos os filmes, mesmo quando o capítulo se repete nas mesmas fórmulas já saturadas e vistas durante toda a franquia.

Dirigido por Michael Chaves, Ed e Lorraine se veem obrigados a encarar seus maiores medos, colocando suas vidas em risco em uma batalha final contra forças malignas. A trama se inicia no passado quando Lorraine dá a luz a sua filha que quase morreu durante o parto devido uma misteriosa força demoníaca. Anos se passam e ela força maligna começa assombrar uma inocente família.

Quando o terceiro filme, "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021) foi lançado eu já achava que estava na hora da franquia se encerrar, pois já estava começando a ficar repetitivo e dando a entender que os produtores inventaram de tudo para continuar com os filmes para gerar lucro. Ao menos, por enquanto, dá a entender que esse quarto filme encerra as aventuras do casal Warrren no cinema, mesmo com algumas pontas que poderiam ser exploradas em um eventual derivado futuro. Neste último caso, por exemplo, não é de se estranhar que novamente a boneca Annabelle fique surgindo quase o tempo todo no decorrer do filme, já que foi um derivado que deu certo até certo ponto.

Confesso que a abertura do filme me emocionou muito e os jovens atores que fazem as versões jovens de Ed e Lorraine realmente nos convence em cena. Só por causa dessa abertura já é o suficiente para que o filme mantenha a nossa atenção, mesmo quando nos passa a todo momento aquela sensação de Déjà vu. Michael Chaves até tenta, mas não é um James Wan e sua direção é somente ok e não acrescenta em nada ao legado criado pelo primeiro filme lá atrás.

Mas como não poderia deixar de ser, o coração do filme pertence mesmo a Patrick Wilson e Vera Farmiga, que desde o primeiro filme nos transmitiam uma química perfeita e é muito difícil hoje imaginar sem eles na história. Sarah Catherine Hook até que se esforça, mas dificilmente obterá sucesso caso a sua personagem ganhe algum derivado, o que não me surpreenderia. Em tempos em que o cinema norte americano se encontra cada vez menos inspirado, cada possibilidade de um possível derivado é sempre colocada na mesa dos engravatados.

Em suma, o filme diverte do começo até o seu final que se encerra de forma nostálgica, melancólica e colocando um ponto final na história desse querido casal. É um filme feito mais para os fãs apreciarem e não dando espaço para aquele cinéfilo que procura algo que o desafie. Em um ano que o cinema de horror nos impressionou pela sua criatividade, esse filme vem somente como um acréscimo e não algo que dê um passo à frente.

"Invocação do Mal 4: O Último Ritual" pode não ser o melhor da franquia, mas ao menos o casal


Onde Assistir: HBO MAX
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'Cyclone'

Sinopse: Na São Paulo de 1919, uma jovem dramaturga conquista a cobiçada bolsa para estudar teatro em Paris, mas logo descobre que o maior obstáculo para realizar seu sonho é ter nascido em um mundo onde mulheres não são donas do próprio corpo.  

Conheci a diretora Flávia Castro a partir do documentário "Diário de uma Busca" (2010) e do qual teve uma sessão com debate anos atrás pelo Cinebancários. Embora tenha a sua predileção com relação ao lado documental se percebe também o seu interesse pela ficção, mas que ressoa como algo real assim como foi em "Deslembro" (2018). Em "Cyclone" (2025) a cineasta soube transitar por fatos verídicos e alinhá-los de forma romanceada, mas com doses de reflexão na medida certa.

Na trama, acompanhamos a história da operária e aspirante a dramaturga chamada Dayse que divide seu tempo entre o trabalho numa gráfica e a colaboração secreta no Theatro Municipal de São Paulo nas décadas de 1910 e 1920. Enquanto mantém um romance secreto com o autor e diretor do local Heitor Gamba, surge uma gravidez que pode estragar os planos de Dayse para os seus estudos em Paris no futuro. Uma mulher de espírito livre, Dayse percebe que o maior obstáculo para seu sucesso não são os inúmeros preconceitos de seu tempo, mas enfrentar e sobreviver a um aborto clandestino.

