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Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Cine Especial: Conhecendo 'A Liberdade é Azul'

Em sua curta, porém marcante carreira, Krzysztof Kieślowski construiu obras que não falavam apenas de sua Polônia natal, mas também da França, país que tão bem o acolheu. Seus filmes trazem sempre uma exploração profunda sobre o individualismo e as escolhas que movem o sujeito — temática que foi brilhantemente explorada, por exemplo, em Sorte Cega (1987).

Contudo, a questão do individualismo talvez tenha encontrado seu ápice no período em que a sociedade atravessava a transição entre as décadas de 1980 e 1990. Naqueles primeiros anos da última década do século XX, o mundo caminhava para um cenário de solidão, onde a preocupação com o próximo parecia ceder lugar ao autocentramento. "A Liberdade é Azul" (1993) envereda por esse pensamento: nele, a protagonista aprende, a duras penas, que não é possível desvencilhar-se tão facilmente do calor humano.

Na trama, após um trágico acidente que vitima seu marido e sua filha, Julie (Juliette Binoche) decide renunciar à sua própria história. Ela se afasta de tudo e de todos, assumindo o anonimato em meio à multidão parisiense. Essa existência fantasmagórica começa a ruir quando ela se vê compelida a lidar com uma importante obra inacabada de seu falecido esposo, um compositor de fama internacional.

Kieślowski filma como poucos. Sua fotografia fria sintetiza o estado emocional de uma personagem que tenta, a todo custo, não expressar sentimentos. Além disso, quando Julie é confrontada por perguntas de outros personagens, o diretor frequentemente faz uso de fades para o preto (escurecendo a imagem), como se, em seu interior, ela buscasse forças para responder. É como se houvesse um lapso temporal; o mundo à sua volta já não é urgente o suficiente para exigir uma resposta imediata.

Juliette Binoche — que muitos conheceram pelo clássico O Paciente Inglês (1996) — nos brinda com uma atuação que sustenta o filme. Ela constrói um ser que busca a assepsia emocional, mas que recupera a humanidade aos poucos, conforme pessoas ligadas ao seu passado ressurgem. Os personagens secundários, por sua vez, orbitam Julie em busca de suas próprias respostas, revelando-se também em jornadas particulares de autodescoberta.

"A Liberdade é Azul" abre a "Trilogia das Cores" de Kieślowski, seguida por "A Igualdade é Branca" (1994) e encerrada com "A Fraternidade é Vermelha" (1994). Há quem diga que as cores são apenas uma homenagem à bandeira francesa, mas elas funcionam, primordialmente, em sintonia com os sentimentos da trama. Aqui, o azul talvez seja uma representação do amor que cerca a personagem; um sentimento que ela recusa, mas que a impregna conforme a narrativa avança.

Com um teor psicológico e, por vezes, sombrio, o longa é apontado como uma obra à frente de seu tempo, antecipando dilemas que o cinema exploraria com afinco na virada do milênio. Assim como "Amores Expressos" (1994), o filme de Kieślowski é um daqueles casos que tardei a assistir, mas que, ao conhecer, percebo o quanto ainda há de "diamantes" dos anos 90 a serem descobertos. Nunca é tarde para apreciá-los.

"A Liberdade é Azul" é Kieślowski em sua essência: uma poderosa representação da alma humana em tempos de mudança.

Onde Assistir: MUBI. 

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