Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte.
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Nosso encontro deste sábado será às 10h15 da manhã, na Cinemateca Paulo Amorim (CCMQ), com a exibição de Niki de Saint Phalle, longa francês que marca a estreia na direção da atriz Céline Sallette. Selecionado para o Festival de Cannes, o filme acompanha os anos formativos da artista franco-americana Niki de Saint Phalle (1930–2002), antes da consagração internacional com suas esculturas monumentais e vibrantes. Charlotte Le Bon, em uma das melhores atuações de sua carreira, encarna Niki em sua busca por afirmação em um meio artístico dominado por homens, entrelaçando traumas pessoais, rebeldia e o nascimento de uma linguagem estética singular.
Confira os detalhes da sessão:
SESSÃO DE SÁBADO NO CLUBE DE CINEMA
📅 Data: Sábado, 23/08/2025, às 10h15 da manhã
📍 Local: Cinemateca Paulo Amorim (CCMQ) – Rua dos Andradas, 736 – Centro Histórico, Porto Alegre
Niki de Saint Phalle
França, 2024, 100 min, 14 anos
Direção: Céline Sallette
Elenco: Charlotte Le Bon, Damien Bonnard, Judith Chemla, John Robinson
Sinopse: Niki é modelo, casada e mãe de uma menina pequena quando deixa os Estados Unidos em plena era McCarthy e se muda para a França com a família. Em meio a traumas de infância e períodos de internação em hospitais psiquiátricos, encontra na criação artística uma via de libertação, dando início ao percurso que a tornaria uma das vozes mais ousadas da arte contemporânea.
Sinopse: A vida de dois meio-irmãos que, após encontrarem seu pai morto no banheiro, são alocados para um lar adotivo. Andy e Piper acabam na casa de Laura, sua nova guardiã. Com um jeito excêntrico, Laura trabalhava como conselheira pedagógica e, além dos irmãos, também adota um jovem mudo chamado Oliver. Afastada da cidade grande, o imóvel no qual a garota e o garoto vivem esconde grandes segredos.
Anônimo 2
Sinopse: O pai suburbano Hutch Mansell, ex-assassino letal, é levado de volta ao seu passado violento depois de impedir uma invasão domiciliar, desencadeando uma cadeia de eventos que revela segredos sobre o passado de sua esposa Becca.
Faz de Conta Que é Paris
Sinopse: Para realizar o desejo, agora lamentado, de um pai idoso e muito doente de não ter feito uma viagem a Paris com os filhos, os três irmãos, que não se falam há cinco anos, fingem deixar Florença com ele a bordo de um trailer, que nunca sairá dos limites de um estábulo de cavalos.
Uma Mulher Sem Filtro
Sinopse: Bia (Fabiula Nascimento) é uma publicitária que vive uma vida estressante, cercada por problemas: um chefe machista, um marido folgado, um enteado insolente, uma melhor amiga narcisista e uma irmã bastante diferente.
Amores à Parte
Sinopse: Em Amores à Parte, Carey (Kyle Marvin) vê sua vida virar de cabeça para baixo após sua mulher lhe revelar que o traiu com outra pessoa e, logo em seguida, pedir o divórcio do casal. Carey sofre com as confissões inesperadas de sua esposa Ashley (Adria Arjona) e vai atrás de seu casal de amigos Julie (Dakota Johnson) e Paul (Michael Angelo Covino) em busca de consolo e conselhos.
A cinemasemana de 21 a 27 de agosto traz a estreia do documentário brasileiro TIJOLO POR TIJOLO, sobre uma família periférica que se reinventa graças às redes sociais. Outra novidade é o longa alemão A LUZ, do diretor Tom Tykwer, do sucesso “Corra, Lola, Corra”.
Seguem em cartaz os filmes brasileiros CARLOTA JOAQUINA, PRINCESA DO BRAZIL, de Carla Camurati, que voltou aos cinemas em cópia restaurada; e NO CÉU DA PÁTRIA NESSA INSTANTE, documentário de Sandra Kogut sobre as últimas eleições presidenciais no Brasil.