Flavia Castro cria um plano de abertura curioso ao focar somente na protagonista e deixando os seus ouvintes somente em off. Embora ela esteja narrando os seus textos para essas determinadas pessoas, ao mesmo tempo, é uma forma de julgarmos em um primeiro momento aquela mulher cujo seu olhar fala mais por ela do que meras palavras. Flavia Castro, portanto, já nos diz que estamos diante de uma pessoa com personalidade forte e que não irá desistir dos seus objetivos mesmo quando o mundo conservador em que ela vive diz ao contrário.

Visualmente o filme é uma bela reconstituição de época, mesmo quando percebemos que os planos fechados permitem que não vejamos elementos dos nossos tempos contemporâneos. Ao mesmo tempo, a realizadora se permite usar e abusar de uma câmera quase frenética, mas que sintetiza a confusão mental em que a protagonista passa para enfrentar os obstáculos que surgem pelo seu caminho. Por conta disso, é como se estivéssemos vendo imagens de uma mente febril e que procura entender a lógica de um tempo em que há laços invisíveis que a impedem de ir mais adiante.

Com um olhar cortante, Luíza Mariani entrega uma atuação poderosa e sintetiza o papel de uma mulher forte perante o preconceito e o lado patriarcado daqueles tempos. Ao mesmo tempo, atriz Karine Teles faz da sua personagem Marie um ser trágico ao não desistir dos seus sonhos, mas se entregando aos meios errados para se manter no palco. Ambas cometem os seus erros para continuarem existindo no universo em que elas amam, mas pagando um alto preço.

Ao retratar essa figura histórica que foi Cyclone, a diretora Flavia Castro faz um paralelo com os tempos atuais em que o conservadorismo procura sufocar os direitos das mulheres e diminuir cada vez mais as suas escolhas para seguir em frente. Embora com avanços há também uma luta de classes, religiosidade e política, mas cujo posicionamento de um pode fazer a diferença. Infelizmente para Cyclone a sua luta teve um alto preço, mas acabou não sendo esquecido.

"Cyclone" é um retrato particular da diretora Flávia Castro com relação a uma escritora que poderia ter ido mais longe em nossa história do que se imagina. 


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Cine Dica: Cinesemana de 18 a 21 de dezembro de 2025

A cinesemana que antecede o Natal será mais curta – mas nem por isso com menos novidades na nossa programação. Entre as estreias, o aguardado NOUVELLE VAGUE, de Richard Linklater, sobre os bastidores das filmagens de “Acossado”; e o documentário LUMIÉRE! A AVENTURA CONTINUA, que reúne uma centena de filmes produzidos pelos irmãos Lumière nos primórdios do cinema. Outro destaque é a pré-estreia de VALOR SENTIMENTAL, em que o norueguês Joachim Trier coloca em foco as desavenças familiares.  Ainda teremos uma exibição especial em homenagem aos 90 anos da queridíssima artista gaúcha Zoravia Bettiol e a Sessão Nostalgia especial de Natal com O ESTRANHO MUNDO DE JACK.

 Seguem em cartaz SORRY, BABY, dirigido e protagonizado por Eva Victor, indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz; MEMÓRIAS DE UM VERÃO, em que Glenn Close interpreta uma avó; LIVROS RESTANTES, com a atriz Denise Fraga; a comédia romântica italiana PRIMEIRO ENCONTRO; e a produção chilena/argentina O CASTIGO.

Como era de se esperar, a campanha de premiações impulsionou o público nas sessões de O AGENTE SECRETO, de Kleber Mendonça Filho, e FOI APENAS UM ACIDENTE, novo filme do diretor iraniano Jafar Panahi.

Confira a programação completa da Cinemateca clicando aqui. 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Cine Dica: Em Cartaz - 'Bugonia'

Sinopse: Dois homens obcecados por conspirações sequestram a CEO de uma grande empresa quando se convencem de que ela é uma alienígena que quer destruir a Terra.  

