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Sócio do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 98 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento e Cinesofia. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Cine Dica: SESSÃO AURORA EXIBE CLÁSSICO CENTENÁRIO DE D. W. GRIFFITH



A primeira Sessão Aurora do ano acontece no sábado, 28 de fevereiro, às 18h, na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), com a exibição de O Nascimento de uma Nação, de D. W. Griffith, em cópia digital restaurada, no mês em que o filme completa 100 anos. Após a sessão, acontece um debate com os editores do Zinematógrafo. A entrada é franca.
Em 2015, a Sessão Aurora vai promover o ciclo Histórias do Cinema Americano, a partir de filmes de diferentes tempos, gêneros e autores em exibições mensais. Considerado o pai do “cinema narrativo clássico”, Griffith será o ponto de partida dessa jornada cinematográfica. A sessão também marca o lançamento do Zinematógrafo número 13.
Em O Nascimento de Uma Nação, Griffith consolida o modelo narrativo que se tornaria dominante no cinema americano e que ele vinha germinando, mais ou menos conscientemente, desde o início de sua carreira como diretor, em 1908. Nesta época, o cinema americano passava por transformações que acompanhavam o desenvolvimento do próprio capitalismo do país. Inserido neste contexto mais amplo, Griffith soube como ninguém se integrar na nascente indústria do cinema e, mais do que isso, ajudar a construir um sistema narrativo eficiente que pudesse manter o interesse do público numa arte que lentamente se afirmava como tal, alimentando, então, o a curiosidade da classe-média americana. É este movimento crucial que O Nascimento de Uma Nação vai sacramentar, com todas as tensões estéticas e ideológicas que ele traz.
O filme narra a história de duas famílias: os Stonemans, do Norte abolicionista, e os Camerons, do Sul escravista a partir do início da Guerra Civil Americana (1861-1865) até a Reconstrução nos anos seguintes – período no qual, aliás, Griffith teve sua infância. Baseado no livro e na peça de Thomas Dixon Jr., “The Clansman: An Historical Romance of the Ku Klux Klan”, pretensa verdade histórica sobre a Guerra e os papéis dos Confederados e da União nos conflitos, os 180 minutos do filme mostram ainda o assassinato de Lincoln e a ascensão da Ku Klux Klan, no filme tomada como a salvação heróica dos brancos “na luta contra os negros”. Para o clã, na versão da história que Griffith comprou da obra de Dixon, a abolição da escravidão levaria os Estados Unidos ao caos.
Exibido pelo então Presidente e notório racista Woodrow Wilson na Casa Branca, o filme, produção grandiosa e sucesso de público, também teve de lidar com protestos onde quer que fosse anunciada a sua exibição pública. Notadamente pelo racismo que o filme veicula, movimentos pelos direitos dos negros fizeram, ao longo de décadas, protestos pelo banimento do filme, enquanto que, do outro lado, tentava-se defender o filme apelando para as “liberdades constitucionais”, tendo o próprio Griffith se pronunciado no célebre discurso “The Rise and Fall of Free Speech in America”. No limite, é um filme que reflete um pouco da própria tensão social que atravessa a História dos Estados Unidos desde a sua fundação.

SESSÃO AURORA
O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO
(The Birth of a Nation)
Direção: David Wark Griffith
1915
180 minutos
Elenco: Lilian Gish, Henry B. Walthall, Mae Marsh, Miriam Cooper, Mary Alden, George Siegmann, Wallace Reid
Exibição em HD com legendas em português
 
Sala P. F. Gastal
Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia
Av. Pres. João Goulart, 551 - 3º andar - Usina do Gasômetro
Fone 3289 8133

www.salapfgastal.blogspot.com

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