Também seguimos com títulos muito apreciados pelo público, como a comédia italiana FAZ DE CONTA QUE É PARIS, de Leonardo Pieraccioni; A PRISIONEIRA DE BORDEAUX, um filme dedicado às questões femininas e protagonizado por Isabelle Huppert; e o emocionante A FANFARRA, sobre a relação entre dois irmãos desconhecidos e que têm a música em comum.
Esses são os últimos dias de exibição de CLOUD, do diretor japonês Kiyoshi Kurosawa, sobre um jovem vendedor que engana seus compradores; e UMA BELA VIDA, do diretor Costa-Gavras, uma delicada reflexão sobre a finitude da vida.
Confira a programação completa no site oficial da cinemateca clicandoaqui.
Sinopse: No enorme Parque Nacional de Yosemite, a morte de uma mulher atrai um agente federal para uma terra sem lei, onde a natureza não segue as regras humanas.
Se tornou cada vez mais comum a Netflix lançar uma série policial que prende atenção do espectador do começo até o seu final. Se por um lado se obtém certo êxito, do outro, há alguns casos de pontas que ficam no ar e dividindo a opinião do público. "Indomável" (2025) é um desses casos que nos conquista graças aos seus personagens bem construídos, mas que se veem envolvidos em uma trama cheia de camadas e que nem todas elas poderão ser descascadas.
Escrita por Elle Smith (A Filha do Rei do Pântano) e Mark L. Smith (O Regresso), a história acompanha o agente federal Kyle Turner (Bana), que vive no Parque Nacional de Yosemite, nos EUA, e precisa investigar a morte de uma jovem desconhecida após o corpo dela cair - ou ser jogado - do alto do El Capitán, formação rochosa de mais de 900 metros, famosa entre os praticantes de escalada.
Inicialmente é preciso dar crédito ao ator Eric Bana, já que boa parte da série ele carrega nas costas. Conhecido pelo público a partir do injustiçado "Hulk" (2003) de Ang Lee, Bana nos transmite um conflito interno do seu personagem, seja através do seu olhar, como também da forma como ele nos é apresentado pela primeira vez. Neste último caso, por exemplo, isso acaba sendo o suficiente para a série obter a nossa atenção, já que não sabemos ao certo o quanto está lúcida, ou não, a mente do protagonista.
Quanto ao crime em si é interessante observar que esse elemento principal se alinha com diversos assuntos, que vai desde ao abandono, vícios e o número cada vez maior de pessoas desabrigadas e que buscam um refúgio através da natureza. Se por um lado alguns desses pontos se tornam o suficiente para uma rodada de debates, por outros, eles se tornam uma espécie de cortina de fumaça para ofuscar o verdadeiro x da questão com relação ao assassinato. O resultado acaba se tornando um tanto confuso para aqueles que não prestarem atenção na trama no decorrer da série.
Outro, porém, está na questão das subtramas que mais atrapalha do que ajuda, como no caso da personagem parceira do protagonista vivida pela atriz Lily Santiago. Não que a sua história seja ruim, mas caso ela não existisse isso também não atrapalharia o ponto principal da trama, mesmo quando ela desencadeia momentos dramáticos e gerando até mesmo grande tensão em nós quando estamos assistindo. Contudo, isso não é o suficiente para termos também aquela sensação de uma trama que nos soa irregular em alguns momentos e cujo teor principal poderia ser mais bem desenvolvido.
Com relação a isso, pode-se dizer que a série explora ato e consequências, cuja ação desencadeia uma teia de eventos, mas que poderiam ter sido, ou mais bem explorados ou até mesmo sendo simplificados. Quando chegamos ao seu final me parece que tudo o que foi passado foi uma grande distração para não desconfiarmos do verdadeiro autor do crime, mas que nos dá também aquela sensação de traição da parte dos realizadores. A série nos conquista pela sua temática, mas nos decepciona um pouco pelos desdobramentos dela.
"Indomável" é uma boa série para se maratona no final de semana, mas que nos prega diversas peças que, por vezes, poderiam ter sido limadas da história.
Sinopse: Retrata a vida e obra do icônico Luiz Gonzaga do Nascimento. Focando em sua infância e adolescência, o filme busca explorar as profundas conexões entre o artista em formação e os mitos que moldaram a cultura nordestina.