Yorgos Lanthimos é excêntrico em sua essência e é justamente por isso que os seus filmes são geniais, pois nos últimos tempos os seus longas têm explorado a perdição do ser humano em tempos contemporâneos. Se "Pobres Criaturas" (2023) revela a genialidade alinhada com hipocrisia, por outro lado, "Tipos de Gentileza" (2024) é uma síntese de uma sociedade perdida e que abraça qualquer ideia que soe maravilhosa, mas que na realidade é bem imbecil. Em "Bugonia" (2025) o realizador dá continuidade sobre a desconstrução da humanidade, alinhada com a ficção, mas que está muito próxima do nosso mundo real.

Sendo uma refilmagem do filme sul-coreano "Save the Green Planet", na trama acompanhamos Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbis), dois homens que decidem raptar uma poderosa empresária chamada Michelle Fuller (Emma Stone). Teddy acredita que ela seja uma alienígena que planeja destruir a Terra em um eventual eclipse e que fará de tudo para arrancar dela a verdade. Não demora muito para que esse sequestro desencadeia situações que beiram a loucura.

Em tempos em que a sociedade se encontra cada vez mais alienada, sendo que uma em cada dez pessoas nove não conseguem largar o seu próprio celular, Yorgos Lanthimos decide tirar sarro desse quadro em que o ser humano se perdeu em suas próprias conquistas tecnológicas. Teddy e Don nada mais são do que um exemplar de uma grande parcela da sociedade que decidiu acreditar nas mais absurdas teorias da conspiração e fazendo com que isso se torne uma forma para que se sintam especiais. Se em um determinado momento surgir na tela uma terra plana não se surpreenda, pois Yorgos Lanthimos está cutucando um tipo de pessoas que nós brasileiros conhecemos muito bem já algum tempo.

Por conta disso o longa nos brinda com diálogos excêntricos, humor ácido e um clima até mesmo claustrofóbico e doentio em alguns momentos. Tendo trabalhado anteriormente com o diretor, o ator Jesse Plemons novamente nos brinda com uma atuação digna de nota, onde ele consegue construir todo lado paranóico e pouco lúcido de seu personagem e fazendo com que os seus momentos de explosão se tornem imprevisíveis. Já Aidan Delbis tem pouco o que fazer perante a atuação do seu colega em cena, muito embora a sua cena final pegará muitas pessoas de uma forma desprevenida.

Porém, é Emma Stone que nos brinda com uma atuação espetacular, sendo que a sua parceria com o diretor a partir do filme "A Favorita" (2018) já lhe deu diversos frutos, incluindo o seu segundo Oscar pelo já citado "Pobres Criaturas". Aqui, sua personagem se apresenta como uma pessoa fria e calculista, mas não nos passando exatamente uma suspeita plausível que é levantada pelos dois sequestradores. Porém, é graças a construção de um ar de ambiguidade para a sua personagem que faz com que Stone nos provoque e fazendo a gente se perguntar o que é mentira e verdade vindo do seu lado persuasivo em determinados momentos. Portanto, não me surpreenderia uma nova indicação ao Oscar a caminho.

Curiosamente, Yorgos Lanthimos brinca com a nossa perspectiva com relação a trama até o seu minuto final, principalmente no derradeiro momento que faz com que tudo o que achamos até aquele instante vai por água abaixo. Porém, na minha interpretação, o realizador faz uma espécie de licença poética ao nos dizer que, independentemente do fato de certas teorias da conspiração serem verdades ou não, a humanidade já se encontra em transe e despreparada para a sua própria extinção iminente. Onde erramos para chegarmos a esse ponto isso sim merecia um outro filme para ser apreciado de perto.

"Bugonia" é um filme apocalíptico peculiar bem ao estilo de Yorgos Lanthimos e nos revelando uma sociedade doente, afogadas em informações via internet e perdendo cada vez mais a sua própria individualidade. 



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