Elenco: Kayro Oliveira, Luiz Carlos Vasconcelos, Cláudia Ohana, Tonico Pereira.
EM CARTAZ:
PLACAR A REVISTA MILITANTE
Brasil/ Documentário/ 2024/ 101 min.
Direção:Ricardo Corrêa e Sérgio Xavier Filho
Sinopse: Sob o pretexto de falar de futebol, a revista Placar ousou denunciar a censura, escancarou os bastidores do esporte como palco de lutas políticas e deu voz aos jogadores em tempos de opressão. Entre gols históricos e imagens raras, o filme resgata o papel do jornalismo esportivo, mostrando como a paixão pelo futebol pode se tornar um ato de coragem e militância.
OS ENFORCADOS
Brasil/ drama/ 2024/ 123min.
Direção: Fernando Coimbra
Sinopse: Em um Rio de Janeiro tomado pelo crime, o casal Valério e Regina se vê envolvido em dívidas e traições herdadas da família de Valério. Uma noite, eles encontram o plano perfeito. Mas, ao executá-lo, são sugados por uma espiral de violência que parece não ter fim.
HORÁRIOS DE 21 A 27 DE AGOSTO (não há sessões nas segundas-feiras):
15h: PLACAR A REVISTA MILITANTE
17h: OS ENFORCADOS
19h: LUIS GONZAGA – LÉGUA TIRANA
SESSÃO ESPECIAL CINECLUBE MATINAL: DIA 25, segunda, ás 19h, haverá uma sessão de pré-estreia do filme O ÚLTIMO AZUL, com debate
após a sessão. Debatedores: ROGER LERINA e MARCELO PERRONE.
Ingressos vendidos na bilheteria da sala.
Ingressos: Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 14,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos (as), estudantes, bancários (as), jornalistas sindicalizados (as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 7,00. São aceitos PIX, cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo. Na quinta-feira, a meia-entrada é para todos e todas. EM TODAS AS QUINTAS TEMOS A PROMOÇÃO QUE REDUZ O VALOR DO INGRESSO PARA TODOS E EM TODAS AS SESSÕES PARA R$ 7,00.
Sinopse: Todas as crianças da mesma sala de aula, exceto uma, desaparecem misteriosamente na mesma noite e exatamente no mesmo horário. A comunidade fica se perguntando quem ou o que está por trás do desaparecimento.
Na vida nada se cria, mas sim tudo se copia e essa frase pode ser muito bem usada quando o assunto é cinema. É bem verdade que a sétima arte vive em tempos em que quase não há uma história original, mas sim tramas que nos provocam um verdadeiro Déjà vu. Porém, isso não significa que a obra seja ruim.
Ao longo das décadas muitos diretores autorais criaram o seu modo de filmar e fazendo com que ganhasse, tanto admiradores, como também o surgimento de diretores que se inspiraram neles. O ator e comediante Zach Cregger é um caso interessante, já que ele começou no ramo da comédia, mas surpreendendo na direção a partir de "Noites Brutais" (2022), onde já vemos ali um realizador que bebeu muito da fonte de outras obras, mas conseguindo obter a nossa atenção na medida certa. Em seu terceiro longa na direção, "A Hora do Mal" (2025), o realizador mescla drama, comédia e horror e gerando desta mistura algo que aparenta ser original, mas cujo cinéfilo atento irá fisgar referências de outras obras.
Na trama, acompanhamos o misterioso caso do desaparecimento de 17 crianças de uma mesma turma, a classe da professora Gandy (Julia Garner) e de forma injusta acaba sendo a principal suspeita. Em uma determinada madrugada, mais precisamente às 2h17, todos os alunos da sala de Gandy acordaram, fugiram de suas casas por livre e espontânea vontade e sumiram. Porém, com exceção de um único jovem, o tímido Alex Lilly.
Pode-se dizer que Zach Cregger soube como ninguém criar uma trama cujo teor nos passa uma sensação mórbida em um primeiro momento, já que estamos falando de crianças que desapareceram de forma misteriosa. Porém, na medida em que a trama avança, o drama passa a obter elementos de suspense, horror e ao mesmo tempo com pitadas de humor sombrio e gerando em nós aquela risada envergonhada que dispara, pois os nossos sentimentos naquele momento se encontram em conflito devido ao que estamos assistindo. Para aqueles que estão acostumados com o horror convencional o filme pode até decepcionar, mas não aqueles que buscam algo fresco e nisso o longa conquista com certo êxito.
Porém, como dito acima, o realizador bebeu da fonte de outros cineastas ao criar a sua trama e para o cinéfilo isso se torna um prato cheio devido as diversas referências. Para começar, o longa é dividido em capítulos, onde vemos em cada um deles a perspectiva de determinado personagem e criando assim um mosaico de informações e fazendo com que a gente monte as peças desse quebra cabeça. Não vai faltar momentos em que retornamos para determinada cena, contudo, por um ângulo diferente e fazendo com que respondesse a dúvida que tivemos naquele determinado momento.
São nestes momentos, por exemplo, que o longa me lembrou muito o que Quentin Tarantino fez em sua obra prima "Pulp Fiction" (1994) e não me surpreenderia se Zach Cregger tivesse se inspirado nesse clássico como um todo. Mas não é somente um lado Tarantinesco que senti a todo momento, como também nos planos-sequências em que o cineasta filma determinado personagem andando ou correndo e cuja cena do posto de combustível culmina em algo vertiginoso, assim como também os minutos finais do longa que se tornam inesquecíveis diante dos nossos olhos. Qualquer semelhança com que o cineasta Sam Raimi havia feito em sua trilogia clássica "Uma Noite Alucinante" não é mera coincidência e após assistirem ao filme sugiro que assistam essa divertida obra protagonizada por Bruce Campbell.
E como dito acima, Zach Cregger consegue mesclar elementos do horror e alinhá-lo com pitadas de comédia e gerando em nós um conflito interno com relação ao que estamos assistindo. Porém, é uma tendência cada vez mais comum dentro do gênero de horror, ao não somente mesclar elementos psicológicos, como também nos provocando um humor involuntário. Isso foi muito bem explorado, por exemplo, no já clássico "Corra" (2017), de Jordan Peele, e cujo símbolo da sineta se tornou tão marcante que também se encontra na obra de Zach Cregger e se tornando uma peça central da trama.
Ou seja, é um filme feito com que há de melhor no que já foi visto em outros longas metragens, mas cujo resultado se torna desconcertante, incômodo e até mesmo imprevisível. Zach Cregger, acerta ao não mudar a roda, mas sim usando tudo o que já havia aprendido e assistido no decorrer dos anos e é por esse caminho que se molda grandes colaboradores da sétima arte. Talvez seja ainda muito cedo para dizer se ele será alguém do mesmo patamar como Tarantino, mas nunca é demais dar certo crédito.
"A Hora do Mal" é puramente cinema, onde o realizador realiza uma verdadeira mistura de tudo o que já assistimos e nos passando algo que aparenta ser imprevisível.
MOSTRA DESTACA DIRETOR ALEMÃO NA CINEMATECA CAPITÓLIO
O Goethe-Institut Porto Alegre e Cinemateca Capitólio apresentam, entre os dias 22 e 24 de agosto, a mostra Roland Klick, cineasta alemão, destacando uma das filmografias mais ousadas e originais do cinema moderno produzido na Alemanha Ocidental. A sessão de abertura, na sexta-feira, às 19h30, apresenta uma edição especial do Projeto Raros com Deadlock, western lisérgico dirigido por Klick em 1970. Entrada franca.
A Cinemateca Capitólio destaca o cinema brasileiro na semana! A restauração de Iracema – Uma Transa Amazônica, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, Pacto da Viola, de Guilherme Bacalhao, e No Céu da Pátria Nesse Instante, de Sandra Kogut serão exibidos até o dia 27 de agosto. O valor do ingresso é R$ 16,00.
Na quarta-feira, 27 de agosto, às 19h30, a Cinemateca Capitólio recebe uma sessão especial do documentário Neirud, de Fernanda Faya. A exibição faz parte da programação da Jornada Lésbica de Porto Alegre. Entrada franca.